"O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido." Catecismo da Igreja Católica §2521
Graças a Deus vemos em nossos dias um aumento no interesse dos fiéis em conhecer a beleza de que é viver as virtudes da modesta e do pudor segundo os ensinamentos da Igreja.
Como todo assunto complicado não tem respostas fáceis, alguns pontos sempre geram divergências ao serem tratados, é sobre isso que se trata este post, gostaria de deixar uma reflexão sobre 3 pontos que são sempre muito discutidos.
Todos os argumentos que serão apresentados poderiam se resumir nesta premissa:
Em todos os momentos de sua vida esteja vestida de um modo em que você não se envergonharia se tivesse que receber a Virgem Maria. Usando deste bom senso, vamos desdobrar algumas coisas.
Me embasarei nos argumentos utilizados pelo
Pe. Paulo Ricardo de Azevedo em seu vídeo
"Parresía: Pudor e Modéstia", principalmente em 3 colocações dele, a primeira é o já citado parágrafo 2521 do CIC, a segunda é uma interessante reflexão que ele faz, onde ele diz que a mulher não deve achar que a sua visão sobre si mesma é padrão para o modo de se vestir modestamente, o padrão deve ser que ela analise se a sua vestimenta provoca o olhar masculino, antes de pensar em si mesma ela deve pensar em ser caridosa com o seu próximo. Creio que até por causa disso a minha opinião possa ajudar, como homem posso dizer que as mulheres não tem a mínima noção do quanto são naturalmente belas ao olhar masculino, quando elas se vestem de forma provocante acontece o mesmo efeito de que um remédio em excesso, remédio na dose certa é bom, mas em excesso vira overdose, a mulher que se veste para provocar perde o encanto e passa a ser vista como um objeto.
A terceira se refere a que no corpo existem partes com conotação sexual explicita, umas com conotação média e outras onde não há conotação sexual, no vídeo ele usa a nomenclatura para estas partes como sendo "desonestas, semi-honestas e honestas", não que a parte em si tenha algo "desonesto", mas são partes que pela fraqueza do pecado levam facilmente os outros a caírem na tentação do olhar. O título do post se refere a isso tudo, quando tratamos um assunto com bom senso, usando princípios lógicos e aceitamos a realidade as coisas ficam mais simples de serem entendidas, usando-se a lógica percebe-se melhor a realidade e daí fugimos mais facilmente de interpretações pessoais e compreendemos melhor a melhor maneira de vivermos as virtudes da modéstia e do pudor. Desde já recomendo muitíssimo que se assista ao vídeo do Pe. Paulo Ricardo citado acima.
"O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir. Mantém o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco de uma curiosidade malsã. Torna-se discrição." Catecismo da Igreja Católica §2522
Então, vamos aos assuntos tão discutidos. O primeiro deles se refere a "roupa de banho", a roupa que se usaria para ir à praia, piscina e afins. O biquíni é tão imodesto que nem seria necessário comentar, mas já que algumas pessoas ainda defendem o uso... Uma mulher não sairia na rua usando calcinha e sutiã, não ficaria nestes trajes na frente de qualquer pessoa. Pois é, a única diferença que há da sua roupa intima normal do dia-a-dia para um biquíni é o material do qual é feito, as partes expostas do seu corpo são as mesmas, a mulher está quase nua. Então, se é anormal mostrar certas partes do corpo em outros locais porque numa praia seria normal? Isso se chama, no mínimo, incoerência.
A outra "roupa de banho" normalmente usada é o maiô, podemos usar os mesmos argumentos, a única diferença deste para o primeiro é que este cobre a barriga e algumas vezes as costas, mas ele deixa a mostra as pernas e as nádegas, e esta segunda tem uma conotação sexual explícita para o olhar. Se o pudor consiste
“na recusa de mostrar aquilo que deve ficar escondido”, creio que é de bom senso a opinião de que as nádegas são uma parte que deve ficar escondida.
