sábado, 31 de dezembro de 2011

Obrigado Senhor!

"Sede pois, bendito, Senhor, por haver usado com vosso servo de tamanha bondade, segundo vossa misericórdia infinita." (Imitação de Cristo - Livro III, cap. XXI)

Obrigado Senhor, por mais um ano em nossas vidas.

Obrigado por nossas famílias, obrigado por todas as alegrias vividas em comum e por termos conseguido enfrentar as dores e principalmente por percebermos que essas cruzes carregas em conjunto se tornaram causas para nossa maior união.

Obrigado Senhor, pelos nossos amigos, pelos velhos que mantivemos, pelos que se afastaram - por motivos sérios ou não - mas que sempre terão um lugar em nosso coração, pelos novos amigos, principalmente os amigos na fé, novas bênçãos que o Senhor nos deu.

Especialmente agradeço aos meus amigos Jean Carlo, William e João Carlos que junto comigo batalhamos nesse nosso humilde apostolado na internet neste ano.

Já aproveitando, muito obrigado Senhor, por ter dado tantas graças e inspirações neste ano para que nosso simples trabalho neste blog pudesse ter ajudado no crescimento da fé de nossos irmãos que o acessaram, sabemos que tudo feito foi pouco mas que esse pouco foi guiado pelo Senhor e por isso gerou frutos.

Obrigado pelo nosso trabalho, por nos dar meio do nosso sustento material. Pelos nossos estudos, sejam sobre religião ou profissionais.

Obrigado por nos manter na santa fé católica, por nos dar pastores que batalham pelo revigoramento na Tradição na Igreja, e ninguém melhor para representá-los todos que Nosso Santo Padre Bento XVI, obrigado por nos ter dado um pastor que personifica o nome de “Vigário de Cristo” na Terra.

Obrigado Senhor, por ter mostrado nossos defeitos, por mostrar que somos tão pequenos e por nos ter resgatado naqueles momentos em que quase desistimos, por nos ter tratado com Misericórdia e Justiça.

Houve dores, cruzes a carregar neste ano, mas tudo foi pequeno perto da Graça recebida que é Vossa companhia ao nosso lado em todos os momentos de nossa vida, nos sacramentos, principalmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia e também na vossa palavra. Quando paramos para refletir como foi o ano, não temos o direito de reclamar, recebemos muito e muito mais que merecemos.

"O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova". (G.K. Chesterton)

Se fossemos agradecer por tudo escreveríamos pelo próximo ano todo, então, agradeço a tudo agradecendo por o Senhor nos ter dado o que lhe é mais caro, mais precioso: Muito obrigado Senhor, por nos ter dado Vossa Mãe como Mãe nossa, obrigado por Ela ter guiado nossas famílias, amigos, trabalho e apostolado em direção ao Senhor, por Ela nos ter mostrado o seu Amor, a direção da nossa esperança e ter sido sustento da nossa fé.

Consagramos todo esse ano que se inicia ao Senhor, nosso Deus e Salvador, pelas mãos santas de Vossa Mãe Maria, que Ela seja o caminho para que o Senhor torne-se o Rei da nossa vida.

"Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus. Semper, cum Petro, ad Jesum per Mariam.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal, Natal. Poucos te conhecem de verdade...

Mais uma vez chegou uma das datas mais especiais da Santa Igreja: o Natal do Senhor

Jesus. E mais uma vez o Papai Noel parece ser mais lembrado que o verdadeiro dono da festa. As pessoas acorrem todas às lojas com sorrisos de imensa satisfação para adquirirem dotes para seus amigos e parentes. Seus olhos brilham em frente a manequins e vitrines. E enquanto o “bom velhinho” (que de bom não parece ter nada, pois apenas incentiva um consumo desregrado, que levam muitos a entrarem em dívidas grandiosas) se sustenta como um astro na mídia, o pobre Menino Jesus está lá em sua humilde manjedoura, – que não sua é, na verdade – aquecido pelo calor dos animais que lhe rendem a homenagem que seu povo esqueceu de lhe prestar.

Oh irmãos, enquanto nos aquecemos nesta noite com as mais sofisticadas roupas e as mais caras bebidas, nosso Deus recém-nascido está envolto por um pobre pano, deitado em palhas que serviriam de alimento para muitos animais. Nossas casas estão todas ornadas com os mais belos enfeites natalinos, mas a “maternidade” que recebeu o maior presente de Deus para os homens é um estábulo, ou um curral como diriam os humildes camponeses, enquanto nos fartamos com deliciosas carnes e iguarias, José e Maria passam fome e frio em uma terra distante de Nazaré, onde moravam.

A TV nos presenteia neste dia com shows dos mais famosos artistas, com as mais caras produções do cinema e com a melhor programação do ano. Felizes foram aqueles pastores que foram presenteados com o canto dos Anjos nas alturas e contemplaram a face de Deus, tão humilde quanto eles. Pastores estes que presentearam Cristo primeiro, que é bom lembrarmos que eram tidos como delinqüentes pelo povo em sua época. E nós hoje nós vemos pobres mau vestidos nas ruas e avenidas e já julgamos estes infelizes (no bom sentido da palavra, se é que há bom sentido para definir uma palavra que se refere àqueles que não têm nem o que comer muitas vezes) como sendo ladrões, salteadores e batedores. Mas nos esquecemos que talvez estes sejam os pastores de nossos tempos que realmente receberam Jesus no Natal. Não quero ser socialista, mas esta é a verdade...

À meia-noite, no meio de nossa comilança, desejamos um Feliz Natal a todos, mas esquecemos de dar os parabéns ao aniversariante. Enquanto nos fartamos a Missa do Galo está lá vazia. Isso sem contar que em muitos lugares esta já nem acontece mais à meia-noite, e sim às vinte horas, pois o risco da Igreja ficar vazia é enorme se esta for celebrada em seu horário tradicional.

Ah Belém, você é tão pequenina, mas é tão grande! Vejam só; o Redentor escolheu nascer numa vilazinha insignificante e morrer na metrópole de seu tempo, talvez para nos mostrar como é belo a humildade e como é desprezível a prepotência e a arrogância.

Aquela estrela de Belém, tão bela, tão formosa, tão luminosa, que conduziu os Magos até Jesus parece que já não faz sentido para os homens hoje. Infelizmente a estrela que tem guiado a humanidade leva à ganância, ao ódio, ao desprezo, ao desamor; leva ao Inferno.

Pensando bem, analisando a situação, será que os “sacoleiros” de fim de ano são realmente felizes? Será que sua alegria é sincera? Creio que não. Regozijariam muito, mas se soubessem qual é o verdadeiro sentido do Natal. O brilho de seus olhos seria muito mais intenso contemplando um presépio que admirando manequins. No princípio Jesus foi recebido por tão poucas pessoas e agora já não é mais diferente. Infelizmente o Natal virou uma festa do comércio, para o mundo, é claro, pois para os cristãos esta ainda é a festa que celebra o Sol de justiça que nasce para a Terra.

Oh Menino Jesus, como queria eu poder te envolver nos meus braços, contaminados pelos mais horríveis pecados. Gostaria tanto de transformar meu coração em um estábulo cercado e ornado de humildade para Vos receber. Desejo tanto que meu amor seja as palhas que lhe deram “conforto” naquela noite linda. Como ficaria agradecido se aceitasse as pulsações de meu coração como se fossem o cantar do coro dos Anjos! Que o sopro de minhas narinas seja qual sopro daqueles animaizinhos que Vos aqueceu em meio ao frio da madrugada.

Senhor, perdoe a limitação de minhas palavras; sou tão ingênuo! Como gostaria de poder Te louvar ainda mais com as mais belas considerações e os mais belos elogios. Mas como não sou capaz, entenda minha fraqueza e ouça meu único pedido neste dia: Oh Jesus, que o 25 de dezembro se repita todos os dias no meu coração.

“Quando dizemos, na celebração litúrgica, «hoje nasceu o nosso Salvador», este termo «hoje» não é uma palavra vazia, mas significa que Deus nos dá a possibilidade de O reconhecer e acolher agora – como fizeram outrora os pastores em Belém –, para que nasça também na nossa vida e a renove, ilumine e transforme com a graça da sua presença.” Papa Bento XVI

João Carlos Resende

domingo, 18 de dezembro de 2011

Maria, Zacarias e o Anjo

“Maria responde numa palavra e acolhe o Verbo; pronuncia a tua própria palavra e concebe o Verbo divino; emite uma palavra passageira e envolve o Verbo eterno. (São Bernardo de Claraval)”



No capítulo 1 do Evangelho de São Lucas vemos um paradoxo, as respostas diferentes que Maria e Zacarias dão ao Arcanjo Gabriel.

Primeiramente vamos a Anunciação, as duas situações tiveram muitas semelhanças, o Anjo anuncia a Zacarias que suas preces foram atendidas, que sua esposa estava grávida e que aquela criança traria muita alegria ao seu povo.
Com Maria também, ele diz que ela encontrou graça diante de Deus e que a criança que Ela conceberia traria libertação dos pecados de seu povo, que é a maior das alegrias. A diferença começa nas respostas e isso muda o cenário para os dois.

Zacarias duvida, acha que a gravidez de sua esposa em idade avançada é impossível, Maria não duvida, ela só pergunta como aconteceria tal coisa com ela. No decorrer da cena vemos que só uma pessoa que vive a sua fé com a verdadeira alegria cristã consegue anunciar a fé, uma das promessas do Anjo foi a da alegria que viria, Zacarias não acreditou e ficou mudo, não pode anunciar aquele grande milagre, ao contrário, Maria logo saiu a anunciar, foi levar o milagre dos milagres a sua prima Isabel.
É necessário que Deus seja o sentido de nossa alegria, de que tudo dependemos Dele para que consigamos anunciá-los ao outros.

Nessa parte vemos a outra personagem, Isabel, ao lado de Maria ela é modelo de crente, que acreditou sem pestanejar, vemos nela um exemplo de como que a humildade e a boa vontade é o primeiro passo para se ter fé, por isso Maria vai até ela, Maria sabia que ela estava de coração aberto para a vontade de Deus.

Deus quer que sejamos humildes, e humildade é saber-se do tamanho que realmente se é, sabendo-se pequenos nos abrimos a Graça de Deus, Ele quer que nós o obedeçamos em sua vontade e daí Ele nos dará respostas do porque aquela situação acontece, assim foi com Maria e Zacarias, Maria acreditou primeiro, depois perguntou como aconteceria, e Deus através do Anjo a explicou, Zacarias não se abriu e quando o coração não se abre explicação nenhuma adianta.

