sábado, 6 de abril de 2013

Os 3 tipos de feministas


"A sociedade moderna está mergulhada no conceito de igualdade. Cada vez mais luta-se para equiparar o homem à mulher e vice-versa. Se a igualdade pretendida fosse em relação aos direitos civis, cuja necessidade é inegável, não seria, de fato, um problema. Porém, o que acontece é que esta sociedade moderna, eivada do relativismo cultural, quer é transformar a mulher no novo homem e o homem na nova mulher, invertendo e pervertendo os valores mais elementares [...] A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se vêem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é  destruir a essência da mulher." Pe. Paulo Ricardo de Azevedo [1]

Do mesmo modo que o termo Revolução nos é ensinado como sendo algo bom, também acontece com o Feminismo, ainda mais porque ele é um dos monstros nascidos da mentalidade revolucionária, mas como foi dito na frase introdutória, o feminismo é um grande mau que ao invés de libertar as mulheres as aprisionou, por afastá-las de sua própria essência, que é a maternidade. Toda mulher nasce para ser mãe, biológica e espiritual, (as que têm vocação para vida religiosa serão somente mães espirituais), daí que a principal característica feminina seja a maternidade, a mulher se preenche quando serve a Deus através do dom da maternidade, sendo assim o grande padrão para se observar o nível de feminismo numa mulher é sua recusa as graças e sacrifícios necessários para ser uma boa mãe. Como também há muitos homens que apóiam o feminismo, eles se encaixam nestes tipos na medida em que apóiam os mesmos.

Nesta presente postagem vamos tentar elencar os 3 tipos básicos de feministas, sim, existem vários tipos, várias nuances de como o feminismo impregnou a mentalidade de nossa sociedade. É até fácil verificar onde há aquele clássico tipo de feminista militante, mas há outros tipos que fazem tanto mau quanto este, mas que se manifestam de formas mais sutis e pouco perceptíveis, e este é o propósito desta postagem, além de denunciar os males mais claros do feminismo para ajudar aqueles que já o combatem, também servir de alerta para aqueles que possam estar vivendo estes contra-valores ou convivendo com pessoas que o vivem, ambos o vivendo muitas vezes sem perceber por terem sido "doutrinados" pelo ambiente em que vivem.

Como disse, existem várias nuances e níveis de comportamento que irão variar, pode ser que uma mulher tenha trejeitos de tipos diferentes, mas, existem 3 tipos básicos de feministas, a radical, a narcisista e a enrustida, como a radical é a mais fácil de ser detectada não adentraremos tanto na descrição mas deixaremos ótimos link's de estudo sobre o assunto. As outras duas sim adentraremos mais, pois isto é um assunto pouco falado, são tipos de feminismos "maquiados", onde a mulher não expressa publicamente sua adesão ao feminismo, mas internamente concorda com uma grande parte dos valores feministas, principalmente no que tange a vida familiar, no como exercer suas funções de mãe e esposa. Então, vamos aos tipos:

1º Tipo: A feminista radical: Ela tem um certo conhecimento teórico sobre o feminismo, é engajada em militância, principalmente em movimentos pró-aborto e homossexualismo, chama de machista e patriarcal tudo o que é contrário a visão dela. Quanto a religião, são ateias ou agnósticas confessas, ou seguem essas religiões orientais, tem horror ao cristianismo, no máximo se aproximam de movimentos que tiveram influência marxista, e isso tudo no fundo as torna ateias na prática. Se envolvem em relacionamentos homossexuais ou com algum homem sem personalidade que acredita no feminismo, suas vestes nunca lembram feminilidade, sempre estão vestidas com roupas vulgares ou masculinizadas. Esse tipo tem os traços muito bem marcados, deixarei aqui alguns links que serão de grande ajuda no aprofundamento da questão: "Feminismo: O grade inimigo das mulheres", “Satanás, aborto e feminismo”, “Feminismo e o ódio ao feminino” e “As novelas e a engenharia social”, todos do Pe. Paulo Ricardo.

2º Tipo: A feminista narcisista: Usamos o termo "narcisista" pois uma característica básica deste tipo é a vaidade exacerbada, um hedonismo muito latente. Esse tipo difere um pouco da radical no que tange a fazer militância, até chega a professar ser contra alguns valores morais mas nunca tão abertamente, para exemplificar isto, em ambientes "fechados" este tipo diz ser a favor do uso de anticoncepcionais, sexo antes do casamento, homossexualismo, entre outras coisas, mas você nunca a verá fazer militância, se alguém a contradizer não se defenderá,  virá logo com aquela clássica desculpa "essa é minha opinião, e cada um tem a sua."

Quanto à religião, ela não se interessa, não busca uma vida pautada na fé ou mesmo quando está em ambientes cristãos busca inventar pra si mesmo um "cristianismo light", acredita muito nessas coisas de religiões orientais tipo cristais, mantras, yoga, etc. e também em outros tipos de superstições. Seus relacionamentos são normalmente sem intenção de compromisso, daquele tipo que pensa "o bom é curtir o momento". Buscam homens de personalidade fraca para se relacionarem, pois assim é mais fácil delas os controlarem (mais abaixo - como complemento do texto - mostraremos como a agressividade e um senso de controle ditatorial da relação são uma marca típica do feminismo em todos os níveis), casam-se já com aqueles pensamentos do tipo: "quero ser independente do meu marido" e "se der errado a gente se divorcia", mesmo quando tem filhos ainda estão pouco abertas ao dom da maternidade, tratando os filhos mais como um peso na vida do que como um dom, como exemplo disto, relegam facilmente a educação dos filhos a terceiros por causa de uma carreira profissional, não são abertas a terem mais filhos por causa desta carreira ou por causa da vaidade em manter o corpo "em forma", esta vaidade também as faz ser do tipo que não se importa nem um pouco em vestir-se modestamente.
 Mas este abrir mão da própria essência feminina custa-lhes muito caro, como diz o Pe. Paulo Ricardo: "O que se vê são cada vez mais mulheres frustradas, depressivas, olhando para trás e percebendo que estão vazias, correndo contra o tempo para manterem-se jovens, pois nada mais têm a oferecer que não o invólucro" [2],  e todos sabemos que isso é verdade, quantas situações semelhantes a esta afirmação vemos a nossa volta.

3º tipo: A feminista enrustida: Este com certeza é o tipo mais sutil de se identificar, basicamente podemos defini-la como aquele tipo de mulher que diz querer viver bons valores, mas que na prática compartilha de uma boa parte de valores feministas, principalmente quanto aos deveres de mãe e esposa. Ela nunca defenderá coisas horrendas como aborto e homossexualismo, não estará tão tendente ao hedonismo, apesar de que muitas vezes o que a impede de exercer bem suas funções seja um grande apego a vaidade. Na vida de fé usa a sua suposta busca por virtudes para maquiar sua pusilanimidade, não quer que os outros a julguem como uma "mulher sem virtudes" por isso diz praticar algumas, aliás, ela faz de tudo para mostrar aos outros as virtudes que pratica, mas também não faz quase nada acima da média para melhorar, diz prezar pelo pudor e modéstia no vestir, mas essa modéstia só se vê num ambiente de igreja (e olhe lá), no dia-a-dia veste-se sensualmente como as outras.
Tenta passar uma imagem de moça modesta mas não tem freios na língua, vive discutindo, não é nada discreta, e sabemos que a modéstia não passa somente pelo modo de vestir-se mas num completo modo de portar-se, discrição foi e sempre será uma característica básica para a mulher ser modesta. E pior, muitas vezes as vemos com um palavreado chulo, a mulher sempre foi símbolo de pureza e beleza, e ver uma mulher dizendo uma palavra chula é como ver uma rosa encharcada de lama, é o que há de mais belo na criação misturado com as mais baixas torpezas, como dizia Drª Alice Von Hildebrand: “A mulher é, de um modo muito particular, a guardiã da pureza, e no mundo no qual vivemos, o mundo das perversões e desastres sexuais, talvez possamos dizer que isso ocorre porque as mulheres falharam em sua missão em defesa da pureza.” [3]
Elas tem uma tendência a relacionarem-se com homens sem personalidade - pelo mesmo motivo das outras, de poder os controlar - a diferença é que essa faz isso de modo velado, dizem estarem abertas a viverem certos valores, como a submissão ao marido e a dedicação total ao trabalho doméstico, por exemplo, mas somente para serem elogiadas como sendo mulheres virtuosas, e o sinal claro disso é uma intensa reclamação dos pesares que que estes sacrifícios trazem.