Qualquer um com boa vontade percebe que o exposto acima é verdade, então o argumento contrário que alguns colocam é o seguinte:
"Mas se for assim, nós nunca poderemos ir a praia/piscina para nos divertirmos"? Eu respondo: O que é um tempo de divertimento perante da vida eterna? Existem dezenas e dezenas de outros divertimentos mais sadios, então arriscar colocar os outros em situação de pecado só por causa de um tempinho de divertimento não á atitude de uma pessoa que busca sinceramente ser caridosa com o próximo. Quantos santos tem histórias de sacrifícios para se livrar das tentações, então se queremos ser santos por inteiro devemos também fazer sacrifícios, quem ama pensa antes no bem do próximo do que no seu.
O segundo assunto é quanto aos decotes.
Tecnicamente decote é qualquer abertura na blusa que deixe o colo descoberto, mas vulgarmente é chamado de decote a área aberta da blusa que chega a deixar parte dos seios a mostra. Como essa segunda parte é que tem relação direta com a modéstia é esta que será tratada. Achei muito interessante a argumentação apresentada
neste texto (recomendo a leitura) no qual a autora recomenda que para que um decote seja decente a abertura não pode passar de um tamanho no qual nem que se a mulher tivesse que se abaixar deixaria os seios a mostra. Isto faz todo sentido porque para o olhar masculino esta é uma parte que tem conotação sexual.
A argumentação contrária normalmente apresentada a isso é uma das mais
non sense que eu já vi, é a teoria do "meio-decote", segundo ela só decotes escandalosos seriam imodestos, se aparecesse só um "pouquinho", se não aparecesse muito não teria problema. Mas há sim um grande problema, junte atração natural, imaginação e pecado original e está aceso o estopim que pode levar a uma explosão maior. É o seguinte, mesmo que a abertura da roupa mostre apenas uma parte, pelo fato dela ter uma conotação sexual faz com que a imaginação comece a pensar no restante, isto também é citado no texto que recomendei acima. Você pode até estar pensando que o que eu disse acima é coisa de gente com alguma tara por falar da imaginação, não é isto, falo partindo do principio da atração natural que há do olhar masculino sobre o corpo feminino, incitar a imaginação do outro é colocá-lo numa situação perigosa que poderia ser evitada.
Outra coisa, já vi muitos comentários em sites, blogs e redes sociais a respeito, são pessoas dizendo que certas roupas mais decentes não são possíveis de se usar devido ao calor que elas provocam, esse assunto surge principalmente quando se fala em blusas de alça e decote. A resposta é simples, pode até parecer pesada mas é a verdade: Como uma pessoa que não agüenta fazer pequenos sacrifícios em favor da modéstia e do pudor por causa da temperatura poderá suportar os grandes sacrifícios que a sua vocação lhe pedirá? Isto é uma boa coisa para se refletir.
Uma questão que deixo para terminar este assunto: Uma pessoa só usa um roupa se quiser, ela não é obrigada a usar certa roupa, daí que ela escolhe o que mostrar ou deixar de mostrar por livre e espontânea vontade. Então, se uma mulher usa uma roupa que deixa a mostra parte dos seios não estaria ela querendo mostrar tal parte?
Passo ao terceiro assunto, e mais polêmico, creio que com a minha opinião a partir de agora serei incluído no
hall of puritans por alguns. O assunto é o uso de calça pelas mulheres. Vou usar a seguinte premissa:
Toda calça marca o corpo feminino, alguns vestidos/saias não marcam o corpo delas, logo sempre haverá vestidos/saias mais modestos do que qualquer calça. Toda calça - seja ela apertada ou mais folgada - delineia a forma dos órgãos genitais, das nádegas e das pernas da mulher, enquanto que vestidos ou saias modestos não fazem isto.
Como 99% das mulheres que cresceram pós-revolução sexual foram educadas de que a modéstia é uma coisa irrelevante e num ambiente onde a calça é colocada como uma veste normal para as mulheres dizer que o uso delas é pecado é muito perigoso, pois para algo ser pecado precisa que a pessoa tenha consciência que está fazendo um ato errado, e só Deus pode fazer esse juízo individual. Mas temos algumas coisas que o bom senso percebe, uma mulher que usa essas calças que parecem que foram "embaladas a vácuo" de tão apertadas as usa claramente para provocar o olhar masculino, esta é uma situação clara de pecado pois se está levando outro a pecar, independente se a pessoa teve formação religiosa ou não no fundo há uma
lei natural que conduz ao bem, e esta mesma lei mostra que tentar o outro é um mal.