Vemos no fim da cena, a infinita Misericórdia Divina, Zacarias se arrepende e aceita a vontade de Deus, e uma prova disso é que ele mesmo sem ainda poder falar vai contra a vontade dos parentes que queriam dar um nome para criança e coloca o nome que Deus quis.

Maria, Zacarias e o Arcanjo Gabriel, 3 escolhidos de Deus para anunciar sua Palavra, o Verbo Eterno ao mundo, o Arcanjo que trouxe o Anuncio, Maria que o recebeu de coração aberto e Zacarias como exemplo daqueles que se arrependem e obedecem a vontade de Deus, assim devemos nós também agirmos, estar de ouvidos abertos a quando Deus nos chama, e quando cairmos confiarmos na Misericórdia e começarmos a sermos anunciadores desde ali.

“E o Anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu do Espírito Santo, e o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”

Tiago Martins da Silva

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Onde está nossa esperança?

Quem nunca se indagou por Deus não atender este ou aquele pedido? Quem nunca

reclamou ao Senhor algo que queria? Muitas vezes até ensaiamos uma revolta contra Ele por não nos conceder aquilo que nossa fraqueza suplica. Mas este não é o caminho.

Ao passar por situação semelhante dias atrás, resolvi intensificar minhas orações para tentar obter uma resposta de Deus. E não é que o Senhor me mostrou a verdade? E ela é tão simples! Se Deus não nos concede algo que queremos é porque aquilo não seria benéfico a nós. Sabemos perfeitamente que Deus é um ótimo pai, e qual pai daria a seu filho um escorpião ou uma serpente para brincar? Não adianta; podemos passar qualquer um pra trás, menos Deus. Ele só quer o nosso bem, mesmo que a nossa pirraça fale mais alto que a nossa sensatez.

E aquilo de benéfico que pedimos ao Senhor e Ele parece não querer atender? É mais simples ainda. Será que pedimos com todo o nosso coração? Não adianta pedir ao Senhor sem esperança de que tudo vai dar certo. Cristo mesmo disse que se pedirmos com fé até mesmo uma montanha pode se atirar no mar (cf. Mc 11, 23); a fé não vê tamanho de obstáculo e sim a confiança. Sempre que começo a duvidar que o Senhor pode nos conceder algo lembro daquilo que disse Jesus aos cegos que O procuraram para serem curados: “Vocês acreditam que eu posso fazer isto?” (cf. Mc 9, 28)

Cristo é mesmo “avassalador”. Ele ainda hoje faz esta pergunta, mas agora a nós. Será que cremos realmente Nele? Aqueles pobres cegos não hesitaram: “Sim, Senhor”, e foram curados. Qual é a nossa resposta a esta pergunta do Senhor?

Sejamos sinceros, ao menos desta vez, pois sei que isto é difícil para o homem. Como diria o Papa Bento XVI, “somos como que cobertos de várias formas de sujidade, de palavras vazias, de preconceitos, de sabedoria limitada e alterada; uma múltipla semi-falsidade ou falsidade aberta infiltra-se continuamente no nosso íntimo” [1]. Mas façamos um esforço. Será que realmente confiamos no Senhor?

Apesar de não acreditarmos realmente Nele, Ele não desiste de nós em momento algum. Vale lembrar aquilo que Ele nos disse: “Vinde a mim vós todos que estais cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes aliviarei. [...] Sou manso e humilde de coração e vocês encontrarão descanso para suas vidas.” (cf. Mt 11, 28-29) Que presente o Senhor nos oferece!

Tantas vezes nos encontramos tão fadigados deste mundo, que realmente é horrendo, mas não sabemos onde procurar refúgio. Muitos procuram no álcool, no fumo, nas drogas, nos jogos e em tantos outros lugares que só geram a morte. Porque não aceitar este convite do Senhor?

Nunca deveríamos reclamar, pois não nos foi dado a conhecer o verdadeiro sofrimento, que só Deus conhece. Se nosso coração se abate com nossas fraquezas, desânimos e tantas outras coisas mesquinhas, imagine o quanto não se abate o coração de Deus, que é continuamente ultrajado por nossos pecados, cada vez mais terríveis. Diante de nossas quedas tem se tornado tão comum xingarmos, falarmos palavrões e fazermos tantas coisas deploráveis. Isso tudo apenas nos afasta mais ainda de Deus. Que tal se em vez de ofender mais Nosso Senhor, oferecêssemos nossos sofrimentos aos Corações de Jesus e Maria em reparação aos pecados que tanto os magoam? Com certeza deus veria tal ato como verdadeira oração, sincera.

Talvez não consigamos compreender certos desígnios divinos por nos faltar a humildade. Esta que teve de sobra o profeta Jeremias ao lamentar a destruição de Jerusalém: “Caiu a coroa da nossa cabeça: Ai de nós, porque pecamos!” (Lm 5, 16) Devemos ter esta humildade de reconhecer nossos erros e correr ao manancial de graças que é o Coração de Jesus e beber daquela fonte que nunca deixa de jorrar o mais sincero amor.

Procuremos colocar nossas aflições, tribulações, aflições, cansaço, tristezas, preocupações e tudo o mais nos braços de Maria. Certamente não nos faltará recurso, pois não há melhor advogada em lugar nenhum.

Jesus, eu confio em Vós!

[1] SANTA MISSA "IN COENA DOMINI", Quinta-feira Santa, 20 de Março de 2008

João Carlos Resende

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em defesa de São Nicolau de Mira e seu verdadeiro legado

Continuando o trabalho de defender o nome e o legado de alguns santos, olharemos agora para um dos mais injustiçados da história. A injustiça feita contra este santo é tão grande que poucos já ouviram falar em seu verdadeiro nome.



Passado o dia de finados, a publicidade já começa a bater continuamente no Natal. As propagandas cada vez mais criativas ilustram um mundo perfeito a partir da aquisição de presentes para pessoas de todos os gostos. Todos estão cansados de saber que o Natal é muito mais lembrado pela maioria das pessoas como uma festa de confraternização, e não como a chegada do Messias esperado por Israel.

Neste contexto, a figura do Menino Jesus é trocada pela do Papai Noel, um velhinho sorridente e “bondoso”, com roupas vermelhas, botas e cinto preto, uma enorme barba branca e, claro, um enorme saco cheio de presentes. Nas grandes cidades não há um shopping sequer sem a presença deste personagem.

Mas como começou a história do Papai Noel afinal de contas? Conta a tradição da Igreja que um Bispo chamado Nicolau, epíscopo de Mira,- cidade que fica na atual Turquia - possuía muitos bens materiais. Mas ao mesmo tempo havia na cidade muitas pessoas pobres, que muitas vezes não tinham nem o que comer. Este grande homem, muito preocupado com seu rebanho, vendia sempre algo que era seu e comprava presentes para as criancinhas pobres. Mas como não queria dar a impressão de que usava a caridade para promover seu próprio nome, fazia tudo ás escondidas, tarde da noite.

Por ter sido tão amigo da infância, em sua festa se repartem doces e presentes às crianças, e como em alemão se chama "São Nikolaus", começaram-no a chamar "Santa Claus", sendo representado como um ancião vestido de vermelho, com uma barba muito branca, que ia de casa em casa repartindo presentes e doces às crianças. De São Nicolau escreveram muito belamente São João Crisóstomo e outros grandes Santos, mas sua biografia foi escrita pelo Arcebispo de Constantinopla, São Metodio.

As crianças abandonados, diante dos perigos do mundo, também se refugiavam sob a proteção do bondoso bispo, e por isso o chamavam de Papai Noel, existem várias traduções para o seu nome, como vimos o “Santa Claus” acima, a versão que conhecemos em português vem da expressão francesa "Joyeux Noël”, que significa “Pai Natal”.

Este santo foi umas das primeiras pessoas a se preocuparem verdadeiramente com as criancinhas e suas mães. Conta-se também que certa vez, após a subida de Constantino ao poder, alguns líderes eclesiásticos não se comportavam de acordo com o cargo que ocupavam e isto fez Nicolau se exaltar um pouco, provocando assim a suspensão de suas funções na Igreja. Mais tarde, contudo, foi provada sua inocência. Também é conhecido por converter inúmeros hereges e até por conseguir a ressurreição de várias crianças.

Veja, este é o verdadeiro Papai Noel. Quando olhamos hoje o que o mundo fez com o nome e o legado deste santo talvez até fiquemos um tanto incompreensivos, mas o fato é que São Nicolau sempre pregou e praticou a caridade, ajudava os outros por amor a Deus, e o que acontece hoje em dia faz com se retire a figura do Menino Deus do primeiro plano no Natal.

E é sempre assim; Satanás manipula uma verdade, conta uma mentira embrulhada num pacote bonito para que percamos o foco em Cristo. Contudo, sempre existirão aqueles que mostram a verdade, e cabe a nós sermos verdadeiros discípulos e levar a verdade aos outros.

E fica aqui um convite: Neste Natal procuremos dar um presente ao Menino Jesus. Vamos deixar de lado aquele velho com seu falso sorriso e lembrarmos do verdadeiro bom velhinho: um bispo bondoso que praticava a caridade e protegia os menores.

São Nicolau de Mira; rogai por nós!

João Carlos Resende


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Católico “tradicional”?

