quarta-feira, 24 de abril de 2013

Os “beijos íntimos” no namoro são pecado?

"Quero formar uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas". Santa Gianna Molla [1]


“Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” diz o Catecismo da Igreja Católica [2] e neste contexto – ao falar dos noivos – também se incluem os namorados, e como foi dito, certas manifestações de ternura são específicas do amor conjugal, ou seja, dos que já estão casados, e dessas a principal manifestação é a relação sexual.

Graças a Deus vemos crescer o número de pessoas que tem a intenção de viver um relacionamento casto, e nesse contexto vemos surgir também muitas dúvidas e questionamentos a respeito, uma delas – e provavelmente a mais polêmica – é a discussão sobre se é lícito que um casal de namorados dêem “beijos íntimos”, os chamados “beijos de língua”, - não gosto deste termo por ser um tanto vulgar, mas o uso para exemplificar, pois  já  vi pessoas fugirem do assunto dizendo que existem “níveis de beijos íntimos”, por isso vou logo direto ao assunto para não haver margem para interpretações, - e o motivo deste assunto ser polêmico e fazer com que muitos não o abordem é que ele é sempre um divisor de águas no real entendimento do que é um namoro casto, muitas vezes tem se a falsa ideia de que só é preciso que não haja relação sexual para que o relacionamento seja casto e  o casal não precise se preocupar com mais nada, mas há outras manifestações de carinho que são próprias dos casados pois são uma preparação para a relação sexual, conseqüentemente são ilícitas para namorados e noivos.

É sobre isto que trataremos nesta postagem, apresentaremos alguns apontamentos de autoridades nestes assuntos sobre castidade e também alguns pontos de bom senso sobre o assunto, nossa intenção é que sirva de um estopim para sua reflexão e estímulo para aqueles que já pensam a respeito, por isso é imprescindível que você leia os complementos dos textos indicados (no final da postagem há o link que direciona ao texto completo de cada autor indicado) e também que você leia esta postagem com boa vontade, com o espírito de aprendizagem e aberto a verdade, por mais que a verdade seja incômoda, pois uma pessoa que quer viver a castidade não se pergunta primeiro se deve agradar o namorado ou a namorada, antes ela se pergunta se seus atos estão agradando a Nosso Senhor Jesus, este é o verdadeiro comportamento de um filho de Deus, agindo de forma contrária caímos no pecado, ofendendo a Deus, destruindo a nossa vida e a de quem amamos:

“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”. [3]
Então, vamos aos apontamentos, que o Divino Espírito Santo esclareça nossa inteligência:

Pe. Thomas Morrow: [4] “Uma pergunta clássica entre os solteiros diz respeito ao french kiss ou beijo de língua. É aceitável? Redondamente, não. Houve mulheres que me disseram serem capazes de fazê-lo sem se sentirem excitadas, e acredito nelas. Mas, é difícil encontrar um homem normal que não se excite com um beijo de língua. As mulheres são responsáveis pelo que provocam no homem, assim como pelo que provocam e si mesmas.
Um estudante disse-me: - "Padre, eu consigo dar um beijo de língua sem excitar-me". Repliquei-lhe: - "Talvez seja porque o faz mal". Também pode ser porque, pela prática constante, um homem se torne insensível, mas esse processe de insensibilização esconde já muitos pecados graves [...]
O propósito do namoro é chegar a conhecer a outra pessoa para ver se seria conveniente casar-se com ela. Os beijos prolongados não ajudam a alcançar esse objetivo. Geralmente, faz-se isso por ser agradável, não para se chegar a uma descoberta interpessoal. De modo que, ainda que os beijos prolongados não provoquem excitação (o que poderia ser caso para uma consulta médica), são contraproducentes para o namoro. São pelo menos um pecado contra a virtude da prudência [...] Pôr-se voluntariamente em perigo de pecar já é um pecado.”

Jason Evert: [5] Quando se fala de pecados de impureza, muitas pessoas pensam: “Se é um pecado mortal, então eu não quero. Mas se for só pecado venial, então não quero perder!”. Precisamos deixar de lado essa idéia minimalista que se foca em “até onde podemos ir sem ofender a Deus”. Mesmo o menor pecado divide, enquanto a pureza faz nascer o verdadeiro amor. Elizabeth Elliot escreveu em seu livro Passion and Purity: “Como posso falar de alguns beijos imprudentes para uma geração que cresceu sendo ensinada que quase todo mundo vai pra cama com todo mundo? Daqueles que vagueiam no mar da permissividade e dos excessos, será que existe alguém que ainda olhe para o céu em busca do farol da pureza? Se eu não acreditasse que existe alguém assim, sequer me importaria em escrever.