Para complementar a descrição deste terceiro tipo, volto a uma explicação que prometi no início, e que esta serve também de complementação do texto inteiro e para melhor entendimento de todo o conteúdo, é a relação dessas mulheres com os homens e a agressividade que elas usam muitas vezes nessa relação, já que a feminilidade se completa no exercício da maternidade, e conseqüentemente no seu papel de esposa, é óbvio que isso tudo também tem que passar pelo modo como ela se relaciona com o marido, ou em níveis anteriores, com o namorado. Seu modo de agir mostra muito da sua personalidade, mesmo que aparentemente as coisas estejam veladas, não há verdade que não venha a tona.

Como devem ter reparado no texto, e creio que a partir desta leitura vocês começaram a reparar isto no dia-a-dia, este tipo de mulheres gosta de se relacionar com homens sem personalidade, fracos, e qual é o motivo? Para poderem manipulá-los, esses 3 tipos acima são de mulheres que precisam se converter, vivem uma vida egoísta onde querem ser o centro do universo em qualquer situação, e este tipo de pessoa tem uma tendência controladora. 

Essa agressividade e pretensa superioridade é uma característica típica feminista, numa sociedade cristã as mulheres sempre ficaram protegidas quanto a não cair nestes excessos pois todo o ambiente lhes lembrava das virtudes que deveriam viver, mas na sociedade pós revolução cultural marxista esse véu de proteção foi rasgado, não há nada para frear seus excessos, podemos dizer que o feminismo é a emancipação dos excessos femininos, o que era tido como comportamento vicioso e temporário agora é tido como algo normal do comportamento feminino.

É claro que as pessoas tem seus momentos onde ficam mais nervosas, precisam desabafar, mas deixar que essa agressividade torne-se parte inerente da personalidade é destrutivo para a própria pessoa e as que convivem com ela, pois é da natureza feminina a ternura e a afabilidade, são essas características que sempre as tornaram fortes, uma pessoa terna resiste muito mais aos revezes da vida do que uma pessoa "estourada", e isso cada um de nós já deve ter presenciado.

Se essas mulheres – de todos os 3 tipos - não se converterem terão uma grande chance de terem relacionamentos destrutivos, por dois motivos, o primeiro, é natural que o homem tenha um temperamento mais forte - digo forte, mas não o uso da brutalidade, uma força necessária porque será o principal condutor da família - como exemplo, o Pe. Padre Paulo Ricardo fala disso na vídeo-aula sobre a masculinidade [4], onde coloca que as 3 características básicas da masculinidade são que o homem seja provedor, mestre e protetor, e para exercer isto ele tem que usar essa força latente na masculinidade, então, se o homem já tem um temperamento naturalmente forte e a mulher tem um comportamento agressivo a tendência é que batam de frente a toda a hora.

O outro motivo, é quando - ao contrário - o homem é muito fraco, quantos casais a gente vê assim, uma mulher mandona e o homem meio alienado, digo que isso pode causar um relacionamento frustrado porque o homem que se comporta assim não vai exercer bem suas características masculinas, principalmente a de mestre e protetor, quando ele precisar ser forte para proteger a família, ou precisar ser o mestre – como principalmente na disciplina da educação dos filhos – ele não conseguirá, e isso atrapalhará o equilíbrio da família. Quanto mais as mulheres quiserem serem mandonas mais moldarão homens fracos, e isso já vem desde a família, um filho que cresce com a mãe dando as ordens da casa tem uma grande tendência a ser mais um homem fraco, ao contrário, quando as mulheres são ternas e exigem que os homens as protejam estão assim moldando homens fortes. Homem e mulher se complementam por cada um terem funções específicas dentro da relação, por mais que mentalidade moderna seja contra isto, uma família só será harmoniosa quando o homem é seu chefe e exerce bem esta função, por isso as feministas olham para um homem sério como o diabo olha pra cruz, porque sabem que eles lutarão pela restauração da ordem e não serão manipulados por estes sofismas feministas.

Outra coisa que mostra que para um relacionamento ser sadio homem e mulher devem exercer suas características naturais, é que a ternura é uma característica tipicamente feminina, enquanto a força é tipicamente masculina, a ternura feminina não deixará que a força masculina se torne brutalidade, e a força masculina não deixará que a ternura feminina se torne fraqueza, uma característica auxiliará a outra. Pe. Paulo Ricardo explica isso de uma maneira muito coerente: “Deus criou o homem e a mulher em igual dignidade, mas quis que houvesse uma diferença entre os dois gêneros. Esta diferença em "ser homem" e "ser mulher" faz com que exista uma complementaridade entre eles. Foram criados por Deus para formarem um conjunto, não um se sobrepondo ao outro, mas em perfeita sintonia um com outro. Lutar contra esse projeto, fazendo com que a mulher tente, por todos os meios, ocupar o lugar do homem é lutar diretamente contra o projeto de Deus, contra a natureza humana." [5]

Concluindo, espero que com essas diferenciações possamos ficar mais atentos a estes males difundidos pelo feminismo, refletirmos se nós mesmos não estamos vivendo estes contra-valores e também combatê-los, pois "só há real amor pelo bem quando se tem equivalente ódio pelo mal" [6]. Que as mulheres se atentem mais para não caírem nos perigos do feminismo seja em que nível for, que se abram a beleza da maternidade e que os homens também exerçam sua masculinidade com galhardia, sem se abrirem aos modismos deste mundo.

“O feminismo está condenado ao fracasso, pois se baseia numa tentativa de revogar e reestruturar a natureza humana.” Phyllis Schlafly [7]

Peçamos a Virgem Santíssima, a Mulher que Deus dignificou sobre todas as criaturas, que sempre nos guarde de todas as ciladas do Inimigo e nos conduza ao seu Filho, que São Miguel Arcanjo envie todo este mal as profundezas do inferno, lugar de onde nunca deveria ter saído. Reze uma Ave-Maria pela conversão de todas essas pessoas.


Postagem atualizada em 13/03/2014, após reflexão vimos que alguns termos estavam inconvenientes e trocamos por outros melhores.

Referências: 
[1], [2] e [5] Pe. Paulo Ricardo de Azevedo – Texto introdutório do vídeo “Feminismo: O grande inimigo das mulheres.