Numa conversa fui questionado sobre o porquê me considero um “católico
tradicional”
. A resposta foi: Ser católico tradicional é ser obediente a Igreja, ser fiel a doutrina e aos ensinamentos do Magistério, na pessoa do Santo Padre o Papa, ser obediente ao Evangelho e a Sagrada Tradição, ou seja, viver a fé e a vida na Igreja do mesmo modo que Nosso Senhor quis.
Foi essa a minha resposta imediata, e pensando um pouco melhor cheguei à conclusão de que tudo que eu disse não é ser “católico tradicional”, é simplesmente ser católico. Mas então, por que e necessário se dizer “tradicional”?
É espantoso ver o grande numero de pessoas ditas católicas que permanecem alienadas ao que a Igreja ensina, a maioria por ter tido uma má formação catequética, mas que não pode ser usado como desculpa pois o bom senso mostra que certas coisas são profanações claras, que qualquer um consegue perceber.
Invencionices que geram uma gama de variados eventos que tiram o sentido real de uma Santa Missa, como colocar elementos inculturados nela e acrescentar títulos como sertaneja, do boiadeiro, carismática, de cura e libertação, do tropeiro, dentre outras aberrações. Quando indagados, muitos que participam desses eventos dizem que isso tudo é bonito, é cultural, é válido, pois atrai o povo da nossa realidade, que a Missa é algo “mecanizado” e coisas afins.
As diferenças culturais não são desculpa para manipulação da liturgia, como podemos ver neste vídeo, a Igreja tem por característica a unidade, para se haver unidade deve se haver ponto de união, na questão litúrgica como em todos os outros o ponto em comum é a obediência ao Magistério.
Precisa-se ter fé para entender o que é uma Santa Missa, a renovação do sacrifício de Cristo, por isso ela nunca é algo mecanizado, pois é a doce rotina de vermos a infinitude do Amor de Deus que se rebaixa e vem até nós.
No fundo essa desobediência a Igreja é orgulho, vontade de querer impor sua opinião, é sinal de falta de fé e má vontade.
Pedimos a Deus que as coisas mudem, para que quando nos perguntarem que religião professamos e respondermos que somos católicos, que não precisemos nos designar como “tradicionais”, mas que vejam a imagem de Cristo em nós, que todos que estamos na Santa Igreja sejamos exemplo para o mundo, sabendo que somos fracos e mesmo assim instrumentos da Providência Divina.
Ainda mais nós que tivemos a oportunidade de aprofundar nos seus santos ensinamentos possamos ser luz para os outros, como diz o Papa Bento XVI “a primeira caridade deve ser a intelectual, tirar os outros do estado de não saber”, e mais ainda com nossas atitudes no nosso apostolado na Igreja e na nossa vida cotidiana, a quem muito foi dado, muito será cobrado, ou como dizia a Beata Madre Teresa de Calcutá “Tome cuidado com suas atitudes, talvez você seja o único Evangelho que seu irmão possa ler."
Toda uma gama de ideologias ateias inculcou nas pessoas que ser tradicional é algo ruim, as pessoas já partem do principio que “tradicional é antiquado e moderno é a solução pra tudo”, mas com a graça de Deus essa situação se reverterá, a Providência tem os caminhos que no início não entendemos mas que nos levam a Ele, pois a Palavra Dele é eterna.
...permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta” (II Tes. 2,14)
"...O que de mim ouvistes por muitas testemunhas, ensina-o a homens fiéis que se tornem idôneos para ensinar aos outros" (II Tim 2,2).
Jean Carlo da Silva

domingo, 20 de novembro de 2011

Olhos vivos, alma viva

"Meu filho, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á contigo também o meu; meu íntimo se alegrará quando teus lábios falarem o que é reto. Teu coração não inveje os pecadores, mas persevera no temor do Senhor o dia inteiro." Provérbios 24, 15-17
O Padre Paulo Ricardo de Azevedo dizia que a fronteira da Igreja passa dentro de nosso coração, que dentro de nós há um homem novo e santo e o homem velho e pecador, cabe a nós - com nossas atitudes - escolhermos em que lado queremos estar, dentro ou fora da Igreja, ser santo ou pecador.
Bem lá no fundo nós sabemos o que fazer, que devemos nos converter todos os dias, e o dia inteiro, como diz a passagem acima, mas também sabemos que a luta não é fácil, a batalha é as vezes terrível, tentações e dúvidas nos vem de todos os lados. Uma delas, e creio que todos já passaram por essa situação, é a de ter inveja daqueles que levam uma vida fácil, é aquela situação em que nos vemos batalhando e batalhando todos os dias, nos esforçando ao máximo para obedecer e viver os mandamentos de Deus mas a única coisa que ganhamos são mais dificuldades enquanto outros que nada fazem pelo Reino de Deus tem uma vida aparentemente mais feliz, uma vida fácil e próspera materialmente e nos vem a sensação de que nosso trabalho é em vão e a tentação de deixar tudo pro lado e viver como os ímpios.
Esse é um dos pecados contra o Espírito Santo enumerados por Santo Tomás de Aquino como sendo "pecados filhos da preguiça", é o pecado do desespero, não ter esperança que Deus possa mudar a situação, ver os ímpios vencerem e literalmente se entregar a situação, não mais lutar por pensar que nada pode ser feito. Daí vemos uma coisa, que precisamos dar uma parada brusca na nossa vida e reparar nos detalhes, pois Deus é simples, somos nós que complicamos as coisas, devemos ver que a verdade está - como se diz - debaixo do nosso nariz, somos nós com nossos olhos sujos que não a enxergamos.
Paremos um minuto e olhemos para os olhos dessas pessoas ímpias que aparentemente são felizes, como se diz "os olhos são as janelas da alma", essas pessoas tem olhos mortos, olhos fundos e vazios, um olhar sem esperança, aquele sorriso "amarelo" que logo percebemos que é um sorriso falso, que aquilo não é felicidade, que aquelas gargalhadas são somente formas de "maquiar" um vazio aterrorizante, um vazio de quem vive sem Deus, de quem vive o Inferno já aqui na Terra, de quem vive uma vida cheia de desespero, dúvidas e ódio. É esse tipo de pessoa que nós invejamos? Por isso Deus nos adverte, é uma idiotice do tamanho do universo invejar uma pessoa assim.
Por outro lado, vemos os faróis que Deus nos deixou, os santos, olhemos para os seus olhares, são explosões de vida, santidade, serenidade, força e tantas virtudes, parece que vemos o Céu nos seus sorrisos, olhemos para o rosto do Beato João Paulo ll, Madre Teresa de Calcutá, São Josemaria Escrivá e tantos outros, quando a cruz lhes foi entregue ao invés de reclamarem da vida eles as transformaram em ressurreição, transformaram morte em vida, eles venceram o desespero com a esperança, as dúvidas com a fé e o ódio com o amor.
Eles foram sábios verdadeiros, sábios como Deus quer e não sábios para o mundo, obedeceram aos mandamentos e nunca invejaram a miséria do mundo, mas por caridade a quiseram transformar em vida dando a suas vidas por Deus, por isso puderam ouvir de Deus: "Meu filho, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á contigo também o meu", foram felizes aqui na Terra e são felizes por toda a eternidade.
Os santos tem olhos vivos porque tiveram uma alma viva. Que Nossa Santa Mãe Maria - como diz o título da ladainha - "... causa da nossa alegria" nos desvie de todas as tentações, principalmente de invejarmos o que é mau, que ela nos dê força de perseverarmos no temor do Senhor pois essa é a única forma de sermos felizes.
"A suprema felicidade está na contemplação da verdade". Santo Tomás de Aquino
Tiago Martins da Silva

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Em defesa de São Sérgio e São Baco e seus verdadeiros legados

Recentemente escrevi para este blog fazendo um desabafo particular em defesa de São
Francisco de Assis, o grande frade italiano fundador da Ordem dos Frades Menores, os franciscanos, ordem que tanto bem tem feito a Igreja Católica ao longo dos tempos. Agora quero fazer o mesmo, só que em nome de dois soldados romanos que foram elevados a glória dos altares: Sérgio e Baco. O título desta postagem não é parecido com aquela que se refere a São Francisco por falta de criatividade de minha parte. Quis propositalmente fazê-lo assim, pois é meu desejo defender o nome de alguns santos neste espaço que me é oferecido.
Mas quais são afinal as horríveis balbúrdias que fazem com estes dois santos? Grupos a favor das imoralidades homossexuais mais horrendas afirmam veementemente que estes soldados tiveram uma relação homossexual e que era aceita pela Santa Igreja na época sem causar escândalo nas pessoas. Usam essa desculpa para dizerem que Deus não é contra a união homossexual e que foi o clero da Idade Média que começou a incentivar tal condenação, e que tal condenação é preconceito contra as pessoas que escolheram tomar este rumo em suas vidas.
Caro leitor, imagino que neste momento você esteja completamente assustado, se sentindo injuriado com tão grave ofensa a dignidade destes heróis da fé católica que, por sinal, poucas vezes ouvimos seus nomes, se ouvimos, mesmo relacionados a tal imoralidade. Como dizia um monsenhor que passara por minha cidade, num paroquiato marcado por sua santidade, zelo pastoral e piedade, é necessário amarrar o dedo para que saibamos lidar com o inimigo. Então quem foram Sérgio e Baco realmente?
Muito poucos sabemos sobre suas vidas, e um dos poucos dados que há sobre eles é que eram naturais da Síria. Soldados das Legiões da Fronteira, ocupavam altos cargos no palácio de Maximino Daia († 313). Alguns de seus inimigos invejosos os acusavam de serem cristãos, o que os fez serem levados até o templo do deus Júpiter e obrigados a participarem de cultos a esse ídolo, mas sua fé em Cristo era maior que qualquer medo e eles não aceitaram cumprir tal ato. É justamente aí que aparece a causa de problemas quanto a estes célebres personagens da história da Igreja.
Como punição, foram vestidos com trajes femininos e levados as ruas, expostos a vergonha de serem obrigados a fazer tudo ao contrário do que prega a Santa Doutrina de Jesus. Como se tal ridículo não fosse suficiente, seus inimigos espalharam a partir de então que os dois mantinham um relacionamento homossexual. Após sofrerem tal vexame, o imperador, em vão, tentou fazê-los renunciar a fé cristã. Foram enviados ao prefeito do Eufrates, província da Síria, Antíoco, que os condenou a morte, no ano 297.
Submeteram Baco a uma flagelação violentíssima, que logo tirou sua vida, devido aos mais cruéis golpes que sofria. O ódio de seus inimigos era tamanho que sequer o sepultaram, mas alguns cristãos piedosos o fizeram dentro de uma caverna, com toda a dignidade que merece um glorioso mártir da Igreja.
Sérgio sofreu um pouco mais para receber a coroa da glória celeste. Após encherem as solas de seus calçados com grandes e pontiagudos pregos, o obrigaram a andar 29 km sofrendo terríveis dores físicas e morais, até o local onde seria decapitado e mais tarde enterrado. A Igreja celebra a memória litúrgica destes santos no dia 7 de outubro, mesmo dia de Nossa Senhora do Rosário, mais um motivo providencial que mostra a vida santa que tiveram, pois onde reside Nossa Senhora, lá reside também um santo.
Realmente há poucos santos que gozam de histórias mais esplendorosas que estes dois. O que realmente deixaram como maior exemplo claramente foi a sua total fidelidade e adesão a Pessoa de Cristo. Lembrar de dois mártires que sentiram na alma e no corpo as conseqüências do pecado se referindo a eles como casal homossexual é simplesmente uma calúnia sem tamanha, forjada por pessoas sem argumentos que desde sempre acharam e ainda acham que suas vontades são mais importantes e necessárias ao homem que o projeto de Deus.
Mas destes tristes episódios que assistimos ligando o nome de santos católicos aos mais graves pecados devemos tirar sempre uma lição de que se faz necessário lembrar daquilo que Cristo disse aos apóstolos vencidos pelo desgaste físico momentos antes de sua prisão no Horto das Oliveiras: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (cf. Lc 22, 46). Sim, sempre temos que orar e ficar atentos, pois veja como Satanás é astuto: conseguiu, na cabeça dos homens, converter a glória de dois grandes santos em caso de união homossexual, pois isso é o que o demônio consegue fazer, contar uma mentira tantas vezes que as mentes despreparadas comecem a acreditar que é verdade. Porém a Verdade provém de Deus, pois Deus é a Verdade, e embora pareça que Ele demore a nos ouvir, a Verdade sempre virá à tona, Deus nunca falha!
São Sérgio e São Baco, mártires da Santa Igreja Católica; rogai por nós!
João Carlos Resende