Portanto, o beijo de língua provoca o corpo com desejos que não podem ser moralmente satisfeitos fora do casamento. Para o casal que está guardando o sexo para o casamento, o beijo de língua é como um garoto de quinze anos sentado no carro, na saída da garagem, só acelerando o carro estacionado, porque sabe que não tem carteira de motorista.
Eu acredito que o problema moral com beijo de língua é mais difícil de ser entendido pelas garotas, porque elas tendem a se excitar sexualmente de uma maneira mais gradual do que os rapazes. Se a excitação de uma mulher pode ser comparada com um ferro de passar esquentando pouco a pouco, a de um rapaz poderia ser comparada com o acender quase instantâneo de uma lâmpada elétrica. As reações sensuais em um rapaz tendem a ser mais imediatas, e quando a chama da excitação sexual se acende, um homem geralmente quer ir além [...]
Pense em guardar a paixão ardente para seu esposo ou esposa. Não apenas sua pureza será um dom e presente para seu cônjuge, ela vai fazer a afeição dele ou dela mais única para você também. No longo prazo isso vai unir os dois muito mais do que todas as “experiências” que o mundo recomenda que você tenha antes de se casar.

Pe. Luiz Carlos Lodi: [6] Alguns jovens, ridículos, dizem: “padre isso aqui é bom, mas está muito difícil, eu acho que não dá para fazer exatamente como está aqui, não, namorar desse jeito, ninguém agüenta…” Então, eles propõem um jeitinho, ao invés de não beijar a gente vai beijar rapidinho, ou então a gente vai beijar encostando só os lábios, mas não a língua, mas qual a distância entre os lábios e a língua? Um milímetro? Ou então “nós vamos beijar poucas vezes”. Tudo isso é ridículo. Se vocês já foram a um posto de combustível, seja ele de gasolina ou álcool, vocês não viram e eu também nunca vi, algum tipo de placa escrito assim: “fume pouco, acenda faíscas em outro lugar, produza poucas centelhas”, ridículo, ou você não fuma ou você já joga logo fogo em cima da gasolina, ou você não produz nenhuma centelha ou então você causa logo a explosão! Com o fogo não se brinca! Com o instinto que Deus colocou em nós, mas que é explosivo como o fogo e que é incendiário como a gasolina nós não podemos brincar. Namorados que querem fazer isso eu digo, sejam coerentes, se vocês querem fazer isso entreguem-se de uma vez à fornicação, se não querem fornicar, tratem de namorar de maneira correta! [...] O amor não se prova com abraço, não se prova com beijo, não se prova pela relação sexual, os animais também fazem isso e eles não se amam.
Como dito no início, é imprescindível a leitura do complemento destes textos, seus link’s estarão indicados no final da postagem. Passemos a mais alguns pontos que são de bom senso sobre o assunto, reflita sobre cada um, verá que fazem muito sentido.
Uma pessoa pediu ao Prof. Felipe Aquino [7] um conselho para se precaver e não cair no pecado da masturbação, entre outras coisas o professor respondeu que a pessoa não deve permanecer em situações que "mexam" com a sua imaginação, que não deve ficar observando situações que lhe provoquem a libido, dentre essas situações ele acentuou que as pessoas não devem ficar observando casais se beijando, principalmente em filmes, novelas e afins, pois isso é um estímulo a esses pensamentos.

Concordamos que o que ele disse faz muito sentido, qualquer um sabe que isso é uma realidade, disso deduzimos: Um casal sabe que olhar os outros se beijando é perigoso por causa do estímulo, agora imagine então o que acontece se o próprio casal se beijar? Se o olhar já os coloca em perigo de pecar, o que acontece se o próprio casal realizar um ato igual? Na sua consciência você já sabe a resposta.

Como foi dito, os beijos íntimos são uma preparação para a relação sexual, isso se liga a outro ponto que as pessoas não param para pensar, todo casal que caiu no pecado do sexo antes do matrimônio estava se beijando antes de ter a relação, é praticamente impossível imaginar que um casal que namore somente de mãos dadas de repente “pule” para uma relação sexual. Então, só o fato de serem praticamente nulas as chances de um casal que namore sem estes beijos íntimos cair no pecado da fornicação já faz que este tipo de namoro seja infinitamente mais agradável a Deus do que o namoro com beijo.