Partindo deste principio, se eu tivesse que falar sobre modéstia com alguma pessoa que ainda não teve a oportunidade de se formar, o assunto sobre as calças não seria o primeiro a ser tocado pela complexidade dessas questões que giram em torno dele, seria um assunto a ser tratado com pessoas que á tem uma certa noção melhor sobre modéstia.
A outra questão - acho que daí vem as maiores polêmicas- se dirige a um grupo mais restrito, que apesar de pequeno vem - graças a Deus - aumentando. É do grupo das moças que tiveram a oportunidade de se formar quanto a modéstia aprendendo dos ensinamentos da Igreja e dos santos. A minha indagação é a seguinte:
Se na relação calças-vestidos-saias elas sabem o que é mais modesto porque ainda usam o "mais ou menos" modesto? Se sabem qual roupa tem maior chance de provocar o olhar masculino, usá-las é agir com negligência. Compreendo que há um processo natural de conversão pois é uma mudança entre dois mundos distintos, sei que leva um tempo de adaptação mas há de se pensar nesta questão com mais cuidado, sem um olhar apaixonado e atentando-se a realidade, e como disse Nosso Senhor
"a quem muito foi dado muito será cobrado", a quem estiver lendo estas linhas, pense nisto.
O argumento normalmente usado contra esta exposição é falar da mudança natural da cultura, e que tratar a modéstia deste jeito é criar um "livro de regras" obrigando a mulher a quase se vestir com
burcas. O Pe. Paulo Ricardo também fala nisto no vídeo, primeiro ele atenta que muitos usam isto como desculpa para não mudar, nós que vivemos no Ocidente vivemos numa cultura cristã, tudo o que é disseminado fora dos costumes cristãos é idéia revolucionária, anti-cristã. Muitos usam disso pra não mudar, dizendo que certos valores estão tão introduzidos na sociedade que não há mais como não segui-los.
Quanto chamar isto de “livros de regras”, a imagem postada logo ao inicio do texto quebra todo esse argumento, a moça está vestida modestamente com todos os requisitos mostrados aqui, dá pra perceber claramente que sua roupa não se parece nada com uma burca e ela está com uma beleza e elegância de uma forma com a qual nenhuma calça poderia fazer. Me lembro de uma outra palestra do Pe. Paulo Ricardo (
neste link) no qual em uma parte ele comenta sobre modéstia, falando sobre véus, saias, calças e afins, ele pergunta aos homens presentes:
"Você homens, preferem uma mulher de saia ou de calças?", a resposta é unânime: "
Saias!!!". As saias e vestidos mostram a feminilidade delas enquanto as calças as masculinizam, todo homem sempre verá mais beleza numa mulher com um vestido ou saia modesto no que numa usando calças, pra quem não acredita, é só "fazer uma pesquisa". ;)
As vezes dá a impressão de que quando elas sabem o que é mais modesto mas ainda continuam usando o menos modesto o fazem por pura e simples vaidade, mas é só uma impressão, cada uma vai prestar conta individualmente a Deus por sua intenção.
Vanitas vanitatum, et omnia vanitas.
Espero que minhas colocações tenham ficado claras, e antes terminar gostaria deixar um alerta, já que vivemos na era das redes sociais onde todos postam fotos de suas vidas pessoais na internet é mais um motivo para se ter cuidado, pensar ainda mais em vestir-se com modéstia para que suas fotos não sejam causa de queda para muitos.
Sei que haverá opiniões contrárias, como é normal, se alguém quiser comentar fique a vontade, isso será bom para o aprofundamento do tema, mas desde já faço um pedido, se for de opinião contrária exponha seus argumentos apontando um a um como coloquei, por favor não venha só me chamar de puritano, isso não é argumentação, o puritano é alguém que fugiu da realidade, como foi colocado acima todos os pontos foram explicados a partir de realidades muito concretas e perceptíveis, desde já, obrigado.
Como diz a clássica canção
"...vesti com modéstia e grande pudor, olhai como veste a Mãe do Senhor". Peçamos a Nossa Senhora que nos conduza e nos ilumine nesta luta. Mãe Puríssima, rogai por nós!
Tiago Martins da Silva