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Santos: Sinais de contradição

Radicais tradicionalistas e modernistas se merecem, uns são revolucionários confessos e os outros revolucionários enrustidos.
Depois de um pequeno "debate" com um pseudo-teólogo simpatizante de um grupo tradicionalista radical a cerca da santidade do Beato João Paulo ll, eu me lembrei de uma palestra do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo, baseado nas explicações dadas por ele dá pra perceber que os radicais tradicionalistas (anti-Concílio Vaticano ll) e os modernistas são farinha do mesmo saco.
A explicação era a seguinte: Existem 3 tipos de pessoas, as normais e 2 tipos de revolucionários, um podemos comparar ao clássico caso do adolescente “rebelde sem causa”, ele não aceita mais a autoridade do pai e se agarra a qualquer coisa que o mundo lhe dá só pra fazer um afronte a autoridade. Na Igreja eles seriam os modernistas, que não obedecem mais ao Magistério e se agarram ao mundo, eles mesmos se auto-intitulam revolucionários e preferem morrer com o mundo a aceitar a verdade, pois isso seria “dar o braço a torcer”.
O outro tipo podemos comparar àquelas crianças pirracentas, elas não querem obedecer à autoridade paterna, mas não tem atitude suficiente pra se lançar no mundo então se agarram ao avô, o avô agora é a autoridade, mas pelo simples fato de ele não ser o pai, pra fazer um afronte a autoridade paterna. Na Igreja eles seriam os simpatizantes de grupos tradicionalistas radicais, que se agarram ao passado para fazer um afronte a autoridade vigente do Magistério, inventam mil desculpas para obedecer ao avô e não o pai, no fundo é tudo orgulho, vontade que a opinião pessoal prevaleça.
É próprio da Revolução ir contra a ordem, no caso da Igreja, a ordem é o Magistério, apesar de parecerem antagônicos os grupos acima são muito parecidos, os dois não obedecem ao Magistério e a autoridade do Papa, se baseiam na hermenêutica da ruptura quanto ao interpretação do Vaticano ll, dizem a amar a Igreja pela frente e dão punhaladas pelas costas.
A diferença é que enquanto os modernistas são revolucionários confessos, são rebeldes sem causa e ainda fazem propaganda disso, os radicais fazem isso veladamente, eles são a criança pirracenta que não obedece mais o pai e se esconde atrás do avô.
Um santo sempre nos serve de farol para mostrar onde está a verdade, e uma forma de provarmos claramente que os dois grupos estão vivendo uma mentira é a opinião deles quanto ao Beato João Paulo ll, os modernistas o chamam de conservador e os radicais o chamam de modernista, já repararam que os dois grupos dizem que ele fez um mau para a Igreja? Eles se merecem.
Só um coração de pedra, cheio de orgulho para não reconhecer a santidade desse homem e o bem que ele fez a Igreja, ele se conformou a Cristo literalmente, é sinal de contradição, causa de elevação para os humildes e queda para os soberbos.
"Faltou-lhes graça? Não, pois a graça não falta a ninguém, faltou-lhes humildade" São Luis M. G. de Montfort
Tiago Martins da Silva

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A banalização do amor carnal (Eros)


Qualquer lingüista recomenda que ao escrever o texto a preocupação final seja o título. Contudo resolvi desrespeitar tal regra gramatical desta vez, pois gostaria de começar minha reflexão sobre a desmoralização do amor carnal - o eros - na atualidade a partir de uma comparação entre duas canções que alcançaram um grande sucesso em suas épocas.


A primeira música que proponho para uma breve análise é “A namorada que sonhei”, de autoria do mineiro Nilton César, gravada no auge da Jovem Guarda na década de 70. A música começa com uma oferta generosa de rosas feita pelo eu lírico, que garante que a moça em questão seria a namorada que sonhara por toda a vida, que nada mais pediria a Deus desde que este amor fosse eterno. O mais interessante é o que vem depois, o autor expressa que no futuro se casados ele ainda faria ofertas de rosas, pois seriam eternos namorados.


A outra música em questão é “Ai se eu te pego”, que causa grande explosão de sucesso nos dias atuais na voz de Michel Teló, ao ponto de eu não conseguir descobrir quem foi que a gravou originalmente, mas talvez seja ele mesmo. Nesta composição o autor todo momento deixa claro que seu desejo seria “pegar” a mais linda moça que passara na balada (um ambiente que creio que seja muito favorável para se encontrar um verdadeiro amor, não é?), visto que seria ela uma “delícia”, provavelmente por ter um corpo bonito, pois ela estava matando-o de libido. Na canção a palavra amor e seus derivados são simplesmente ignorados.


Vejamos a que ponto chegou a banalização do amor carnal, o eros. Enquanto em 1970 a canção em destaque falava até mesmo de um amor eterno, com todo respeito, agora em 2011, o tema desta que fica por conta da beleza física da mulher. Ora, sei que a beleza pode ser um fator importante em uma realização, pois é maravilha do poder de Deus, mas não é tudo. A beleza fundamental, como qualquer criança pura sabe muito bem, é a interior, a que há no coração.


Em 2005 o Papa Bento XVI fez uma exposição muito interessante na Encíclica Deus Caritas Est sobre a principal conseqüência desta marginalização desenfreada do eros na atualidade: “o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro ‘sexo’ torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria.” [1] É verdade mesmo. Os relacionamentos atuais parecem casos entre homens e prostitutas ou mulheres e gigolôs.


Agora façamos outra brevíssima reflexão: qual música explodiu com mais impacto no cenário de sua realidade? Com certeza aquela que exalta esse amor ao corpo, e não a que o mostra que o verdadeiro amor é aquele que ama a pessoa integralmente.


Em um site de letras de músicas há mais de 200000 acessos na página de “Ai se eu te pego”, enquanto a canção de Nilton César recebeu 23000 acessos desde a sua criação, isso há uns 5 anos no mínimo. Qualquer criança hoje sabe cantar a música do Michel Teló, enquanto a outra é lembrada apenas por namorados “retrógrados”.


Mas é bom deixar claro que esse mal não é exclusivo deste ou daquele artista, pois é uma tendência da atualidade; é um dos resultados do modernismo já condenado pelo grande São Pio X.


Não é minha intenção usar este espaço para influenciar qualquer pessoa que seja a ir contra alguém. Jamais quis isto. Minha intenção, assim como de todos os que ouvem a voz de Sua Santidade Bento XVI é condenar mais um atentado contra o Matrimônio, sacramento tão desvalorizado hoje em dia.


Mais uma vez Bento XVI deixa evidentes indícios de que é um grande candidato a se tornar Doutor da Igreja um dia. Ele salienta que para haver uma relação verdadeiramente amorosa entre duas pessoas é preciso entender que “nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade, é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor (o eros) pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza.” [2]


Creio que após esta pequena análise fica mais fácil entender o motivo de haver tantos divórcios, tantas traições e tantas insatisfações entre os casais. Creio que falta às pessoas entenderem que o corpo bonito daquele com quem você escolheu viver amanhã pode estar todo acabado, e que um relacionamento só pode dar certo se haver amor, um amor que não olha as aparências, mas sim a alma.


“Uma relação amorosa é uma coisa muito séria. Não é a toa que um dos símbolos do amor é uma chama de combustão, pois com fogo não se brinca,assim como com o amor. Quem se arrisca irresponsavelmente sofre sérios danos.” [3]


João Carlos Resende


[1] Encíclica "Deus Caritas Est", I parte, parágrafo 5.


[2] Idem.


[3] Dom Frei Célio de Oliveira Goulart, homilia da Santa Missa de Crisma em Resende Costa-MG. 22/10/2011.

domingo, 23 de outubro de 2011

A persistência e a fé conduzem à vitória


Muitas vezes nos deixamos vencer muito facilmente, em qualquer desafio ou obstáculo que a vida nos impõe. Diante de nossas desistências e de nossos pessimismos é simplesmente impossível alcançarmos os nossos objetivos. Com certeza se Cristo tivesse desistido de carregar a cruz até o Calvário e ser tão forte para morrer como morreu, a história do mundo tomaria outros rumos. Mas Jesus foi persistente e nos deixou maravilhoso exemplo.

Diante desta breve reflexão quero expor um exemplo acontecido em minha vida. No início de setembro minha avó materna, Maria Rosária de São José, uma católica muito fervorosa, mãe de 13 filhos e há 56 anos casada com meu avô fez um exame para descobrir o que causava as fortes dores que sentia ao lado da barriga. O resultado chocou o médico e ele a pediu que fizesse exames mais sofisticados e apresentasse a outro médico. Este ao ver os novos exames relatou a meus tios que um de seus rins já havia desaparecido, e que isso deveria ter sido causado por um câncer, mas pediu para que ninguém contasse a ela a situação sem ao menos passar por um especialista da área.