Outro ponto, talvez o mais importante, nada melhor do que observarmos a vida dos santos, seus exemplos nos arrastam a Cristo e são neles que devemos nos espelhar. E tivemos uma santa de nossos tempos que viveu a vocação matrimonial, e obviamente passou pelo tempo de namoro antes de se casar, por isso podemos te-la como grande exemplo, é Santa Gianna Molla. Agora, reflitamos com seriedade, será que ela e seu namorado – e futuro esposo – o Sr. Pietro Molla tiveram um namoro com beijos íntimos? Você sabe que não tiveram, seja sincero consigo mesmo, você não imaginaria uma santa com este comportamento.

Santa Gianna e seu esposo Pietro
 Então, você quer mesmo viver um namoro santo? Está na hora de se perguntar se realmente você quer um namoro casto, que agrade a Deus, ou um namoro que somente satisfaça seus prazeres. Santa Gianna disse: "Se na realização de nossa vocação devêssemos morrer, seria esse o dia mais bonito da nossa vida!".[8] Se o sentido do namoro é a preparação para o matrimônio e sabendo que a vida matrimonial irá requerer inúmeros sacrifícios e grandes responsabilidades, só estará preparado para o casamento aqueles que estão abertos a sacrifícios deste o tempo de namoro, ainda mais quando é pro bem de si mesmo e do outro como é deixar de ter esses beijos íntimos. Quem ama de verdade não faz algo que coloque o outro em perigo de pecar.

Dois outros questionamentos comumente vistos: E se o outro não quiser um namoro assim? Não namore, o amor se prova com sacrifícios e pela fidelidade aos mandamentos de Deus em primeiro lugar, se você já percebeu que uma coisa é agradável a Deus mas o outro não quer viver aquilo não é bom sinal, é claro que todos podem se converter, mas é algo para ser muito bem refletido, pois relacionamentos são situações que mudam nossa vida por completo, e a pior conseqüência de um relacionamento ruim é nos afastar de Deus. Há uma situação inversa que mostra como este sacrifício é um bom sinal, se um casal está se conhecendo e um deles diz que se vierem a namorar quer que tenham um namoro sem beijos íntimos, se o outro aceita é um grande sinal de que este está interessado no outro como pessoa por completo e não somente em possíveis prazeres, isto é uma verdadeira prova de amor, este primeiro sacrifício pelo outro mostra que ele está aberto aos grandes sacrifícios que possam vir no futuro.

Mas é claro, as coisas não podem ficar só nas promessas ou no empenho em viver esses bons valores somente no início do namoro, as tentações são fortes e qualquer um pode cair, devemos antes contar com a graça de Deus, ter uma vida de oração e freqüência aos sacramentos, principalmente da Eucaristia e da Confissão, sem a graça de Deus de nada adianta nossa luta. Aos que já namoram e perceberam que devem mudar o comportamento essa é a hora ideal para isso, apresente ao seu namorado (a) estes textos dos autores indicados acima, será de grande ajuda para o entendimento.

Mas vão zombar de mim! Sim, vão, mas zombaram até de Nosso Senhor, sempre zombarão dos que buscam o bem, e quando vier aquela sensação de desistência por te criticarem, seja forte, lembre-se que você é um filho de Deus e não do mundo: "Se alguém zomba de você ser casto, saiba que é o fraco que está zombando do forte, que é o derrotado que está zombando do vencedor. É por que ele não consegue fazer o que você faz que ele está zombando de você. Mas você não tem que sentir vergonha de ser casto, por que Jesus foi casto, Maria Santíssima, São José, São João Batista, São João Evangelista, São Paulo, eles nos ensinaram a virtude da castidade por que ela é maravilhosa, estamos seguindo os passos deles." Pe. Luíz Carlos Lodi

Para terminar, respondendo a pergunta do título da postagem: Osbeijos íntimos” no namoro são pecado? Sim, são pecado. Creio que depois dessas reflexões acima você percebeu que este tipo de manifestação é própria dos casados, pois é uma preparação para a relação sexual, e quando é praticado pelos não casados torna-se uma ofensa a Deus, ao outro e consequentemente a si mesmo, como foi dito, o pecado é  “falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens.”, o pecado nos afasta de Deus e torna nossa vida triste e sem sentido, sempre houve pessoas que se arrependeram de viver uma vida impura mas nunca houve uma que se arrependeu de viver uma vida casta, pois uma vida assim tem sacrifícios, mas é feliz. Pense nisto,  de agora em diante todas as vezes em que você estiver em alguma situação em que surja este assunto lembre-se destas reflexões mostradas na postagem.

