segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O suicídio do pensamento

Conhecer o trabalho do Pe. Paulo Ricardo, Olavo de Carvalho, G.K. Chesterton, entre outros, é descobrir que você vive num mundo que mais parece um manicômio a céu aberto. Você percebe que foi doutrinado a ser mais um desses loucos, mas também que há modos de ser sadio, e o primeiro passo em direção a sanidade é admitir que viveu como um louco até hoje.
Percebe também a cada dia que a luta pela sanidade é uma luta árdua e praticamente solitária, mas que vale a pena, que vale toda a pena do mundo, pois como disse Nosso Senhor, "... conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".


Santo Tomás de Aquino dizia: "A suprema felicidade está na contemplação da verdade", só de pode ser feliz quando se busca a Deus em todas as ações, buscando-se a verdade encontra-se Deus pois Ele é a verdade. Dessas premissas entenderemos um pouco melhor porque o homem moderno vive como um louco, porque ele está se suicidando mentalmente.

O homem é dotado de intelecto e vontade, - isso o distingue do restante dos animais, pois os animais agem por instinto - a ordem natural das coisas é que o homem aja primeiro com o intelecto, dentre duas opções ele deve avaliar qual lhe causaria um bem maior, quando ele escolhe o bem maior está usando a sua vontade da maneira correta, como por exemplo, um pai tem somente uma quantia X de dinheiro onde ele somente conseguiria comprar uma camisa de um time de futebol ou remédio de seu filho, quando ele avalia (intelecto) e escolhe (vontade) comprar o remédio, agiu com o intelecto e a vontade de uma maneira correta.

Quando intelecto e vontade agem ao mesmo fim o homem consegue agir com liberdade, pois só há liberdade quando a ação leva a um bem, liberdade e livre arbítrio são coisas diferentes, livre arbítrio é o direito de escolher entre duas coisas, liberdade é quando se escolhe o bem maior, o tal pai citado tinha o livre arbítrio de escolher entre escolher compra a camisa e o remédio, mas só atuou com sua liberdade escolhendo o bem maior, pois quando se escolhe algo se exclui as outras opções, ele só poderia ser livre para ser um pai agindo da forma que um pai deveria agir.

Mas o que essas afirmações sobre intelecto, vontade e liberdade têm a ver com o título do texto e a maluquice do mundo? Tem a ver que o mundo moderno inverteu a posição da ordem natural, vivemos sobre o "império da vontade", não importa mais avaliarmos a coisas, o que vale "é o que eu quero", importa "a minha opinião”, importa agir como uma criança mimada que quer tudo do jeito dela.

Todos nós já ouvimos o clássico jargão: "Não julguemos, eu tenho a minha opinião e você tem a sua e é isso que importa". Mas para o homem que ser um homem de verdade, que quer ser feliz - como diz na citação de Santo Tomás - o que vale é contemplar a verdade, e não a opinião pessoal, é essa felicidade a única coisa que vai te fazer ficar firme perante as dificuldades e não abrir mão dos seus valores, a felicidade da certeza do dever cumprido, de estar agindo pra Aquele que é maior do que tudo.

Nós matamos nosso intelecto, nos suicidamos mentalmente, não pensamos mais, e o pior, ainda atacamos aqueles que ainda pensam e querem nos ajudar a sair dessa "caverna" sem luz.
Se não pensamos não conseguimos mais avaliar o que é bom ou ruim antes de fazer uma escolha, se não há mais como escolher o que é o bem maior não conseguiremos ser livres, e no fim das contas nem vontade nós temos, pois a vontade escolhe o bem maior. Começamos a agir com instintos, como qualquer cachorro agiria, parando de pensar perdemos a noção da realidade, a realidade é aquilo que é mesmo que nós não queiramos que seja, agora preferimos a nossa opinião a verdade.

Um exemplo claro disso, os defensores do aborto, mesmo que eles não queiram acreditar na verdade um feto já é um ser humano e conseqüente um aborto voluntário é um assassinato, por mais que eles inventem milhares de sofismas, nunca poderão obstruir essa verdade. São loucos tentando levar toda uma sociedade a loucura.

Mas porque paramos de pensar? Porque paramos de pensar em Deus. Quando se pensa, se pensa em algo, se Deus é o Sumo Bem, pensar Nele e dirigir a Ele todas as nossas ações nos leva a escolhermos sempre o bem e conseqüentemente sermos livres, "a verdade vos libertará". O homem moderno não pensa em Deus, ou diz que pensa, mas é um deus inventado na sua cabeça, sua vontade não é a de Deus e sim a sua e do seu deus pessoal, e sua liberdade não mais existe, ele é refém do manicômio que ele mesmo criou.
Não somos humildes em aceitar a autoridade divina, e como soberba e loucura são irmãs gêmeas... agora ele anda por aí, todo cheio de orgulho, do mesmo modo que todo louco, se achando a pessoa mais sadia do mundo, ou você já viu algum louco que se sabe louco? Ele deixa o filho em casa queimando de febre e sai na pra desfilar com sua camisa nova.

O Pe. Paulo Ricardo dizia que a diferença entre um cristão e um pagão é o que “o cristão se sabe pecador e por isso pode lutar contra o pecado, o pagão não se sabe pecador e por isso não luta.” Vivemos num mundo pagão que nos doutrinou como loucos e quer que continuemos assim, e vai lutar com todas as forças pra nos manter de tal modo. Mas Nosso Senhor nos deixou sua Santa Igreja como farol nos apontando o caminho para a sanidade, para a verdade, para Ele. Como dizia Chesterton: “somente a ortodoxia católica faz o homem feliz, é como um muro colocado ao redor de um precipício onde podem brincar uma porção de crianças”.

Rezemos a Virgem Maria, Sede da Sabedoria, que sempre nos ilumine, mostre-nos a luz da Verdade e nos dê a graça de sermos humildes e obedecermos a esta luz.


P.S.: Essas reflexões foram feitas a partir da leitura do capítulo intitulado "O Suicídio do Pensamento" do livro "Ortodoxia" de G.K. Chesterton, por isso o título do post é homônimo.

Tiago Martins da Silva

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