[3] Drª Alice Von Hildebrand*, “A Missão Religiosa da Mulher”.  Clique aqui para ler. *Filósofa e Teóloga Católica. Suas obras incluem: “The Privilege of Being a Woman (O privilégio de Ser uma Mulher -2002)” e “The Soul of a Lion: The Life of Dietrich von Hildebrand” (A Alma de um Leão: A Vida de Dietrich von Hildebrand - 2000 - biografia de seu falecido marido)”.
[4] Pe. Paulo Ricardo de – Aula: “Masculinidade – O que está havendo com os homens”
[6] Pe. Paulo Ricardo de Azevedo - Palestra "Terapia da Ira" - no Curso "Terapia das Doenças Espirituais - Clique aqui para ouvi-la
[7] Advogada, líder de movimentos pró-família nos EUA – Clique aqui

terça-feira, 26 de março de 2013

Entendendo o amor - 5ª Parte


por Pe. Thomas Morrow 


Transcrição: Blog Mater Dei

Eros
            O quarto dos quatro amores é o eros ou paixão. Significa gostar muito, estar contente com alguém ou com alguma coisa. Às vezes, empregamos a palavra “gostar” para descrever os nossos sentimentos sobre um computador novo, um carrou um uma casa nova. “Gosto!” Na realidade, o que significa é que gostamos, mas não o suficiente para exclamar: “Gostei muitíssimo!” Em inglês, “love” - I love it” - chegou a ser superlativo de “like” - I like it -.
            No namoro, enamorar-se significa encaprichar-se: é uma atração emocional que parece incontrolável, embora não o seja. O papa João Paulo II sublinha-o nas suas palestras sobre a Teologia do Corpo: “Segundo Platão, eros representa a força interior que atrai o homem para todo o bem verdade e beleza...” [1] Assim, no nosso contexto, significa desejar profundamente o bem, a verdade e a beleza do outro. Este é os sentimento mais forte de atração, quase uma experiência mística: é estar “enamorado”.
            Ao contrário do que Freud ensinou erradamente, eros não é um mero desejo sexual, ainda que inclua a atração sexual. Diz respeito primordial à pessoa. Deseja-se possuir o conjunto da pessoa, não somente o corpo: neste sentido, é muito mais poderoso que a atração sexual.
            Qual é o propósito deste amor? O mais provável é que seja como um catalisador do matrimônio, que ajuda os namorados a vencer as dúvidas que pode suscitar o compromisso de um casamento para toda a vida.
            Com efeito, é provavelmente o primeiro aliciante para que as pessoas se casem, ainda que, como demonstram uma e outra vez os apaixonados de Hollywood, não seja o primeiro ingrediente para o êxito de um casamento. Lembro-me de ter ouvido uma atriz, de uns sessenta anos, dizer na televisão acerca do seu quarto casamento: – “Este é o meu autêntico amor. Este casamento durará porque o nosso amor é real”. Poucos anos depois, também este casamento tinha chegado ao fim...
            C.S. Lewis insiste num ponto que deveríamos ter bem presente: se você faz faz do eros um deus, este se converterá num demônio e destruí-lo-á. Eros é uma coisa maravilhosa, admirável, mas é finita; não é Deus. Imita a Deus na medida em que está muito acima de outros prazeres da terra: parece ser um deus, mas não o é. Só Deus é infinito, eterno, Eros não.
            Se você souber como é finito esse amor que imita a divindade, e compreender que não é forçoso entregar-se a ele, evitará muitas desgraças. Mas se entender o seu sentido e o compartilhar com seu cônjuge, será muito doce.
            Em qualquer relação, a paixão debilita-se invariavelmente, e isso por dois motivos. Primeiro, porque está chamada a crescer com o mistério, e o mistério desvanece com a habituação. Segundo, porque, enquanto amor humano, é limitada e tem de ser alimentada e sustentada pelo amor divino.  Se não está divinizada, morrerá como morre tudo que é meramente humano.
            Como se pode mantê-la viva – ainda que não como no dia do casamento – ao longo da vida conjugal? Em primeiro lugar, crescendo em graça e sabedoria, quer dizer, preservando certo mistério na relação. Segundo, pondo em prática o amor divino (ágape). É assim que a paixão, boa em si mesma, pode manter-se viva e a relação conservar um certo fascínio.
            A paixão pode exprimir-se por meio de palavras - “Estou apaixonado por você” - ou de atos. Mas que atos? Atos apaixonados para sentimentos apaixonados? Se aplicarmos este raciocínio a outros sentimentos, seriam necessários atos coléricos a outros sentimentos coléricos (por exemplo, atirando contra a parede uma ou das cadeiras, ou estilhaçando-os os vidros de umas quantas janelas), ou atos de ciúmes para sentimentos ciumentos (talvez um soco na boca). Naturalmente, os sentimentos devem ser manifestados, mas de um modo construtivo e sensato.
            Os atos apaixonados e a sua consequência natural – a relação sexual – são algo muito mais profundo que um sentimento. Simbolizam entrega, exclusividade, uma doação total, um amor tão rico que deseje dar lugar a uma nova vida com a qual compartilhar o amor.
            A manifestação física mais honesta da paixão é o carinho romântico. O modo de acariciar-se, de abraçar-se, de beijar-se, exprime uma pura gratidão e um deleite com a felicidade do outro, que me deu semelhante felicidade. Este é o modo cristão de exprimir o eros, despojado do egoísmo que mata o amor e divinizado pelo amor divino. E esta manifestação do eros, por estar divinizada, fará com que perdure.
            Na Eucaristia, vemos realizada a promessa contida no impulso natural da paixão: a de consumir o amado. Ao recebermos a Eucaristia, consumimos nosso Deus como Ele nos consome mais mais dentro da sua vida da graça, enquanto sinal de amor consumado que nos espera no seu Reino. A paixão é, pois, um sinal de fogo irreprimível com todo que todo o nosso ser arderá ante a mera visão de Deus.
            Por certo, a palavra eros não aparece no Novo Testamento, mas no Cântico do Cânticos, do Antigo Testamento. É a história do amor apaixonado entre Deus e o seu povo:

“Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço.
Como são deliciosas as tuas carícias, minha irmã, minha esposa! Mais deliciosos que o vinho são teus amores, e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas!
Teus lábios, ó esposa, destilam o mel; há mel e leite sob a tua língua. O perfume de tuas vestes é como o perfume do Líbano.
És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma fonte selada.
Teus rebentos são como um bosque de romãs com frutos deliciosos; com ligústica e nardo.”    Cântico dos Cânticos 4,9-13

            Como costumava dizer Fulton J.Sheen, “os homens prometem o que só Deus pode dar. E toda mulher promete o que só Deus pode dar”. Só quando uma pessoa compreende isto poderá fruir do eros sem converter-se em seu escravos.
            E, além disso, todos podemos conceber no coração um amor apaixonado por Deus aqui na terra. Ainda que seja uma ideia alheia à maioria dos cristãos, Santo Agostinho exprimia-se assim: “Tarde te amei, formosura tão antiga e tão nova, tarde te amei. Acontece que Tu estavas dentro de mim e eu fora. Andava á tua procura por fora e, como um monstro de fealdade, lançava-me sobre a beleza das criaturas. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Mantinham-me prisioneiro longe de ti aquelas coisas que, se não existissem em Ti, não existiriam. Chamaste-me, gritaste-me e rompeste a minha surdez. Relampejaste, resplandeceste e o teu resplendor dissipou a minha cegueira. Exalaste os teus perfumes, respirei fundo e suspiro por Ti. Saboreei-te, e morro de fome e sede. Tocaste-me, e ardo de desejos da tua paz.” [2]

Em resumo
            Cada um dos quatro tipos de amor tem o seu lugar nas nossas vidas. Os quatro são bons no lugar adequado. Só o amor ágape é divino e vivifica todos os outros. Os três amores humanos murcham e morrem no egoísmo se não estão animados pelo amor divino. Se, pela graça, o amor ágape se converte no tema dominante da vida, acontecem duas coisas. Em primeiro lugar, será capaz de unir-se a Deus e com os outros no amor. Nenhum prazer da terra poderá superar essas boas relações. Nenhuma outra coisa nos proporcionará essa felicidade perene, no namoro, no casamento ou no Céu.