Esta citação a frente mostra o que é verdadeiramente um namoro cristão, e que é neste tipo de namoro que devemos nos espelhar, pois é somente  de um namoro casto que nasce um casamento forte, íntegro e feliz! “Dias antes do seu Matrimônio Santa Gianna escreveu ao futuro marido: "Você não acha interessante fazermos um tríduo para nos prepararmos espiritualmente antes do casamento? Nos dias 21, 22 e 23, Santa Missa e Comunhão, você em Ponte Nuovo, eu no Santuário de Nossa Senhora da Assunção. A Senhora acolherá as nossas preces e desejos e, porque a união faz a força, Jesus não poderá deixar de escutar-nos e ajudar-nos." [9]

Peçamos a Virgem Santíssima, Rainha da Pureza, e seu Castíssimo Esposo São José que roguem a Deus por nós para que vivamos uma vida casta e pura, nos caminhos que Ele designou para nós.

Grifos nossos


Referências:
[4] Pe. Thomas Morrow – Autor do conceituado livro “Namoro cristão em um mundo supersexualizado. O complemento de seu texto pode ser lido acessando este link: Sobre beijos no tempo de namoro”.

[5] Jason Evert - é um autor e palestrante sobre castidade, tem seus livros e artigos muito difundidos em vários site sobre o assunto, também fundou o Projeto Chastity, uma organização que dá suporte a adolescentes que querem viver a castidade. Ele é Mestre em Teologia pela Universidade Franciscana de Steubenville. Acesse complemento de seu texto através deste link: "E o beijo de língua? Está tudo bem? Todo mundo me diz uma coisa diferente."

[6] Pe. Luiz Carlos Lodi - é presidente do Movimento Pró-Vida de Anápolis-GO que tem a finalidade de promover a dignidade e a inviolabilidade da vida humana e da família e defender tais valores contra os atentados de particulares ou dos poderes públicos. Acesse complemento de seu texto através deste link: "Namoro Santo à luz da Consagração à Imaculada."

[7] Programa "Pergunte e Responderemos", TV Canção Nova - 07/12/12

Mais alguns textos sobre namoro cristão:

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Conselhos sobre discrição


por São Josemaria Escrivá

● De calar não te arrependerás nunca; de falar, muitas vezes.

● Como te atreves a recomendar que guardem segredo..., se essa advertência é sinal de que tu não o soubeste guardar.

● Discrição não é mistério nem segredo. É simplesmente, naturalidade.

● Discrição é... delicadeza. – Não sentes certa inquietação, um mal-estar íntimo, quando os assuntos – nobres e correntes – da tua família saem do calor do lar a indiferença ou para a curiosidade da praça pública?

● Não exibas facilmente a intimidade do teu apostolado. Não vês que o mundo está cheio de incompreensões egoístas?

● Cala-te. Não esqueças que o teu ideal é como uma luzinha recém-acesa. – Pode bastar um sopro para apagá-la em teu coração.

● Como é fecundo o silêncio! – Todas as energias que perdes, com as tuas faltas de discrição, são energias que subtrais à eficácia do teu trabalho.
            - Sê discreto.

● Se fosses mais discreto, não te lamentarias interiormente desse mau sabor na boca que te faz sofrer depois de muitas das tuas conversas.

● Não pretendas que te “compreendam”. – Essa incompreensão é providencial: para que o teu sacrifício passe desapercebido.

● Se te calares, conseguirás mais eficácia em teus empreendimentos apostólicos – a quantos não lhes foge “a força” pela boca! – evitarás muitos perigos de vanglória.

● Sempre o espetáculo! – Vens pedir-me fotografias, gráficos, estatísticas.
            -- Não te envio esse material, porque (parece-me muito respeitável a opinião contrária) depois havia de pensar que o trabalho para me empoleirar na terra..., e onde eu quero empoleirar-me é no Céu.

● Há muita gente – santa – que não entende o teu caminho. – Não te empenhes em fazer que o compreendam; perderás o tempo e darás lugar a indiscrições.