Ao ficar a par da situação, minha mãe, Jacinta Aparecida, 42, ficou profundamente contrariada pela iminente morte daquela que a havia criado e começou a fazer coisas simples de uma maneira conturbado. Seu comportamento descontrolado a fez sofrer uma constipação muito forte, a levando a um derrame pleural.

Minha mãe sempre se fez de muito forte e dizia que estava tudo bem. No sábado dia 1/10, após participar da missa na Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha de França, Resende Costa/MG, minha mãe foi a emergência do Hospital da cidade para ser atendida por um médico para saber a gravidade de sua situação.

O médico, após examina-la, lhe disse que necessitava de repouso, pois segundo ele estava com um simples resfriado. Minha mãe seguiu as recomendações do médico, mas sua dor na região da caixa torácica só aumentava. Na terça dia 4 ela volta ao Hospital e ao passar por um exame de raio-X a médica lhe alertou sobre seu estado gravíssimo e a internou para tratamento.

Os médicos procuraram-nos e nos disseram que dentro de seus pulmões havia 7 litros de água, mais ou menos. Entramos em desespero, pois apenas minha mãe corria sérios ricos de morrer e chamamos o pároco para lhe ministrar o sacramento da Unção dos Enfermos. No dia 5 tive a idéia de fazer uma novena a São Geraldo Magela, lhe pedindo a cura de minha avó e minha mãe.

Mas uma casa sem uma mulher não fica muito bem arrumada. Estando meu irmão de 11 anos extremamente amargurado e meu pai tão chateado que parecia uma criancinha foi preciso que eu assumisse o controle da situação em casa, o que me deixou extremamente cansado. No dia 6, sem tempo devido às atividades domésticas que não são poucas aqui, deixei para fazer minhas orações da novena antes de dormir.

Estando minha mãe melhor de saúde e eu exausto pelo serviço do lar, quando ia rezar, já tarde da noite, me veio uma idéia de deixar a novena de lado naquele dia e começá-la novamente no outro dia. Já havia arrumado minha cama e fazia um frio imenso. Estava apenas com um pijama fininho e quando ia repousar decidi fazer a oração do dia. Caindo de sono rezei a meu santo querido, sem qualquer piedade, mas movido pela minha persistência.

Já no dia 7, dia de Nossa Senhora do Rosário, padroeira de uma igreja que fica a poucos metros da minha residência, minha mãe estava sem risco de morte iminente. No dia 11, 7° dia da minha novena, minha mãe recebeu alta. Não desisti, pois São Geraldo havia me provado que devemos sempre persistir.

No dia 13, último dia do novenário, o especialista em doenças renais apresentou o resultado dos exames realizados pela minha avó materna. Apesar de parecer um câncer avançado seu estado de saúde estava bom. Seu rins haviam atrofiado em um dos partos, causando assim enormes dores, mas esta situação não compromete seu estado de vida.

Ao saber disso logo decidi contar o meu caso a todos quantos forem possíveis, até quando minhas forças permitirem. Disso tirei um exemplo para minha vida. Certamente não teria alcançado tais graças com tanta rapidez se não tivesse persistido diante de meu cansaço. São Geraldo me mostrou que muito mais que qualquer coisa Deus olha as nossas intenções e principalmente nossa persistência; o quanto lutamos. Espero que este exemplo seja útil para todos.

Não há palavras que eu encontre para agradecer a meu bondoso advogado, o glorioso São Geraldo Magela, mas devo tudo isto a ele. Depois disso só desejo que as pessoas tenham fé e persistência, pois estas nos levam sempre à vitória em Deus.

São Geraldo Magela, rogai por nós!

João Carlos Resende

P.S.: Oração a São Geraldo Magela nesse link

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Minha Batalha de Lepanto


"Por meio desta devoção à Maria, cheguemos mais depressa a Jesus, e como na batalha de Lepanto, Nossa Senhora do Rosário nos leve à vitória em todas as lutas da vida."

Tive a graça de passar meus tempos de infância num ambiente onde se costumava rezar o terço com freqüência, capitaneados pela minha avó paterna tinhamos o costume de fazer várias novenas e rezar em ocasiões especiais. Como criança e depois como adolescente, mesmo não dando o apreço necessário a isso, lá no fundo eu sabia que era uma coisa muito boa, que era um caminho correto.

Com o falecimento da minha avó as coisas se "esfriaram", esses momentos passaram a ser coisas raras, não por coincidência foi a época que eu comecei a me afastar da Igreja e começar a dar mais atenção a coisas que não me aproximavam de Deus.

Apesar desse afastamento, Deus tinha cravado no meu coração duas coisas que serviriam de anzol pra quando Ele me chamasse de volta, era o respeito a Eucaristia e a Nossa Senhora.

"Soube-se depois que, no maior fragor da batalha, os soldados de Mafoma tinham avistado acima dos mais altos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador."


Na Batalha de Lepanto era necessário que os príncipes católicos deixassem seu orgulho de lado, suas picuinhas e se unissem ao Papa para que assim tivessem força para lutar em nome de Deus contra os infiéis muçulmanos. Deus os chamava para lutar pelo único objetivo que vale a pena. Depois de aceitarem entrar na batalhar tiveram inúmeras adversidades mas por causa da intercessão de Nossa Senhora, Auxilium Christianorum, eles venceram.

Também foi parecida a minha batalha, Deus me chamava de várias formas, martelava minha consciência, principalmente ele me mostrava que nas horas de perigo eu poderia contar com Nossa Senhora. A mensagem de Fátima sempre me era exposta, "rezai o terço todos os dias", eu até tentava, mas inventava desculpas pra mim mesmo e não continuava, do mesmo modo que os príncipes cristãos se desculpavam para não entrar na Batalha.

O orgulho me cegava, eu preferia vencer sozinho, pra quer lutar com outros seu eu posso vencer por mim mesmo?
O Sultão otomano traiu o acordo feito com o governante Veneziano e atacou o seu território, foi preciso que os príncipes cristãos sofressem para perceber que a luta era necessária, e que só é possível vencer quando se combate por Deus e para Deus.

Foi preciso que eu sofresse nos meus olhos físicos para começar a enxergar com os olhos espirituais, foi preciso eu me sentir impotente para perceber que meus planos não são nada, eu sabia que Deus era maior que tudo, mas não vivia como se Ele fosse, era hora de tomar juízo e colocar Deus em primeiro lugar se não a batalha da minha vida estaria perdida.

Costumo dizer que Nossa Senhora é ruim de matemática, pois damos uma pequena coisa a e Ela nos retribui dez vezes mais, uma pequena abertura que dei a Deus e Ela começou a me retribuir com graças que nunca pensei que fosse ter. A semente que Ela mesmo plantou na minha infância agora fazia germinar com mais força, ele me arrastava a oração do terço diário.

Como disse, quando era criança não entendia muito bem a oração do terço mas sabia que era algo bom, já quando adulto recebi o convite de entrar na Congregação Mariana, eu não conhecia nada a respeito, mas sabia que ela era de Nossa Senhora, então só poderia vir algo bom.

Dentre inúmeras coisas que me levaram a entender a necessidade de rezar o terço diariamente destaco uma: Certa vez começaram a rezar o terço e eu não tinha um comigo, uma mulher me disse: "mas como pode um congregado andar sem um terço?", isso me acordou, eu já percebia a graça que era ser congregado mariano e devia corresponder mais ainda a Nossa Senhora, além de carregar, eu precisava aprender a rezar o terço.

Quase na mesma época eu comecei a trabalhar no meu emprego que estou hoje, que fica numa cidade vizinha, comecei a aproveitar o tempo no ônibus até o serviço pra rezar o terço diariamente, no começo eu o ouvia no mp3 e acompanhava e com o tempo comecei a rezar normalmente.

Depois de um certo tempo reparei na coincidência, ou melhor, Providência, esta cidade tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário, era Ela me chamando a esta cidade pra que eu aprendesse a rezar.

Nossa vida de conversão é contínua, mas nela temos certos estágios, aconteceu algo que me fez passar por mais um, me animar ainda mais a crescer na fé, que foi a visita a Administração Apostólica São João Maria Vianney, na cidade de Campos - RJ, onde se mantém viva a Tradição e a celebração do Rito Extraordinário da Missa, mais uma vez era Ela me chamando, a Igreja Principal (o que equivaleria a catedral) de lá tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Este ano passei por mais uma situação no qual percebi Nossa Senhora me amparando, Ela me fez "cair do cavalo" novamente e perceber que dar uma de super herói e querer resolver as coisas sozinho só nos afastam de Deus, perceber que minha força não é nada e a Misericórdia de Deus é tudo, como uma Mãe de verdade, Ela sabe ser ter ternura e força ao mesmo tempo.

Esses são apenas alguns fatos dentre tantos acontecidos, se fossemos contar quantas vezes Nossa Senhora intercedeu na nossa batalha diária escreveríamos um livro. Assim é a nossa vida de conversão, perdemos uma batalha e as coisas começam a parecer difíceis de serem resolvidas, mas como na Batalha de Lepanto, as coisas tinham tudo pra dar errado, mas Ela apareceu e pôs os inimigos a bater em retirada, recobrando as forças, dando as armas necessárias para o combate e a vitória.

A Rainha e o Rei do Universo nunca deixarão que um súdito se perca.

Tiago Martins da Silva

[1] Minha avó é o maior exemplo de fé entre as pessoas que convivi pessoalmente, sempre a vi colocando tudo em primeiro lugar nas mãos de Deus, sem reclamar e nunca perder o sorriso mesmo enfrentando uma doença séria no final da vida. Sei que hoje ela faz mais ainda por nós, ela é a personificação da afirmação de Santa Teresinha: “... passarei o meu Céu fazendo o bem aqui na Terra.”

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Em defesa de São Francisco de Assis e seu verdadeiro legado


É revoltante: todos os anos, quando se inicia o mês de Outubro, lembram de São Francisco de Assis e logo que citam seu nome já vem com aquele discurso de planta pra lá, animais pra cá, chega a dar náuseas. Há católicos - ou como dizia Dom Eusébio Scheid, caóticos - que sequer citam o nome do santo; já vão logo falar de peixes, cachorros, gatos, galinhas, gramas, Amazônia e assim por diante. Isso é luciferino.


Tudo bem, qualquer um que tenha o bom senso vindo de Deus sabe que a Igreja deve mesmo defender a natureza, pois o Senhor a criou demonstrando ali como é poderoso; para isso basta observar a beleza das rosas e a brancura dos lírios.