Estes números referem-se as notas de roda-pé do livro:

[1] João Paulo II, Bem-aventurados os puros de coração. Isto opõe-se a ideia atual, de conotação freudiana, de que o amor não passa de mera atração sexual.

[2] Santo Agostinho, Confissões, 10,38

Pe. Thomas Morrow – “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante

Leia as outras partes deste texto acessando-as nestes link’s: Parte 1,Parte 2, Parte 3, Parte 4

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Entendendo o amor - 2ª Parte


por Pe. Thomas Morrow

Transcrição: Blog Mater Dei

Amor conjugal ou de eleição
            É uma das espécies de ágape. A forma agapao costuma ser usada ocasionalmente no Novo Testamento para referir-se a uma opção. Cristo disse: Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um desprezará o outro (Mt 6,24). Quer dizer, será preciso escolher entre um outro. Assim, há um amor que poderia chamar-se “amor de eleição” ou “ágape de eleição”. Este amor que devemos a Deus, porque Ele nos fez escolhê-lo acima de qualquer outro deus que pudéssemos fabricar. O amor a Deus deve ter quatro características:
-        perenidade: deve ser compromisso eterno;
-        exclusividade: não amaremos outra pessoa como amaremos a Deus, isto é, com todo o coração, toda a alma e toda a  mente;
-        publicidade: deveremos dar testemunho desse amor aos outros;
-        fecundidade: deverá dar fruto pela nossa participação na vida de Deus, na vida da graça.
           
            Ainda que este amor de eleição seja ímpar, o amor conjugal reflete essas quatros características como um espelho. Perenidade: deve ser uma entrega para toda a vida; exclusividade: cada um tem um só cônjuge; publicidade: os casais devem casar-se em cerimônia pública e dar a conhecer o seu compromisso vivendo-o diante dos outros; e fecundidade, no sentido de que se propõe gerar novas vidas [1]. O amor conjugal simboliza, pois, perante o mundo, o amor entre uma pessoa e Deus, que é também um amor esponsal [2].
            Embora o ágape conjugal ou de eleição possa exprimir-se por qualquer das maneiras em que o faz o ágape, há um modo particular de manifestá-lo: a comunhão dos corpos. Na relação com Deus, opera-se mediante a recepção da Eucaristia [3]. No caso dos esposos, através da relações conjugais.
            A intimidade sexual é o sinal físico, sagrado, do ágape conjugal do matrimônio e, como tal, possui as mesmas quatro características indicadas acima:

-        perenidade: o ato sexual pede os gritos um amanhã, isto é, exige que se realize no âmbito do compromisso matrimonial, por toda a vida, pois caso contrário reduz-se a um ato vazio, que produz apenas sentimentos de tristeza e asco.
-        exclusividade: nenhuma pessoa realmente apaixonada se sentiria à vontade se viesse a ter outro companheiro ou companheira de sexo.
-        publicidade: ainda que não se pratique o ato conjugal em público (graças a Deus), o marido e a esposa não escondem que dormem juntos.
-        fecundidade: o ato, pela sua própria natureza, está ordenado para a procriação de uma nova vida. Os filhos são o fruto do amor conjugal e dão testemunho desse amor por toda a eternidade.
           
            Por que há tanto prazer no sexo? A razão mais óbvia é porque estimula a propagação da raça humana. No entanto, esta não pode ser a única razão, já que o ato sexual e o prazer que o acompanha são bons e lícitos também durante as épocas em que a procriação é impossível (após a menopausa, durante os períodos inférteis ou no caso da esterilidade, por exemplo).
            Portanto, eu acrescentaria que o prazer sexual deve ser entendido também como um estímulo para a entrega e conservação do amor conjugal. O Concílio Vaticano II ensinou “que este [conjugal] exprime-se e aperfeiçoa-se singularmente mediante a ação própria do matrimônio. Por isso, os atos com que os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos, e, quando praticados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem o dom recíproco com que os dois se enriquecem mutuamente num clima de gozosa gratidão”. [4]
            A intimidade conjugal, pois, simboliza e favorece a amorosa e contínua entrega conjugal do marido e da mulher.
            A união sexual é culminância e fonte. É a culminância do compromisso da amorosa  entrega conjugal, e fonte de alento para conservar essa entrega.


Estes números indicam as notas de roda-pé do livro:

[1] Na Humanae Vitae, o Papa Paulo VI fala de determinadas características do amor conjugal: humano, pleno, fiel, exclusivo até a morte, e fecundo. Eu acrescento público, pois parece indicado neste estudo.

[2] Como está escrito em Is 62, 4-6

[3] A Eucaristia é evidentemente o coroamento do compromisso de amar a Deus sobre todas as coisas, e uma fonte de graças para manter este compromisso. Christopher West propõe uma analogia similar em Good News about Sex and Marriage: Answers tou Your Honest Questions About Catholic Teaching (“Boas notícias acerca do sexo e do casamento: respostas as suas perguntas honestas sobre o ensinamento católico”, Charis Books, Atlanta, 2000, 191 págs.): “Onde nos fazemos uma só carne com Cristo? Essencialmente na Eucaristia. A Eucaristia é a consumação sacramental do matrimônio entre Cristo e a Igreja. E quando recebemos e o corpo do Esposo celestial no nosso interior, concebemos tal como uma esposa, uma vida nova em nós: a autêntica vida de Deus”.

[4] Gaudium est Spes, 49.

Pe. Thomas Morrow – “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante

Leia as outras partes deste texto acessando-as nestes link’s: Parte 1, Parte 3, Parte 4, Parte 5

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Entendendo o amor - 3ª Parte


por Pe. Thomas Morrow


Transcrição: Blog Mater Dei

Amizade (Philía)
            Como define C.S. Lewis, a amizade (philía) é essencialmente uma relação baseada  na participação num interesse comum. Se duas pessoas compartilharem a mesma fé, as mesmas ideias relativas ao bem da sociedade, o mesmo gosto pela música, diversões, esportes ou interesses intelectuais, certamente haverão de sentir-se felizes passando o tempo juntas. Lewis diz com todo o acerto que, enquanto o eros é “um de frente para o outro”, a amizade é “um do lado do outro.” É preferível compartilhá-la com várias pessoas porque – explica ainda Lewis – há aspectos de Douglas que só John ou Don percebem; e Douglas descobre coisas em Don que John não capta. A phília pode ser cultivada ou pode  surgir espontaneamente. Além disso, pode dar-se entre pessoas de qualquer idade ou sexo.
            A chave para uma amizade duradoura é a moderação. Se colhemos uma flor com demasiada força, esmagamo-la, e se a abandonamos durante demasiado tempo, murcha. Devemos conservar os nossos amigos, mas não sufocá-los.
            Algumas amizades se desvanecem porque as pessoas mudam e seguem caminhos diferentes. Não é caso para nos lamentarmos, e sim para recordar esses amigos com simpatia e gratidão. Mas quando uma amizade aumenta e amadurece como o bom vinho, deve ser entesourada.
          