● “Não se pode ser raiz e copa, se não se é seiva, espírito, coisa que vai por dentro”.
            -- Aquele teu amigo que escreveu estas palavras sabia que eras nobremente ambicioso. – E te ensinou o caminho: a discrição, o sacrifício, ir por dentro!

● Discrição, virtude de poucos. – Quem caluniou a mulher dizendo que a discrição não é virtude de mulheres?

 Que exemplo de discrição nos dá a Mãe de Deus! Nem a São José comunica o mistério.
            -- Pede à Senhora a discrição que te falta.


● Nunca te encarecerei suficientemente a importância da discrição.
            -- Se não é o gume da tua arma de combate, dir-te-ei que é a empunhadura.

● Cala-te sempre que sintas dentro de ti o referver da indignação. – Ainda que estejas justissimamente irado.

São Josemaria Escrivá - Caminho, pontos nº 639 a 656, Ed.Quadrante, São Paulo, SP. 

P.S.: Acesse aos links marcados em alguns pontos, eles redirecionam para artigos sobre estes assuntos.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Por que ser sacerdote?

por Pe. Gaspar Pelegrini
Reitor do Seminário da Imaculada Conceição - Administração Apostólica São João Maria Vianney, Campos-RJ

Por que?

Legenda do vídeo na postagem original:
"Vídeo Vocacional da Administração Apostólica P. S. João Maria Vianney. Por que ser sacerdote? Os seminaristas da Administração Apostólica respondem a esta pergunta. O vídeo é ilustrado com lindas imagens do Seminário da Imaculada Conceição e termina com um pedido de ajuda para a construção do Seminário."


Quem é o Padre?

Legenda do vídeo na postagem original:
"Todo sacerdote é tomado dentre os homens e constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus".(Hb, 5, 1)
Homilia do Pe. Gaspar Pelegrini na Primeira Missa Solene do Pe. Rafael Rodrigo Scolaro, celebrada em Catedral Ucraniana de Curitiba. 24 de março de 2013.




sábado, 6 de abril de 2013

Os 3 tipos de feministas


"A sociedade moderna está mergulhada no conceito de igualdadeCada vez mais luta-se para equiparar o homem à mulher e vice-versa. Se a igualdade pretendida fosse em relação aos direitos civis, cuja necessidade é inegável, não seria, de fato, um problema. Porém, o que acontece é que esta sociedade moderna, eivada do relativismo cultural, quer é transformar a mulher no novo homem e o homem na nova mulher, invertendo e pervertendo os valores mais elementares [...] A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se vêem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é  destruir a essência da mulher." Pe. Paulo Ricardo de Azevedo [1]

Do mesmo modo que o termo Revolução nos é ensinado como sendo algo bom, também acontece com o Feminismo, ainda mais porque ele é um dos monstros nascidos da mentalidade revolucionária, mas como foi dito na frase introdutória, o feminismo é um grande mau que ao invés de libertar as mulheres as aprisionou, por afastá-las de sua própria essência, que é a maternidade. Toda mulher nasce para ser mãe, biológica e espiritual, (as que têm vocação para vida religiosa serão somente mães espirituais), daí que a principal característica feminina seja a maternidade, a mulher se preenche quando serve a Deus através do dom da maternidade, sendo assim o grande padrão para se observar o nível de feminismo numa mulher é sua recusa as graças e sacrifícios necessários para ser uma boa mãe. Como também há muitos homens que apóiam o feminismo, eles se encaixam nestes tipos na medida em que apóiam os mesmos.

Nesta presente postagem vamos tentar elencar os 3 tipos básicos de feministas, sim, existem vários tipos, várias nuances de como o feminismo impregnou a mentalidade de nossa sociedade. É até fácil verificar onde há aquele clássico tipo de feminista militante, mas há outros tipos que fazem tanto mau quanto este, mas que se manifestam de formas mais sutis e pouco perceptíveis, e este é o propósito desta postagem, além de denunciar os males mais claros do feminismo para ajudar aqueles que já o combatem, também servir de alerta para aqueles que possam estar vivendo estes contra-valores ou convivendo com pessoas que o vivem, ambos o vivendo muitas vezes sem perceber por terem sido "doutrinados" pelo ambiente em que vivem.