As plantas e os animais foram criados para servir ao homem, e em troca este lhe deve tratar com benevolência. Mas há certas pessoas que querem que seja o contrário: o homem é que deve servir a natureza. Eu lhe proponho um teste: vá a São Paulo no Hospital das Clínicas e provoque um aborto. Você vai sair de lá como estrela de capa de revista, pois “o mundo não suporta mais pessoas”. Agora, vá a Fernando de Noronha e quebre um ovo de tartaruga para ver se você não vai parar atrás das grades, e em certos casos ainda vai ter que responder em julgamento.


São Francisco não defendeu nunca a natureza como se fosse um homem ou até mesmo um deus, assim como nenhum santo. São Francisco fez muito mais que isso: cuidou do homem, da alma das pessoas. Fundou uma Ordem para reformar a Igreja sem destruí-la. São Francisco trouxe os valores evangélicos de volta para uma época marcada pelo luxo e pela ganância. São Francisco se antecipou a cumprir o ensinamento de Bento XVI: a primeira ecologia a ser defendida é a "ecologia humana" [1], pois muito mais importante que salvar a natureza é salvar a alma.


São Francisco deve ser lembrado primeiramente por ser aquele jovenzinho que segurava a Basílica de São Pedro no sonho de Inocêncio III; por ser o fundador de uma ordem que deu um Santo Antônio de Pádua, um São Boaventura, um Santo Antônio de Sant’Ana Galvão e tantos outros santos a Igreja; por ser um fiel seguidor de Cristo.


Que justiça seja feita a este nobre santo. Aposto que se ele estivesse vivo aqui na Terra negaria veementemente que deu mais valor à ecologia que a vida humana. Com certeza São Francisco diria que esse inflamado discurso ecológico é mais uma arma do Demônio para desviar almas de Deus.

João Carlos Resende

domingo, 2 de outubro de 2011

Um ex-ouvinte de rock

Nesses últimos dias vivemos no Brasil a efervescência do festival Rock in Rio, toda a mídia fala do mesmo e todos
tem uma opinião a respeito. Venho aqui compartilhar algumas palavras, palavras de um ex-ouvinte de rock , e como percebi que este estilo de música deixava minha alma perturbada.
Eu ouvi rock por 10 anos na minha vida, 5 deles foram num período que eu estava a afastado da Igreja, só ia por ir e sem fazer força alguma para entender a minha fé. As coisas começaram a mudar quando aconteceu um fato na minha vida que Deus se serviu para me "acordar" e perceber que uma vida onde Deus não está em primeiro lugar não vale a pena, a partir disso tive que mudar todos os meus conceitos e objetivos na vida.
Na época eu ouvia 4 grandes bandas, Guns N' Roses, Iron Maiden, Metallica e Dream Theater e também músicas esporádicas de outras bandas medianas. Mas depois que vivi esse primeiro momento de conversão percebi que a mensagem que as bandas passavam era incompatíveis com a minha fé e eu já tinha a noção clara que a fé católica deveria moldar a minha vida.
Por exemplo, 40% das músicas dos Guns N' Roses falam de drogas, outras 40% de prostitutas e 9% falam de drogas e prostitutas na mesma música. O Iron Maiden tem em seu maior hit a canção "The Number of the Beast" (O Número da Besta), e outras como "The Fallen Angel" (O Anjo Caído), Children of The Dammed (Filho do Amaldiçoado), além de várias canções que fazem sátiras com a fé.
Não dava mais pra conciliar esses dois mundos, com o meu avanço fui conhecendo ainda mais o canto gregoriano e a música clássica e percebia como ouvir esses estilos me deixava em paz, tranqüilo, menos ansioso e nervoso na hora de tomar decisões importantes e conseqüentemente tomando decisões mais acertadas.
Ao contrário, percebia que ouvir rock me deixava inquieto, com uma sensação de perturbação, perdi a graça em ouvir as bandas medianas mas continuava ainda ouvindo Metallica e Dream Theater pois suas letras eram bem mais inteligentes, mas lá no fundo minha alma dizia que havia algo de errado, isso me causava um efeito dopante parecido aos das drogas, me sentia bem quando ouvia mas depois me vinha uma sensação de vazio muito grande.
Aí a Misericórdia Divina me salvou mais uma vez através das mãos do Pe. Paulo Ricardo, numa palestra dele eu entendi o porquê desse estilo de música me deixar inquieto, consegui teorizar o que eu sentia na prática. Na palestra ele explicava que o ser humano é composto de 3 faculdades, a concupiscível, a irascível e a intelectiva.
Ele explicava que a capacidade irascível é responsável pela força de vontade e percebi - como qualquer pessoa que ouve rock percebe - que a audição desse ritmo dá essa sensação de força de vontade e atitude, é a mesma sensação que a bebida causa a alguns. Daí "caiu a ficha", o rock mexe com a nossa faculdade irascível, percebi que isso tudo me deixava inquieto por que mexia com a faculdade que causa a ira, a raiva, servia de motor para que se houvesse situações onde a agressividade ficasse saliente eu não conseguisse me controlar do jeito que deveria.
Por isso também entendi que ouvir canto gregoriano mexia diretamente com a minha faculdade intelectiva, isso me deixava em paz, pois nós somos ordenados para que a faculdade intelectiva controle as outras faculdades, se as outras faculdades inferiores controlarem as superiores todas nossas ações e decisões são tomadas baseadas em paixões desordenadas e não com nossa capacidade racional, que é o que nos separa dos animais.
Refletindo vi que tinha chegado ao ponto que não dava mais, como dizia Platão: "verdade conhecida, verdade obedecida", não dava mais pra mentir pra mim mesmo que isso não me fazia mau e ia em caminho contrário a minha fé, não dava mais pra andar com um pé em cada mundo e pior, sabendo que um pé andava por um mundo escorregadio e inseguro.
Não é fácil largar algo que você teve como certo durante muito tempo, o orgulho ferido que há em nós nos dá uma sensação de que fomos derrotados e ficamos pedindo pra voltar atrás. Não é fácil, mais que esforço próprio precisamos recorrer a Misericórdia Divina, isso tudo é uma penitência diária, é deixar um prazer por um bem maior, ou melhor, pelo Bem Maior.
‎"A música é a expressão da harmonia universal e celeste, que serve para moldar a alma humana!" (Santo Tomás de Aquino)
Alguns adendos:
Na palestra "Música e liturgia" o Pe. Paulo Ricardo diz que o rock é um ritmo revolucionário em sua essência pois ele faz uma inversão na lógica musical colocando o ritmo sobre a melodia e harmonia enquanto que a alma humana é ordenada a entender o ritmo sob os outros dois, isso é um dos motivos que faz o rock causar inquietação na alma.
O demônio é astuto e usa muito o rock pras suas artimanhas, eu nunca ouvi Ozzy Osbourne mais sei que ele tem uma música chamada "Mr. Crowley" onde ele fala do satanista Alistey Crowley, na música o autor fala mau dele, diz que ele é um "mágico" farsante e mentiroso, mas... aí está a artimanha maligna, imagina quantos jovens tiveram curiosidade de conhecer os livros de Alistey Crowley por que o seu ídolo Ozzy Osbourne fez uma música dedicada a ele, quantos foram pegos nessa rede.
Uma coisa até engraçada que está acontecendo, antes, quem não ouvia rock me olhava com aquele olhar “ih, ele é doido”, agora os que ouvem me olham tipo “ih, ele virou puritano”.
Mais uma palestra do Pe. Paulo que fez reforçar minha decisão, foi a palestra "Consagra-te à Virgem Maria – parte 2” onde ele ensinava como nos consagrarmos totalmente a Nossa Senhora, que nós devemos nos perguntar, por exemplo: “Minha casa não é mais minha, ela é de Nossa Senhora, como Nossa Senhora gostaria que fosse minha casa?” “Minhas roupas não são mais minhas, como Nossa Senhora gostaria das minhas roupas”? Então eu pergunto, minhas músicas não são mais minhas, são de Nossa Senhora, será que Nossa Senhora está gostando do que estou ouvindo?
“...eu vos consagro nesta noite (dia): os meus olhos, os meus OUVIDOS, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.”
Tiago Martins da Silva

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Santa Maria, Mãe de Deus!

Não entendo como passados 2000 anos ainda há pessoas que não confessam que a Virgem Maria é a Mãe de Deus.
Algo que parece tão óbvio para nós católicos tem sido acusado por muitos protestantes como um empecilho para a volta a Comunhão com Pedro.
Santa Isabel, esposa de São Zacarias e mãe de São João Batista, que anunciou a vinda do Messias, foi muito clara ao receber a visita de Maria em Ain-Karin, cidadezinha onde morava: “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?” (cf. Lc 1, 43). Sabemos muito bem que os judeus não chamavam mais ninguém de Senhor que o próprio Deus.
Muitos que tanto valorizam a Bíblia não entendem isto, não sei a razão. Mas talvez sua incredulidade surja devido a uma confusão que fazem muitos católicos e até protestantes. Como disse São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja, é lógico que não foi Maria quem criou o Verbo de Deus; Deus é incriado, sempre existiu por causa própria. Mas Maria, por vontade de Deus, tendo em vista a salvação nossa, se tornou verdadeiramente a Mãe de Deus humanado.
Cristo não é apenas homem ou apenas Deus: Ele possui as duas naturezas, portanto, se Maria é mãe do Jesus homem, uma vez que lhe deu carne humana, logo é também mãe de Jesus Deus. Portanto, “negar que Maria seja Mãe de Deus é o mesmo que negar que Jesus seja Deus” [1].
Não sei se não aceitam o dogma da Maternidade Divina de Maria, solenemente proclamado pelo Concílio de Éfeso em 431, por outras razões ainda. Outras tentativas de justificativas seriam as de que jamais Deus poderia se humilhar a aceitar por sua Mãe uma criatura sua, visto que Ele se rebaixaria a um nível abaixo de sua criação. Mas não parece ser bem assim, afinal, “que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?” [2]
Se não entendem ainda assim que Maria é mesmo Mãe de Deus, perdoe-me os incrédulos e descrentes, mas tudo parece ser um simples fechamento de coração às Sagradas Escrituras e às palavras dos Santos Doutores. Nós que temos a oportunidade e a sorte de contemplar este mistério só podemos exultar de alegria em profundo êxtase. Contudo, “não é Maria que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória” [3].
João Carlos Resende
[1] Por que sou católico? - Prof. Felipe Aquino, pág. 129.
[2] São Cirilo de Jerusalém
[3] Homilia sobre a dormição de Nossa Senhora, festa da Assunção - São João Damasceno