  Geralmente, os amigos contribuem para a mútua relação na mesma medida. No entanto, há ocasiões em que um ou outro podem ser incapazes de dar o mesmo. Neste caso, deve-se fazer presente o ágape, esse amor de doação que é o suporte de todos os amores. Um amigo está à disposição do seu amigo/a em caso de necessidade. Durante esse tempo, essa pessoa recebe do amigo mais do que a mera convicção de que a relação ultrapassa uma simples oportunidade de negócios. Assim, se converte numa imagem da nossa amizade com Deus.
            Santo Agostinho sustenta que a amizade é o mais elevado dos amores humanos. Que espécie de amor humano dever ser a mais importante no matrimônio? Aquela que leva a compartilhar a mesma fé, a mesma educação, os mesmos valores, as mesmas diversões, os mesmos gostos... É sobre essa base que se edifica um bom casamento, e sem ela pode fracassar. Que ele receba aulas de dança porque ela gosta de dançar, que ela acompanhe as notícias sobre o futebol porque ele gosta desse jogo – são modos de construir uma amizade pelo bem da doação amorosa na vida conjugal.
            Isto não significa que as pessoas casadas não possam fazer coisas separadamente, sem o esposa/a, mas, para reforçar os laços de amizade, deve haver muitas que realizem juntos.
            A amizade manifesta-se participando dos sentimentos do outro, da alegria que acompanha os êxitos, e se a amizade for profunda, da dor causada pelos fracassos. Isto envolve riscos e mesmo feridas, mas esse é o preço que merece uma verdadeira amizade.
            Num casal, a amizade deve ser profunda e cheia de confiança mútua, porque só assim se chega a descobrir o que se tem em comum e a compartilhar os pensamentos mais íntimos, os sentimentos, esperanças e temores.
         
   Quando o cônjuge fala de coisas íntimas, o marido ou a mulher devem interessar-se pelo que diz. Se você abre o seu coração e ouve por única resposta: – “Onde vamos jantar amanhã?”, já sabe que existe algum problema: as palavras não fluem porque há algum tipo de rejeição. Cada qual deve respeitar e querer apoiar o outro. Como observa Neil Warren, quando se compartilham as coisas, há sempre atenção esmerada e uma autêntica franqueza.
            É por isso que os que têm os seus momentos de oração diária, os que se sentem bem com o silêncio e não precisam de ter continuamente ligados o rádio ou a televisão, os que leem – também livros de espiritualidade -, todos eles costumam estar melhor preparados para a intimidade do que aqueles que não o fazem. Este é mais um motivo para que a religião seja tão importante num futuro cônjuge. A religião – a prática da religião – ajuda a preparar as pessoas para a futura intimidade.
        
    Essa intimidade vê-se facilitada quando os dois se encontram sós num ambiente adequado – a um restaurante tranquilo ou um longo passeio na praia. Há também épocas de crise ou sensação de vazio que se prestam a uma conversa íntima. Os casais que tenham compartilhado as suas falhas e lutas alcançarão uma relação mais íntima que os que não tenham feito. Os namorados devem lançar as bases dessa amizade íntima antes de pensarem em casamento.
            Entre outras coisas mais importantes que um casal compartilha, encontra-se a educação dos filhos, e essa tarefa favorece sem dúvidas a amizade entre os cônjuges. Os filhos não devem ser considerados um obstáculo ao amor dos pais, mas um fortalecimento. É por isso que os casais não devem adiar o nascimento dos filhos, levados pelo argumento que é preciso “darmos um tempo para nos conhecermos melhor”, pois isso, no fundo, costuma significar “tempo para gozarmos da companhia mútua sem obstáculos”. Os filhos estimulam os pais a esse ágape de doação que é a fonte de toda a felicidade, e também á amizade, o maior dos amores humanos, como vimos. O amor que, sem uma razão importante, protela a vinda dos filhos, ainda que seja por pouco tempo, faz crescer o egoísmo, e nessa mesma medida se autodestrói.
            Alguns dos melhores casamentos começam pela amizade, não pelo namoro. Como afirma Joshua Harris em Boy Meets Girl [1], são muitos os jovens que optam por cultivar uma amizade com alguém de que gostam. Depois, se a amizade prospera, propõe o namoro. É um grande meio de evitar a tremenda pressão que exercem as saídas noturnas; essas saídas, atualmente, são mais uma preparação para o divórcio do que para o casamento [2].
            Que maravilhosa é a amizade! Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro [...]. Um amigo fiel é remédio de vida e imortalidade; quem teme o Senhor achará esse amigo (Ecli 6, 14-16)

Estes números correspondem a notas de rodapé no livro

[1] Joshua Harris, Boys Meets Girls: Say Hello to Courtship, Multnomah Books, Colorado Springs, Colorado, 2000. 240 págs.

[2] Ver Connie Marshner, “Contemporany Dating as Serial Monogamy” (O Namoro moderno como monogamia em série”), Homiletu and Pastoral Review, out. 1998, pág.18)

Pe. Thomas Morrow – “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante

Leia as outras partes deste texto acessando-as nestes link’s: Parte 1, Parte 2, Parte 4, Parte 5

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Entendendo o amor - 4ª Parte

por Pe. Thomas Morrow

Transcrição: Blog Mater Dei

Afeto (storgé)
            O afeto é designado às vezes como amor familiar, porque surge geralmente entre os membros da família. Mas também é da maior importância durante o namoro. É o carinho terno e delicado por alguém.
            O afeto entre um homem e uma mulher manifesta-se de muitos modos: um abraço, um leve beijo nos lábios [*], no rosto ou na testa; um sorriso carinhoso; um breve toque no braço, na mão ou no cabelo. Parece que o afeto saudável, desinteressado e casto, está em falta no nosso ambiente supersexualizado. Muitos perderam a arte do carinho.
            Todos temos necessidade de afeto, de um olhar carinhoso, de uma palavra cálida. É o carinho que existe entre pai e filho, entre uma mulher e o seu marido, entre uma moça e sua melhor amiga. Um gesto afetuoso no lugar adequado, no momento oportuno, é um belo modo de comunicar o amor, ás vezes o único.
            Anos atrás, Ann Landers fez uma pesquisa entre as suas leitoras casadas, perguntaram-lhes se preferiam ser acariciadas a ter relações sexuais. Cerca de 70% disseram preferir as carícias. Não acho que fosse por não gostarem de praticar sexo, mas por haver muito tempo que ninguém as abraçava.
            Muitas mulheres casadas costumam dizer que tudo o que os maridos querem é ter relações sexuais. Quando lhes pergunto se fizeram sexo antes do casamento, a inevitável resposta é “sim”. Essa é a raiz do problema. São casais que nunca desenvolveram o costume de compartilhar o carinho juntos. Quando um homem se deitou com a esposa antes do casamento, costuma considerar os beijos e as carícias como uma mera introdução ao ato sexual. As mulheres devem fazer com que o marido compreenda a importância do carinho. Marido e mulher devem ser capazes de acariciar-se, de abraçar-se, de beijar e ser beijados sem que seja o prelúdio de um ato sexual. O carinho é uma linguagem importante do amor, uma linguagem que se deve aprender bem durante o namoro.    
            Quando se fala de castidade num contexto religioso, é freqüente que mal se mencionem as manifestações de afeto. É por isso que os jovens estão confusos, e com toda razão, sobre o que é aceitável e o que não é. Costumamos falar do que não se deve fazer, sem propor o que o que se deve fazer.
            