Como disse, existem várias nuances e níveis de comportamento que irão variar, pode ser que uma mulher tenha trejeitos de tipos diferentes, mas, existem 3 tipos básicos de feministas, a radical, a narcisista e a enrustida, como a radical é a mais fácil de ser detectada não adentraremos tanto na descrição mas deixaremos ótimos link's de estudo sobre o assunto. As outras duas sim adentraremos mais, pois isto é um assunto pouco falado, são tipos de feminismos "maquiados", onde a mulher não expressa publicamente sua adesão ao feminismo, mas internamente concorda com uma grande parte dos valores feministas, principalmente no que tange a vida familiar, no como exercer suas funções de mãe e esposa. Então, vamos aos tipos:

1º Tipo: A feminista radical: Ela tem um certo conhecimento teórico sobre o feminismo, é engajada em militância, principalmente em movimentos pró-aborto e homossexualismo, chama de machista e patriarcal tudo o que é contrário a visão dela. Quanto a religião, são ateias ou agnósticas confessas, ou seguem essas religiões orientais, tem horror ao cristianismo, no máximo se aproximam de movimentos que tiveram influência marxista, e isso tudo no fundo as torna ateias na prática. Se envolvem em relacionamentos homossexuais ou com algum homem sem personalidade que acredita no feminismo, suas vestes nunca lembram feminilidade, sempre estão vestidas com roupas vulgares ou masculinizadas. Esse tipo tem os traços muito bem marcados, deixarei aqui alguns links que serão de grande ajuda no aprofundamento da questão: "Feminismo: O grade inimigo das mulheres", “Satanás, aborto e feminismo”,Feminismo e o ódio ao feminino” e “As novelas e a engenharia social”, todos do Pe. Paulo Ricardo.

2º Tipo: A feminista narcisista: Usamos o termo "narcisista" pois uma característica básica deste tipo é a vaidade exacerbada, um hedonismo muito latente. Esse tipo difere um pouco da radical no que tange a fazer militância, até chega a professar ser contra alguns valores morais mas nunca tão abertamente, para exemplificar isto, em ambientes "fechados" este tipo diz ser a favor do uso de anticoncepcionais, sexo antes do casamento, homossexualismo, entre outras coisas, mas você nunca a verá fazer militância, se alguém a contradizer não se defenderá,  virá logo com aquela clássica desculpa "essa é minha opinião, e cada um tem a sua."

Quanto à religião, ela não se interessa, não busca uma vida pautada na fé ou mesmo quando está em ambientes cristãos busca inventar pra si mesmo um "cristianismo light", acredita muito nessas coisas de religiões orientais tipo cristais, mantras, yoga, etc. e também em outros tipos de superstições. Seus relacionamentos são normalmente sem intenção de compromisso, daquele tipo que pensa "o bom é curtir o momento". Buscam homens de personalidade fraca para se relacionarem, pois assim é mais fácil delas os controlarem (mais abaixo - como complemento do texto - mostraremos como a agressividade e um senso de controle ditatorial da relação são uma marca típica do feminismo em todos os níveis), casam-se já com aqueles pensamentos do tipo: "quero ser independente do meu marido" e "se der errado a gente se divorcia", mesmo quando tem filhos ainda estão pouco abertas ao dom da maternidade, tratando os filhos mais como um peso na vida do que como um dom, como exemplo disto, relegam facilmente a educação dos filhos a terceiros por causa de uma carreira profissional, não são abertas a terem mais filhos por causa desta carreira ou por causa da vaidade em manter o corpo "em forma", esta vaidade também as faz ser do tipo que não se importa nem um pouco em vestir-se modestamente.
 Mas este abrir mão da própria essência feminina custa-lhes muito caro, como diz o Pe. Paulo Ricardo: "O que se vê são cada vez mais mulheres frustradas, depressivas, olhando para trás e percebendo que estão vazias, correndo contra o tempo para manterem-se jovens, pois nada mais têm a oferecer que não o invólucro" [2],  e todos sabemos que isso é verdade, quantas situações semelhantes a esta afirmação vemos a nossa volta.