sábado, 17 de setembro de 2011

A tentação do poder

Num destes dias atrás vi passar na TV uma propaganda promovendo o Concurso de Miss Universo.
Passava ali várias moças com corpos muito bonitos e lindas feições faciais, cada uma oriunda de um país diferente, todas elas sorridentes, com cabelos bem penteados, vestidas com grifes famosas e muito bem maquiadas. À primeira vista tudo muito perfeito, mas se analisarmos bem o caso poderemos até ter nojo provocado por aquilo que está debaixo de suas maquiagens e pelo que se sucede atrás das câmeras e dos holofotes.
O que faz com que deixem suas casas, seus familiares e muitas vezes até seus empregos? Uma terrível sede de poder, que vem através da fama e do dinheiro. Sabemos muito bem que a vencedora deste concurso não ganhará pouco dinheiro e irá faturar uma bolsa de estudo muito bem conceituada internacionalmente. Também terá seu nome lembrado durante anos pela mídia. Mas será que vale a pena se expor tanto? Será que vale a pena seguir esse falso deus que é o sucesso mundano?
Primeiro vamos analisar a tentação da riqueza. O Cardeal inglês John Henry Newman, a pouco beatificado pelo Papa Bento XVI explica isso de uma forma melhor. Ele diz que “a riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa de homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a fortuna, medem também a honradez... Tudo isso vem da convicção de que tendo riqueza, tudo se consegue. A riqueza é, pois, um dos ídolos atuais, da mesma forma que a fama...”
Newman também fala um pouco sobre a tentação da fama: “A fama, o fato de alguém ser conhecido e fazer estardalhaço na sociedade (o que poderíamos chamar de notoriedade da imprensa), chegou a ser considerada um bem em si mesma, um sumo bem, um objeto, também ela, verdadeira veneração”.
Newman é perfeito em sua análise destas duas tentações que tanto mexem com a cabeça do homem moderno. Sempre vale lembrar que Cristo também foi tentado por Satanás, e este chegou a lhe oferecer até mesmo o poder de todo o mundo. Alguém que tem o poder sobre o mundo em que vivemos com certeza o adquiriu por meio da fama e do dinheiro, pois só assim poderá reinar e governar isso aqui.
Mas Jesus deu uma verdadeira bofetada em Satanás usando para isso a Palavra de Deus: perante a proposta de que para adquirir o poder deveria adorar o Maligno, o Santo Messias lembrou o que diz a Sagrada Escritura: “Adorarás somente o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás”. Mas para dar esta resposta ao Maligno,Cristo se preparou: orou durante vários dias no deserto e fez jejum, por isso estava inspirado.
Maria também poderia ter se aproveitado da boa vontade dos Apóstolos e dos primeiros seguidores do Santo Cristo para ter fama pelo fato de ser a Mãe Daquele que fundou a Santa Igreja de Deus, mas era toda pura e o pecado não estava nela. Viveu, pois, sua vida na humildade até o dia em que o Senhor lhe chamou a desfrutar as delícias da glória celeste.
Cabe também a nós escutar ou não este apelo de humildade que o Senhor nos faz. São dois caminhos diferentes, mas o sensato saberá escolher o melhor; o da glória terrena, que passa pelo oba-oba e acaba com a morte, para então vir uma possível desgraça ou o da glória eterna, que passa pela cruz do silêncio, do esquecimento e da humildade.
João Carlos Resende

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Avante vamos, batalhão sagrado!

Salve Maria!
Nossas Congregações Marianas estão desanimadas? [1]
Usando a linguagem popular, hoje em dia vemos muitos movimentos na Igreja "fazendo barulho", sendo reconhecidos, aplaudidos e com seus membros a todo vapor, e por isso muitas vezes ficamos incomodados e nos perguntamos: Nossa Congregação Mariana está desanimada? Eu estou desanimado? Estaríamos nós fazendo algo de errado?
Para começarmos a encontrar a resposta é muito bom que conheçamos primeiro o sentido das palavras que compõem nossa pergunta inicial, sabermos o que é uma Congregação Mariana e o que quer dizer a palavra "animada".
Congregar é o ato de unir várias pessoas em torno de um objetivo, como somos uma Congregação Mariana, fica óbvio que somos um grupo de fiéis unidos no objetivo de fundamentarmos e aumentarmos nossa devoção a Nossa Senhora, pois sabemos que Ela é o caminho mais seguro até seu Filho Jesus.
Passemos então a segunda parte, o que quer dizer a palavra “animada”? O verbo animar deriva-se da palavra em latim "anima", que significa “o princípio intrínseco daquilo que se move” [2], é o que faz cada coisa mover-se ao objetivo para qual ela foi criada, então, tudo aquilo se move a um certo objetivo está “animado”.
Como foi dito acima, o objetivo da Congregação Mariana é solidificar a devoção a Nossa Senhora em seus membros, todas as suas ações tem como objetivo nutri-los para eles tenham forças espirituais em todas as ações de sua vida, sejam elas na sua ajuda a Igreja, nas suas famílias, no trabalho ou em qualquer outra área, como nos ensina nossa Regra de Vida Nº 11 que nos propõe “a busca permanente da santidade pessoal pelo crescimento da vida cristã, no seguimento de Jesus Cristo, através de um ardentíssima devoção, reverência e amor filial à a Virgem Maria”.
Então pergunto novamente: Nossas Congregações Marianas estão desanimadas? Não, elas não estão desanimadas, por que elas vem cumprindo o seu objetivo, que é animar seus membros, ou seja, move-los em direção a Maria.
Em cada reunião, em cada hino cantado, em cada conversa entre os congregados e novas amizades construída na fé, em cada Adoração ao Santíssimo ou terço rezado, em cada visita a um doente ou a uma Congregação vizinha, em cada romaria e principalmente na Romaria a Aparecida do Norte, em cada ato de caridade, mesmo que ele pareça pequeno, vemos a nossa devoção a Nossa Mãe Santíssima se solidificar cada vez mais.
As vezes a maioria das pessoas acha que para um grupo na Igreja ser considerado bom, ser considerado animado ele precisa estar fazendo esse barulho dito a cima, estar sendo reconhecido por todos, precisa estar lotado de pessoas, mas não é assim.
Vejamos Nossa Senhora, Ela viveu sempre em silêncio, mas sem deixar de trabalhar um minuto para a Glória de seu Filho Jesus. Assim também são nossas Congregações, cada um que vem aqui numa reunião ou num momento de oração vem para nutrir-se da espiritualidade de Maria para depois continuar em silêncio seu trabalho pela edificação do Reino de Deus.
Deus sabe tudo de bom que você faz, na Igreja, na sua família, no seu lazer ou no seu trabalho, e bem lá no fundo você sabe que a Congregação Mariana tem uma parte importante nisso tudo, é ela quem te põe mais perto da Virgem Maria.
Em silêncio Nossa Mãe arrasta multidões para o Seu Filho, em silêncio ela nos ajuda, e é assim que ela nos dará graças necessárias pra continuarmos firmes, e para que mais pessoas queiram fazer parte de nosso grupo, quanto mais pessoas virem que aqui é um lugar onde Nossa Senhora mora, mais pessoas vão querer estar aqui.
Não desanimemos, as vezes vejo pessoas dizendo que se não conseguirmos muitos e muitos novos membros a Congregação Mariana se extinguirá em poucos anos. Mas porque tanta falta de esperança? As Congregações Marianas estão de pé há 450 anos, e não é por nossa força, é pela força de Nossa Senhora, Ela quis que a Congregação fosse fundada, Ela a mantém todo esse tempo e a Congregação só se extinguirá um dia se Ela quiser. Ela nos deu a Congregação Mariana de presente, para que batalhássemos ao seu lado, por Ela, por Seu Filho Jesus e pela Igreja.
Quando pensamos que fomos nós que escolhemos sermos congregados marianos estamos errados, foi Ela quem nos escolheu, foi Ela quem nos fez olhar de um jeito diferente para aquelas fitas azuis carregadas por algumas pessoas na Igreja, aquela fita da cor de seu manto, foi Ela quem te chamou para estar aqui, ser congregado mariano é uma vocação dada por Deus aos filhos que Nossa Senhora escolheu. Como dizia o texto de um congregado que li a pouco tempo: "A Congregação não precisa de mim, mas eu preciso dela".
Não desanimemos, pois os nossos objetivos estão sendo cumpridos, amamos cada vez mais aquela Senhora vestida de azul. Façamos como o exemplo de dois jovens congregados marianos, um fundou uma Congregação quando era adolescente, logo depois perdeu seu irmão na Guerra e seu pai morreu doente, ficou órfão em meio as perseguições comunistas na Polônia e o outro teve a sua Congregação Mariana destruída por nazistas na Alemanha em meio a Segunda Guerra Mundial, por causa da intercessão da Virgem Santíssima eles nunca desanimaram, sempre lutaram por Cristo e esses jovens tornaram-se respectivamente o Beato Papa João Paulo ll e o Papa Bento XVl.
Não somos nós que animamos a Congregação Mariana, é Nossa Senhora que nos anima, não desanimemos, Nossa Senhora está conosco: "Avante vamos batalhão sagrado, em nome da Virgem da Conceição, cerremos as fileiras, soldados do Senhor!".
Tiago Martins da Silva
[1] Esta mensagem foi composta para o retiro anual das Congregações Marianas da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim – ES
[2] Em termos filosóficos, MOVIMENTO não o tem o sentido corriqueiro que estamos acostumados a usar, que é mover-se de um LUGAR físico a outro, no caso acima MOVIMENTO designa mudança de um ESTÁGIO a outro, como por exemplo, a madeira que se queima e torna-se carvão MOVEU-SE de madeira a carvão, a árvore que um dia foi semente MOVEU-SE de semente a árvore.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O vírus Ratzinger

Vírus instalado, sistema infectado. O fim dos hereges está próximo.
(Clique na foto para ampliar)
"A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre as experiências históricas amargas às quais ele conduziu. Compreenderiam então que não se trata, de modo algum, de abandonar uma via eficaz de luta em prol dos pobres em troca de um ideal desprovido de efeito. Trata-se, pelo contrário, de libertar-se de uma miragem para se apoiar no Evangelho e na sua força de realização".
Libertatis nuntius - Instrução sobre alguns aspectos da «Teologia da Libertação » Congregação para a Doutrina da Fé - 1984
Tiago Martins da Silva

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quem provocar a queda de um só destes pequenos...