Um jovem de uns trinta anos procurou-me depois de um dos nossos seminários sobre “O namoro cristão num mundo supersexualizado” e perguntou-me: “- Muito bem, como deveria então despedir-me da minha namorada?”
            Respondi-lhe: “Bem, você poderia passar a mão pelo seu rosto, aproximar-se dela muito devagar e beijá-la suavemente. Uma vez. Duas. Depois, dar-lhe um grande abraço, lento, apertando a sua face contra a dela como modo de manifestar os seus ternos sentimentos por ela. A seguir, talvez possa dizer algo como: < Por fim, desejar-lhe uma boa noite e beijá-la mais uma vez, lenta e carinhosamente, como se temesse quebrá-la se não tomar cuidado”.
-- “É, não parece má idéia, padre”. Ele respondeu.
Existe carinho mais romântico que o de um beijo de despedida ou de saudação? De modo algum. Se um rapaz e uma moça já saem há algum tempo, ele, quando chega para levá-la a passeio, deveria dar-lhe um abraço e um beijo breve, mas terno, na face. Enquanto caminham, deveria beijar-lhe a mão de vez em quando, tocar-lhe o rosto ou a mão em algum momento. Algumas vezes, deveria passar-lhe o braço por cima do ombro ou acariciar-lhe o cabelo. Os abraços pausados, carinhosos, são atos que simbolizam poderosamente a união.
A moça deveria ser capaz de mostrar também ao rapaz o seu carinho, especialmente se ele lhe deu motivos para confiar no seu amor por ela. Poderia apoiar a cabeça no ombro dele enquanto vêem um filme, ou tocar-lhe suavemente a mão, ou beijá-lo carinhosamente na face. Outra possibilidade, quando passeiam juntos, seria tomar-lhe a mão pô-la ao redor de sua cintura, inclinando-se ligeiramente para ele.
Este deveria ser o limite das expressões físicas de amor no namoro. Imagine como seria saudável, espiritual e psicologicamente, se fosse esta a norma nos modos de manifestar o carinho.
Lembre-se: manifestar o afeto aos poucos costuma ser o modo de dar, respeitar e servir a pessoa amada. Apressar-se ou acariciar com maior intensidade costuma ser sinal de desejo, de autocomplacência e de egoísmo.

Liberdade na moderação
            Pois bem, para alguns isto supões um grande retrocesso. Mas é o único caminho realmente sadio. O problema está em que no nosso mundo ocidental adotamos uma atitude hedonista com relação ao prazer: “Se para mim é agradável, devo empanturrar-me disto.” Atualmente, quando alguma coisa nos dá prazer, tendemos a possuía-la até fartar-nos. Se gostamos de esquiar, convertemo-nos em esquiadores compulsivos. Se gostamos de tênis, viciamo-nos no tênis. Se nos dá prazer beijar, acabamos em deitar-nos juntos.
            Não é esse o caminho cristão. A proposta cristã sobre o prazer consiste em desfrutar dele durante o momento e depois esquecê-lo, gozar de algo sem nos aferrarmos a isso. Dito de outro modo, não desejar coisa ou pessoa alguma (a não ser o próprio Deus), a ponto de não podermos ser felizes sem ela. São Francisco encontrava-se com Santa Clara somente uma vez por ano: alegrava-se tanto com essa amizade que não queria que a sua felicidade dependesse dela.
            É uma bênção desfrutar dos pequenos prazeres da vida vendo neles um vislumbre da felicidade do Céu, sem ser escravo deles, mesmo em pequena medida. Ou seja, o autêntico cristão pode saborear pequenos prazeres na comida, na bebida ou num beijo de despedida, sem insistir em receber mais. Não é este mundo que alcançamos a nossa plenitude, mas no que há de vir. [1]
            Qualquer que seja o ponto em que você coloque o patamar de sua satisfação – um abraço, um beijo ardente e casto, uma relação sexual -, ficará sempre insatisfeito. Por que? Porque os nossos desejos são infinitos e, se procurarmos realizá-los por meio de coisas finitas, nunca chegarão a satisfazer-nos. Quanto mais cedermos aos nossos apetites – por comidas exóticas, por licores ou por sexo -, mais pedágio nos exigirão. Se pusermos a fronteira dos nossos prazeres num nível lícito, a satisfação será psicologicamente tão grande como a de quem a coloca num nível hedonista. Além disso, libertar-nos-á para nos entregarmos ao amor desinteressado (ágape), sem vivermos escravizados pelas nossas paixões e sem usarmos os outros para satisfazê-las.
            Mulheres, digam aos homens o que lhes agrada e o que não. Se eles forem inteligentes, corresponderão. Pedir ao homem o que agrada a você não é manipula-lo; é ensinar-lhe como deve tratá-la. Só seria manipulação se você pretendesse que ele fizesse algo que não deseja fazer. E se não quer tratá-la como você deseja? Diga-lhe adeus!
            Muitos namorados não chegam a alcançar a intimidade durante o namoro. Estão demasiados ocupados em beijar-se e abraçar-se (entre outras coisas), quando deveriam falar dos profundos sentimentos que lhe dominam o coração.

 Adiar os beijos [**] até o casamento?

*Nota do blog para [*] e [**]: O autor se refere a beijos de afeto, como beijos no rosto e na testa e não a beijos íntimos (vulgarmente chamados de “beijos de língua”), este segundo, como foi demonstrado em outras partes do livro é um tipo de beijo reservado somente aos casados pois é um prelúdio a relação sexual, portanto os namorados não devem chegar a este tipo de intimidade, nesta parte do texto é mostrado como os beijos de afeto ajudam a harmonia do casal. Veja o que o Pe. Thomas Morrow diz a respeito neste link: “Sobre os beijos no tempo de namoro”