3º tipo: A feminista enrustida: Este com certeza é o tipo mais sutil de se identificar, basicamente podemos defini-la como aquele tipo de mulher que diz querer viver bons valores, mas que na prática compartilha de uma boa parte de valores feministas, principalmente quanto aos deveres de mãe e esposa. Ela nunca defenderá coisas horrendas como aborto e homossexualismo, não estará tão tendente ao hedonismo, apesar de que muitas vezes o que a impede de exercer bem suas funções seja um grande apego a vaidade. Na vida de fé usa a sua suposta busca por virtudes para maquiar sua pusilanimidade, não quer que os outros a julguem como uma "mulher sem virtudes" por isso diz praticar algumas, aliás, ela faz de tudo para mostrar aos outros as virtudes que pratica, mas também não faz quase nada acima da média para melhorar, diz prezar pelo pudor e modéstia no vestir, mas essa modéstia só se vê num ambiente de igreja (e olhe lá), no dia-a-dia veste-se sensualmente como as outras.
Tenta passar uma imagem de moça modesta mas não tem freios na língua, vive discutindo, não é nada discreta, e sabemos que a modéstia não passa somente pelo modo de vestir-se mas num completo modo de portar-se, discrição foi e sempre será uma característica básica para a mulher ser modesta. E pior, muitas vezes as vemos com um palavreado chulo, a mulher sempre foi símbolo de pureza e beleza, e ver uma mulher dizendo uma palavra chula é como ver uma rosa encharcada de lama, é o que há de mais belo na criação misturado com as mais baixas torpezas, como dizia Drª Alice Von Hildebrand: “A mulher é, de um modo muito particular, a guardiã da pureza, e no mundo no qual vivemos, o mundo das perversões e desastres sexuais, talvez possamos dizer que isso ocorre porque as mulheres falharam em sua missão em defesa da pureza.” [3]
Elas tem uma tendência a relacionarem-se com homens sem personalidade - pelo mesmo motivo das outras, de poder os controlar - a diferença é que essa faz isso de modo velado, dizem estarem abertas a viverem certos valores, como a submissão ao marido e a dedicação total ao trabalho doméstico, por exemplo, mas somente para serem elogiadas como sendo mulheres virtuosas, e o sinal claro disso é uma intensa reclamação dos pesares que que estes sacrifícios trazem.

Para complementar a descrição deste terceiro tipo, volto a uma explicação que prometi no início, e que esta serve também de complementação do texto inteiro e para melhor entendimento de todo o conteúdo, é a relação dessas mulheres com os homens e a agressividade que elas usam muitas vezes nessa relação, já que a feminilidade se completa no exercício da maternidade, e conseqüentemente no seu papel de esposa, é óbvio que isso tudo também tem que passar pelo modo como ela se relaciona com o marido, ou em níveis anteriores, com o namorado. Seu modo de agir mostra muito da sua personalidade, mesmo que aparentemente as coisas estejam veladas, não há verdade que não venha a tona.

Como devem ter reparado no texto, e creio que a partir desta leitura vocês começaram a reparar isto no dia-a-dia, este tipo de mulheres gosta de se relacionar com homens sem personalidade, fracos, e qual é o motivo? Para poderem manipulá-los, esses 3 tipos acima são de mulheres que precisam se converter, vivem uma vida egoísta onde querem ser o centro do universo em qualquer situação, e este tipo de pessoa tem uma tendência controladora. 

Essa agressividade e pretensa superioridade é uma característica típica feminista, numa sociedade cristã as mulheres sempre ficaram protegidas quanto a não cair nestes excessos pois todo o ambiente lhes lembrava das virtudes que deveriam viver, mas na sociedade pós revolução cultural marxista esse véu de proteção foi rasgado, não há nada para frear seus excessos, podemos dizer que o feminismo é a emancipação dos excessos femininos, o que era tido como comportamento vicioso e temporário agora é tido como algo normal do comportamento feminino.

É claro que as pessoas tem seus momentos onde ficam mais nervosas, precisam desabafar, mas deixar que essa agressividade torne-se parte inerente da personalidade é destrutivo para a própria pessoa e as que convivem com ela, pois é da natureza feminina a ternura e a afabilidade, são essas características que sempre as tornaram fortes, uma pessoa terna resiste muito mais aos revezes da vida do que uma pessoa "estourada", e isso cada um de nós já deve ter presenciado.

Se essas mulheres – de todos os 3 tipos - não se converterem terão uma grande chance de terem relacionamentos destrutivos, por dois motivos, o primeiro, é natural que o homem tenha um temperamento mais forte - digo forte, mas não o uso da brutalidade, uma força necessária porque será o principal condutor da família - como exemplo, o Pe. Padre Paulo Ricardo fala disso na vídeo-aula sobre a masculinidade [4], onde coloca que as 3 características básicas da masculinidade são que o homem seja provedor, mestre e protetor, e para exercer isto ele tem que usar essa força latente na masculinidade, então, se o homem já tem um temperamento naturalmente forte e a mulher tem um comportamento agressivo a tendência é que batam de frente a toda a hora.