Quem provocar a queda de um só destes pequenos que crêem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar”. Mt 18, 6
Sem sombra de dúvida atravessamos um dos tempos mais difíceis para a infância e a juventude em toda a história. Nossas crianças e nossos jovens se encontram diante de dois caminhos: o do Senhor e do mundo. Aparentemente o caminho que o mundo apresenta é o melhor: a diversão e o prazer disfarçam a quebra de valores indispensáveis para a vivência de uma vida reta e saudável. A criança cresce jogando jogos violentos, que incitam o ódio e a destruição, escutam músicas com letras que aos poucos corrompem as inocentes mentes e ainda encontram, em muitos lugares, um ensino cada vez menos comprometido com os valores cristãos.
Já a juventude vive aquilo que aprendeu na infância. Os controles de vídeo-game são substituídos por armas que são cada vez mais usadas com incoerência. As músicas com letras ridículas impulsionam a curiosidade por conhecer o álcool, drogas e a promiscuidade. Isso torna-se um ciclo vicioso, vemos crianças agindo como adolescentes, adolescentes querendo os direitos dos adultos sem querer os deveres deles e com isso vemos adultos mau formados, agindo como crianças.
O ensino público - em grande parte - contribui para o afastamento dos jovens da Igreja, pois são contadas mentiras absurdas sobre a Igreja Católica, principalmente nas aulas de História e Ciências, colocando a Igreja como se fosse uma assassina em série e inimiga da razão e das ciências. Além disso nossa educação está sendo moldada por ensinamentos imorais que propagam uma sexualidade completamente desorientada, que abandona a afetividade, a busca pelo amor verdadeiro e colocam a busca pelo prazer como meio de vida.
Assim como a infância do passado é a juventude de hoje, esta última será a terceira idade no futuro, naturalmente. Mudá-la completamente é quase impossível. Então o que devemos fazer? Investir na formação de nossas crianças, orientar depois os jovens e adultos para, novamente, termos a honra de aprender com os idosos, como outrora acontecia, pois este é o caminho do Senhor.
Que São José, que tanto zelou pelo Menino Deus proteja as nossas crianças e jovens. Que Deus nos dê a Sua benção e Sua graça!
João Carlos Resende

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vocação Religiosa


“Feitos retumbantes não são para mim, que não posso pregar o Evangelho e nem derramar o meu sangue ...Mas isso que importa? Nos lugares certos os meus irmãos trabalham e cobrem minha ausência e de outras pessoas. Meu posto como “criancinha” que sou, é junto do trono real, amando pelos que combatem”. Santa Teresinha do Menino Jesus

São Geraldo era italiano e irmão redentorista (Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por Santo Afonso de Ligório). Uma vez, ouvindo um devoto falar deste santo, ele me disse: “São Geraldo parecia uma mula, de tanto que sofria”. Santo Antônio era português e frade franciscano (Ordem Franciscana, funda por São Francisco de Assis), é Doutor da Igreja; sua língua ainda está intacta, pois a usava como espada na luta contra os hereges. Santa Rosa de Lima era peruana e dominicana (Ordem Terceira Dominicana, fundada por São Domingos de Gusmão), a primeira flor do Novo Mundo; padroeira da América do Sul. Muitos são os santos que possuíam a mesma vocação: religiosa.

A vocação religiosa está desde sempre presente na vida da Igreja. Para serem seus apóstolos, Cristo chamou apenas homens, mas as Sagradas Escrituras nos dizem que algumas mulheres O seguiam e O ajudavam com orações e bens materiais. Talvez seja esta a semente que mais tarde daria vários frutos na árvore das vocações religiosas: os monges, os eremitas, as ordens e as congregações.

Não podemos ver tal vocação como uma fuga deste mundo. Muito pelo contrário: quem a assume testemunha Cristo Jesus de uma forma radical, talvez muito mais que os demais. Estas pessoas entregam suas vidas totalmente a Deus, pois é a vocação do contraste: nosso mundo está marcado pela ganância, mas os chamados a viverem esta vocação geralmente fazem votos de pobreza; vivemos em um mundo marcado pela vontade própria, mas os chamados geralmente fazem votos de obediência; num mundo marcado pela luxúria escandalosa, e os chamados fazem votos de castidade.

Santa Teresinha do Menino Jesus se sentiu chamada ao Carmelo e ali teve a oportunidade de viver mais dentro do mundo do que muitos outros. Ela rezou tanto pelas missões que acabou se consumindo com o amor que sentia por Cristo, culminando em longos períodos de orações, depois foi declarada padroeira das missões.

Contudo, sabemos bem que tudo tem seu preço. Conversando com uma amiga que acabara de ingressar na Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino, chegamos a conclusão que alguém que se sente chamado a ser sacerdote encontra certa resistência por parte da sociedade (o “mundão” mesmo), mas esta ainda acaba o aceitando quando vê que não consegue virar sua cabeça pois sabe que ele viverá num meio secular e que as chances dele se perder são enormes. Porém, alguém que é chamado a ser irmão ou irmã é muito mais ridicularizado pelo mundo na maioria das vezes, pois este sabe que esta vocação exige uma vivência radical das virtudes católicas, o que faz aumentar cada vez mais o número de santos que seguirão este chamado.

João Carlos Resende

domingo, 14 de agosto de 2011

A Virgem Assunta ao Céu


Certamente uma das festas mais belas do ano é a Solenidade da Assunção da Virgem Maria. Confesso que meu coração se enche de júbilo dias antes desta magnífica comemoração, que passa despercebida por tantos católicos. Mas qual a razão disto acontecer?

Nas Sagradas Escrituras não há relato explícito algum referente à Assunção. Então surge um questionamento: É garantida a veracidade deste dogma? A Igreja sempre creu que a “Beata Virgem Maria, após completar seu curso terreno, foi elevada de corpo e alma a glória celeste”? [1]. São Dionísio, já nos primeiros anos do Cristianismo relatava esta linda glória da vida da Virgem Mãe de Deus. Surge então, inevitavelmente, outra dúvida: Se a Assunção é um fato verdadeiro, porque não está explícita nas Escrituras Sagradas?

São Luís Maria Grignon de Montfort responde brilhantemente em sua grande obra, intitulada “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Ele nos diz: “Para atender aos pedidos que Ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana.”

A vida de Maria é um exemplo de como ser humilde. Maria não se exaltou em momento algum. Diz a Tradição que Ela própria teceu o vestido que usaria em sua dormição [2]. Muito provavelmente sua aparência não ficou envelhecida, pois o envelhecimento é um sinal da corrupção corporal, mas ela não se vangloriou deste fato; e hoje são tantos os que sobem às nuvens por terem uma beleza qualquer... E a beleza da Mãe do Messias era tão grande ao ponto da Lua ficar sob seus pés e o Sol vesti-la, na sua gloriosa Assunção, como conta o Apocalipse. Mas nem nesta circunstância ela disse algo, pois era humilde. Que graça se tivéssemos tal humildade!

Santa Maria, Rainha Assunta aos Céus, rogai por nós!

João Carlos Resende

[1] Constituição Apostólica Munificentissimus Deus - sobre a definição Do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu - Papa Pio Xll
[2] Explicação do termo “dormição” neste link

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Vocação matrimonial (familiar)


Muitos compositores tentaram falar do Sacramento do Matrimônio em suas obras, mas talvez uma das que mais tem a capacidade de tocar os corações seja a canção “Utopia”, do Pe. Zezinho. Ele fala do amor que seus pais tinham a ele e a seus irmãos em sua infância. A família era humilde, mas o amor entre eles era grande. No final da música ele denuncia a banalização do amor em nossos tempos.

Como é belo um amor verdadeiro! Santa Ana e São Joaquim, Santa Cecília e São Valeriano, os Beatos Zélia e Luís Martin são exemplos de um amor verdadeiro, que buscava sempre os caminhos de Deus. Destas histórias magníficas brotaram frutos lindos: a Virgem Maria de Ana e Joaquim e Santa Teresinha de Lisieux de Zélia e Luís. Cecília e Valeriano não tiveram filhos, mas nem por isso deixaram de serem personagens ilustres do amor conjugal: se amavam tanto que Valeriano aceitou respeitar a virgindade que Cecília consagrara a Deus e ainda deixou o paganismo para se tornar cristão. O amor verdadeiro move montanhas, como diriam os mais antigos.

Quão gratificante é participar de uma missa de bodas de ouro (50 anos de enlace matrimonial)! Tais missas estão se tornando cada vez mais escassas, pois não se ama como antigamente. Infelizmente muitos já casam dizendo: “Ah, se não der certo separa”, Isso é absurdo. Concordo com a “Utopia”; o amor virou consórcio. Quando não casam pensando em separar, casam mais preocupados com o coquetel após a cerimônia do que com a educação que darão aos filhos. Ops, eu disse filhos? Como eu ainda sou atrasado! Esqueci que filhos já não existem no vocabulário da maioria dos casais.

Filhos dão amolação! Se tiver é um só, e será criado pela babá, pois a mãe tem que trabalhar para pagar uma escola particular e comprar as roupas mais sofisticadas para a criança. Como é triste este mundo materialista! Mais uma vez Pe. Zezinho acertou na letra da música: “Há tantos filhos que bem mais do que um palácio gostariam de um abraço e do carinho de seus pais”. Hoje não é incomum ver uma criança com sintomas de depressão.

E a sexualidade entre os cônjuges? Só não vou falar nada aqui agora pois farei em breve um artigo tratando apenas deste tema, de não banalizado que está. Divórcio, infidelidade, violência, autoritarismo... São tantos os males que invadiram a família que às vezes dá até desgosto de falar deste assunto. Mas isso é normal, afinal, a família é a célula mãe da sociedade, e Satanás não quer destruir a Igreja? Dará menos trabalho a ele destruir primeiro a Igreja Doméstica.

Que a Sagrada Família de Nazaré nos ampare nesses tempos sombrios.

João Carlos Resende

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