Que dizer de pessoas como Joshua Harris, que decidiu não beijar a noiva antes de estarem casados? Ou de Elisabeth Elliot e Steve Word, que deram o primeiro beijo quando o namoro chegou ao compromisso? Essas atitudes são o melhor caminho?
Posso compreender o motivo de semelhantes decisões, já que muitas coisas boas como o carinho, foram sexualizadas e exploradas. Mas penso que são atitudes exageradas. É necessário reabilitar o afeto e colocá-lo em seu lugar, purificado de conotações sexuais. O carinho puro e nobre é algo maravilhoso. Quando uns namorados adiam os beijos, mesmo os mais inocentes, até o casamento ou o noivado, podem querer dizer implicitamente que as demonstrações de afeto não passam de uma forma moderada de exploração sexual. Não o são. São uma maravilhosa expressão de amor e satisfazem uma necessidade humana.
O que acontece com as expressões de carinho em público? Aconselho que sejam muito poucas e só nos lugares oportunos: passear de mãos dadas, beijos breves de saudação ou de despedida, um abraço no aeroporto, pegar na mão durante um jantar. Mas as carícias insistentes e os beijos repetidos pedem intimidade, privacidade. Comportar-se educadamente tem por objetivo, antes de mais nada, não incomodar os outros. Não há quem não se sinta realmente incomodado quando vê que um homem e uma mulher são incapazes de afastar as mãos um do outro.
O carinho, como escreveu Karol Wojtyla em Amor e Responsabilidade, não tem por objetivo o prazer, mas a "sensação de proximidade". Compartilhar o carinho "tem o poder de livrar o amor dos diversos perigos implícitos no egoísmo dos sentidos..." "Desde que seja submetido a um profundo controle pessoal, o afeto é um importante elemento do amor".
            Por vezes, uma pessoa descobre que o seu noivo/a está pouco preparado para exteriorizar o seu afeto; custa-lhe abraçar ou acariciar. Outras vezes, essa reticência deve-se ao medo da proximidade sexual, como conseqüência da nossa cultura impregnada de sexo. Ou talvez possa ter origem em ele/a provém de uma família em que as manifestações externas de afeto eram raras. Em qualquer dos casos, eu recomendaria que se encarasse este tema com delicadeza e tato, e se promovesse o hábito de compartilhar um carinho casto. Isto é coisa que se pode aprender, mas pouco a pouco, sem pressão externa.
            Outra causa de timidez nesta matéria pode ser o bloqueio psicológico causado por uma má experiência anterior. Neste caso, para seu próprio bem e da futura família, a pessoa deveria procurar um especialista, se possível cristão, para que a ajudasse a chegar à raiz do problema.
            Não resta dúvida de que o ambiente cultural influi nos modos de manifestar o carinho. Em geral, os latinos, os filipinos e alguns europeus orientais sentem-se bem beijando e abraçando a família e os amigos. Isto não significa que os namorados de outros lugares se satisfaçam com um afeto mínimo. Muitos estudos afirmam que as demonstrações físicas são uma terapia para qualquer pessoa, independente da nacionalidade. [2]

Estes números indicam as notas de roda-pé do livro:

[1] No Céu, como Deus Pai explicava a Santa Catarina de Sena, “a alma sempre Me deseja [a Deus] e Me ama, e não Me deseja em vão: se tem fome, sacia-se, e, saciada, sente fome. Mas estão longe dela o cansaço da saciedade e o sofrimento da fome.” (Santa Catarina de Sena, O Diálogo)

 [2] Com respeito ao carinho com os filhos, Gary Smalley afirma no seu livro The Blessing (A bênção, escrito em coautoria com Jonh Trent, Thomas Nelson, Nashville, Tenesse, 2004, 272 págs) que “uma carícia efusiva pode evitar que uma criança satisfaça essa necessidade em lugares errados”. O próprio Jesus fez as crianças aproximarem-se Dele, e as abraçou e as abençoou impondo-lhes as mãos (Mc 10, 16). João Paulo II chega a afirmar que as crianças tem um “direito especial ao carinho”. Smalley defende também que uma carícia traz benefícios psicológicos, diminui a pressão sanguínea e pode acrescentar dois anos a vida do marido.
            Muitos pais deixam de abraçar ou de beijar suas filhas quando chegam a adolescência. Talvez se deva que, como as filhas vão se tornando mulheres, pensem que não convém dar-lhes demasiadas provas de carinho. Enganam-se: um bom abraço de um pai à sua filha, um abraço casto diz tudo sobre ele. Os psicólogos que estudaram as tristes conseqüências dessas omissões coincidem em aconselhar encarecidamente aos pais que voltem atrás.

Pe. Thomas Morrow – “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante

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Entendendo o amor


por Pe. Thomas Morrow

Transcrição: Blog Mater Dei

No meu último ano de teologia no seminário, assisti uma aula chamada “Seminário inter-seminário”, em que estavam presentes outros estudantes de seminários próximos. Tratava-se de estudar os diferentes pontos de vista teológicos sobre a nossa fé. Nunca esquecerei o dia em que o tema era o amor e um seminarista afirmou que não era possível que Deus nos mandasse amar [1], pois o amor é um sentimento e não pode ser programado: tem que chegar. No seu atrevimento, negava a validade da Sagrada Escritura e cometia um grave erro acerca de dois grandes mandamentos de Cristo, confundindo amor com sentimento. O amor de que Jesus fala é uma amor desejado, não o amor que se sente. Felizmente, eu tinha lido recentemente Os quatro amores, de C.S. Lewis.
            Descobri nessa altura a confusão que as pessoas de língua inglesa (*e também de outras línguas) faziam neste campo. Observei a mesma confusão no dia em que uma paroquiana me disse que já não amava o seu marido. Perguntei-lhe se a preocupava o bem dele e respondeu-me que sim, sem dúvida.
-        “Então você o ama – disse-lhe -. Esse é o amor que você lhe prometeu no dia do seu casamento, não um sentimento romântico. Dizer-lhe isto é o primeiro modo de manifestá-lo”.
-        “Há muito tempo que não lhe digo que o amo”, admitiu ela.
-        “Bem, e não acha que deveria fazê-lo? Afinal de contas, você prometeu amá-lo durante toda a sua vida”.
-        “Não sei se serei capaz de fazê-lo agora”, respondeu-me.
            Via-se que o marido a tinha feito sofrer durante muito tempo e que ela preferia esperar a que o sentimento do amor retornasse. Mas é curioso observar que muitos casais se voltam a amar-se quando o exprimem em palavras, que só então o relacionamento se normaliza.
            Para compreendermos o namoro cristão, comecemos por eliminar a indefinição com que o idioma inglês (*e também em outras línguas) se refere aos significados da palavra amor. Em grego, há quatro palavras para referi-los:
-        ágape, que se costuma traduzir por “amor divino” porque exprime o amor sacrificial de Deus pela humanidade;
-        philía, que diz respeito a amizade e é chamada algumas vezes “amor fraterno”;
-        storgé, que se traduz por afeto e se costuma chamar amor familiar;
-        eros, a quarta, que é o amor passional, entre um homem e uma mulher.
           
            Como disse atrás, C.S. Lewis escreveu um livro em que dá uma explicação clássica dessas quatro dinâmicas do amor, algumas das quais empregarei como ponto de partida.