O outro motivo, é quando - ao contrário - o homem é muito fraco, quantos casais a gente vê assim, uma mulher mandona e o homem meio alienado, digo que isso pode causar um relacionamento frustrado porque o homem que se comporta assim não vai exercer bem suas características masculinas, principalmente a de mestre e protetor, quando ele precisar ser forte para proteger a família, ou precisar ser o mestre – como principalmente na disciplina da educação dos filhos – ele não conseguirá, e isso atrapalhará o equilíbrio da família. Quanto mais as mulheres quiserem serem mandonas mais moldarão homens fracos, e isso já vem desde a família, um filho que cresce com a mãe dando as ordens da casa tem uma grande tendência a ser mais um homem fraco, ao contrário, quando as mulheres são ternas e exigem que os homens as protejam estão assim moldando homens fortes. Homem e mulher se complementam por cada um terem funções específicas dentro da relação, por mais que mentalidade moderna seja contra isto, uma família só será harmoniosa quando o homem é seu chefe e exerce bem esta função, por isso as feministas olham para um homem sério como o diabo olha pra cruz, porque sabem que eles lutarão pela restauração da ordem e não serão manipulados por estes sofismas feministas.

Outra coisa que mostra que para um relacionamento ser sadio homem e mulher devem exercer suas características naturais, é que a ternura é uma característica tipicamente feminina, enquanto a força é tipicamente masculina, a ternura feminina não deixará que a força masculina se torne brutalidade, e a força masculina não deixará que a ternura feminina se torne fraqueza, uma característica auxiliará a outra. Pe. Paulo Ricardo explica isso de uma maneira muito coerente: “Deus criou o homem e a mulher em igual dignidade, mas quis que houvesse uma diferença entre os dois gêneros. Esta diferença em "ser homem" e "ser mulher" faz com que exista uma complementaridade entre eles. Foram criados por Deus para formarem um conjunto, não um se sobrepondo ao outro, mas em perfeita sintonia um com outro. Lutar contra esse projeto, fazendo com que a mulher tente, por todos os meios, ocupar o lugar do homem é lutar diretamente contra o projeto de Deus, contra a natureza humana." [5]

Concluindo, espero que com essas diferenciações possamos ficar mais atentos a estes males difundidos pelo feminismo, refletirmos se nós mesmos não estamos vivendo estes contra-valores e também combatê-los, pois "só há real amor pelo bem quando se tem equivalente ódio pelo mal" [6]. Que as mulheres se atentem mais para não caírem nos perigos do feminismo seja em que nível for, que se abram a beleza da maternidade e que os homens também exerçam sua masculinidade com galhardia, sem se abrirem aos modismos deste mundo.

O feminismo está condenado ao fracasso, pois se baseia numa tentativa de revogar e reestruturar a natureza humana.” Phyllis Schlafly [7]

Peçamos a Virgem Santíssima, a Mulher que Deus dignificou sobre todas as criaturas, que sempre nos guarde de todas as ciladas do Inimigo e nos conduza ao seu Filho, que São Miguel Arcanjo envie todo este mal as profundezas do inferno, lugar de onde nunca deveria ter saído. Reze uma Ave-Maria pela conversão de todas essas pessoas.


Postagem atualizada em 13/03/2014, após reflexão vimos que alguns termos estavam inconvenientes e trocamos por outros melhores.

Referências: 
[1], [2] e [5] Pe. Paulo Ricardo de Azevedo – Texto introdutório do vídeo “Feminismo: O grande inimigo das mulheres.

[3] Drª Alice Von Hildebrand*, “A Missão Religiosa da Mulher”.  Clique aqui para ler. *Filósofa e Teóloga Católica. Suas obras incluem: “The Privilege of Being a Woman (O privilégio de Ser uma Mulher -2002)” e “The Soul of a Lion: The Life of Dietrich von Hildebrand” (A Alma de um Leão: A Vida de Dietrich von Hildebrand - 2000 - biografia de seu falecido marido)”.
[4] Pe. Paulo Ricardo de – Aula: “Masculinidade – O que está havendo com os homens
[6] Pe. Paulo Ricardo de Azevedo - Palestra "Terapia da Ira" - no Curso "Terapia das Doenças Espirituais - Clique aqui para ouvi-la
[7] Advogada, líder de movimentos pró-família nos EUA – Clique aqui
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