Ágape (Amor Divino)
            O amor que um homem e uma mulher prometem mutuamente no dia do casamento é um reflexo do amor divino, que os gregos denominavam ágape, e que é o mais importante dos quatro, pois é a condição para a salvação: Amarás o Senhor teu Deus como todo o teu coração e como toda a tua alma e como todas as forças e com toda a tua mente... (Lc 10,27). A palavra grega empregada aqui é agapao (“amarás”), derivada de ágape. Por tratar-se de uma mandamento, o ato de amor deve ser um ato de vontade, não um sentimento. Poderíamos defini-lo, no caso do amor conjugal, como a entrega incondicional que alguém faz de si mesmo pelo bem da pessoa amada.
            Se você ama com essa intensidade, entregará o seu tempo, o seu dinheiro, o seu trabalho, tudo o que tem pela pessoa que ama. Mas não o entregará indiscriminadamente, mas pelo bem da pessoa amada. Entregar-se para agradar o outro nem sempre é amor divino, pois o que agrada não necessariamente o que é bom.
            O pai que diz “não” a um filho que lhe pede uma Ferrari aos dezesseis anos, demonstra-lhe o seu amor. A moça que diz “não” ao seu namorado quando lhe pede para terem uma relação, demonstra-lhe o seu amor. Os pais que cortam a mesada a um filho traficante de drogas, ou o internam numa instituição de recuperação, demonstram-lhe um “amor firme”. Deus demonstra-nos um “amor firme” quando nos desviamos de seu caminho e comprovamos que a nossa vida desmorona.
            Aqui não há lugar para condições: “Se você se comporta bem”, se se continuar a comprazer-me”, “se não engordar”... Os pais devem amar os seus filhos de modo incondicional, o que significa estarem sempre dispostos a lutar pelo bem deles, quer lhes agrade ou não.
            Não agradamos a Deus quando pecamos, mas Ele sempre nos aceitará quando voltarmos, porque é um Deus de amor. O seu interesse pelo nosso bem não admite condições, e confia em que o amemos do mesmo modo.
            O ágape exprime-se geralmente de um modo silencioso e duradouro, sem muito espetáculo. Cinquenta anos passados a lavar roupa da família; quarenta anos a cuidar dos doentes e moribundos; décadas de pequenos sacrifícios pelo esposo e pelos filhos; uma vida inteira entregue a oração e a educar os filhos... Um amor assim é menos apaixonante, e até o mais aborrecido dos amores, mas a longo prazo é o mais profundo e gratificante.
            É o mesmo que regar uma planta. Você a molha e cuida dela dia após dia, semana após semana, ano após ano, e aparentemente não percebe que cresce. Um dia, depois de vários anos, a planta torna-se árvore, floresce  e por fim dá fruto. Só então, depois do que parecia um esforço sem fim, você percebe que valeu a pena. Esse amor é o único que nos pode realizar como pessoas: “O homem – escreveu João Paulo II na Redemptor Hominis, n. 10 – não pode viver sem amor. Será um ser incompreensível para si mesmo e a sua vida estará privada de sentido se não lhe revelar o amor, se não se encontrar com o amor, se não o experimentar e o fizer próprio, se não participar dele vivamente”.
            Este é o tipo de amor ágape da esposa/a profundamente decepcionada, mas que supera a situação esforçando-se para que reine a paz e se salve a relação. Podemos comprová-lo nos casais que estão casados a mais de vinte e cinco anos. Enfrentaram juntos os atritos próprios de qualquer relação humana, as provas e as dificuldades. E agora, como o seu amor era incondicional e capaz de manter-se em pé quando deixou de ser divertido, esses contratempos têm algo de especial. Esses casais gozam de paz, de um resplendor especial: é o ágape.

            Um senhora pediu-me que visitasse o seu marido, moribundo. Ele tinha-a abandonado anos antes para viver com uma mulher mais nova. Mais tarde, teve um câncer e a sua jovem companheira deixou-o. Então a esposa trouxe-o para casa e cuidou dele até à morte: tinha compreendido o poder do amor ágape.
            Ainda que ágape seja um movimento para fora, uma doação de si mesmo, quem ama desse modo costuma beneficiar-se também, de maneira inesperada [2]. No entanto, ainda que ágape implique também receber, o cristão centra-se mais em dar do que receber.
            A expressão mais profunda deste amor divino é “dar quando dói”. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos (Jo 15, 13). Cristo pregou este amor e viveu e morreu com ele. Com a sua ajuda, nós também podemos viver e morrer com ele.

Estes números indicam as notas de roda-pé do livro:
[1] Em Marcos, 12,19-31, por exemplo, o Senhor dá-nos os dois grandes mandamentos do amor: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente, e amar o próximo como a nós mesmos.

[2] Se amar deste modo não encontra correspondência por parte da pessoa amada, Deus, no entanto, promete nos uma recompensa.

*Nota do blog – O mesmo problema da definição da palavra encontra-se em outras línguas, para se aprofundar ainda mais no assunto recomendamos a leitura da Encíclica “Deus Caritas Est” (Deus é Amor) de Bento XVI, no qual - entre outros assuntos - trata-se da definição sobre o que é quais são os “tipos” de amores.

Pe. Thomas Morrow – “Namoro Cristão em um mundo supersexualizado” – Ed. Quadrante

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quinta-feira, 14 de março de 2013

Anunciamos uma grande alegria!

"Annuntio vobis gaudium magnum; habemus Papam". 
O mundo inteiro esperou para ouvir essa expressão - a maioria com boa vontade, outros não - mas todos olhavam pra Roma no dia de ontem esperando o Sucessor de Pedro, como foi belo ver que antes e depois em todas as mídias só se falava em um assunto, só se esperava a “fumaça branca”, e depois para saber quem era o escolhido, principalmente nós católicos esperávamos ouvir esse grande anúncio de júbilo. E o veio, temos um Papa, Sua Eminência Cardeal Jorge Mario Bergoglio que agora passa a se chamar Papa Francisco, temos um Pai!

Francisco, a primeira imagem que vem a nossa mente é a de São Francisco de Assis, o santo da caridade, mas também logo em seguida vem-nos as figura de dois outros Franciscos, São Francisco Xavier e São Francisco de Sales, ambos Jesuítas como o novo Papa, o primeiro, o santo das Missões na Ásia, que levou a esperança da salvação a tantos povos, o segundo, o santo defensor da fé, padroeiro dos apologistas. Caridade, missionariedade e defesa da fé, três virtudes que estes grandes Franciscos exaltaram com as suas vidas, e agora, com a graça de Deus, veremos mais um grande Francisco para a Igreja, com a missão de defender a fé e levar a caridade e esperança cristãs por todo o mundo.

Só existe algo de bom se tiver passado pelas mãos de Nossa Senhora, só Ela é a medianeira perfeita até Nosso Senhor Jesus Cristo, duas imagens que me vieram a mente, a primeira, ele foi eleito num dia 13, dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima, e veio de um país muito devoto a Nossa Senhora, logo pensei, “teremos um “Papa Mariano” ao estilo do Beato João Paulo II”, e ele logo o demonstrou na suaprimeira mensagem dizendo que iria no outro dia rezar aos pés de Nossa Senhora.
A imagem de Nossa Senhora de Częstochowa, padroeira da Polônia, ficou conhecida em todo mundo pela especial devoção que o Beato João Paulo II tinha a ela, então, neste momento pedimos a interseção de Nossa Senhora de Lujan, padroeira da Argentina, que abençoe nosso novo Santo Padre na condução da Barca da Igreja assim como a todos nós fiéis.

Eu só consegui ver o "Habemus Papam", não consegui ver sua apresentação pois tinha que pegar um ônibus urgentemente, mas no primeiro ponto havia uma TV ligada onde  passava o finalzinho de uma reportagem - de um canal secular - e a jornalista comentou que ele foi sempre criticado pelo governo argentino pelo sua brava oposição as leis de incentivo as uniões homossexuais, neste momento pensei "Eh, o Espírito Santo sabe o que faz".

A alegria é muito grande, mas que nestes momentos não temos muitas palavras, ainda custa um tempo pra "cair a ficha" que temos um novo Papa, melhor deixar que ele mesmo fale, iniciamos o nosso blog publicando um texto do Beato João Paulo II, sempre demonstramos nossa fidelidade a Bento XVI, e agora, entramos na “era Papa Francisco”, e pedimos a Nosso Senhor Jesus e sua Mãe Santíssima que também sejamos fiéis ao nosso novo Santo Padre, então encerramos nossa postagem com suas palavras iniciais de pontificado:


Irmãos e irmãs, boa-noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

[Recitação do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai]

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

[…]

Agora dar-vos-ei a Bênção, a vós e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade.

[Bênção]

Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento! Rezai por mim e até breve! Ver-nos-emos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!

Tiago Martins




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