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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O silêncio é adoração quando abraças a Cruz, sem perguntar: por que?

"O silêncio é doçura: quando não respondes às ofensas, quando não reclamas os teus direitos, quando deixas a Deus a defesa de tua honra;
O silêncio é misericórdia: quando te calas diante das faltas de teus irmãos, quando perdoas sem remoer o passado, quando não condenas, mas intercedes em segredo;

O silêncio é paciência: quando sofres sem te lamentares, quando não procuras consolação junto aos homens, quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente;
O silêncio é humildade: quando te apagas para deixar aparecer teu irmão, quando, na discrição, revelas dons de Deus, quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas, quando deixas a outros a glória da obra acabada;

O silêncio é fé: quando te apagas, sabendo que é Ele quem age, quando renuncias as vozes do mundo, para permanecer em Sua presença, quando te basta que só Ele te compreenda;
O silêncio é adoração: quando abraças a Cruz, sem perguntar: por que?
Jesus guardava o silêncio.

'Põe, Senhor, uma guarda à minha boca, sentinela à porta dos meus lábios' (Sl 140, 3)".


Pe. William Faber, C.O.

terça-feira, 25 de março de 2014

O soldado convertido por Nossa Senhora



Há uma sequência de cenas no filme A Paixão de Cristo onde podemos ver belamente o início da conversão de um soldado após assistir o sofrimento de Nossa Senhora junto ao seu Filho no caminho para o Calvário, e nesta postagem tentaremos elencar as cenas junto com uma reflexão a respeito sobre como toda conversão começa através da intercessão de Nossa Senhora.

Como se sabe, o diretor Mel Gibson baseou-se muito nas revelações particulares feitas a Beata Anna Catarina Emmerich [1] para montar as cenas do filme, no qual foram reveladas a ela realidades da Paixão de Nosso Senhor, digo que li apenas alguns pequenos trechos dos relatos dela, e não sabemos – mesmo que por revelação particular - se esta sequência aconteceu realmente, mas creio que ela foi pelo menos pensada pelo diretor do filme para que tivesse esse efeito.

Então, é uma sequência de 3 cenas cheias de significado, e envolve o encontro de Nossa Senhora e um soldado romano, que no filme é chamado no pelo nome de Cassius, e que vemos no fim ser aquele que perfurará com uma lança o lado de Nosso Senhor, e se converterá depois de ver jorrar sangue e água do corpo de Cristo, no filme não há a pronúncia dos tais dizeres mas ligando a cena aos relatos das Sagradas Escrituras sabemos que é aquele soldado que diz: “Verdadeiramente este Homem era Filho de Deus” (cf. Mt 27,54). Nos relatos da Beata Anna Catarina Emmerich ele é chamado de Cassius,  mas a tradição costumou-o chamar de Longino ou Longinus (Nome derivado do grego “longche” que significa "uma lança"), daí derivou-se que seu nome chegasse até nós na sua “versão portuguesa” como São Longuinho. [2]

Prosseguindo, o primeiro encontro entre o soldado Cassius e Nossa Senhora se dá durante a Via Dolorosa de Nosso Senhor, (vamos chamá-lo aqui de Cassius para um melhor entendimento), Nossa Senhora encontra Jesus e depois de um curto tempo juntos os soldados vêm e os separam e fazem com que Jesus siga o caminho, então Cassius olha de um modo estupefato e muito assustado para aquela cena, e em seguida pergunta a outro soldado:
-- Quem é Ela? O soldado responde:
-- É a Mãe do Galileu.
A cena prossegue e o olhar estupefato de Cassius continua, como se lêssemos aquela pergunta ressoando em sua mente: -- Quem é Ela? Quem é Esta Mulher?



Não há como não pensar na passagem dos Cânticos dos Cânticos que sempre é atribuída profeticamente a Nossa Senhora: “Quem é Esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha...?” (Ct 6,10), num instante o soldado que pertencia ao exército mais poderoso do mundo se vê pequeno e fraco perto da magnitude daquela cena, do amor tão grande daquela Mãe pelo Filho, e do Filho pela Mãe, e deve ter começado a se perguntar? “O que há de tão grande neste Galileu? Quem é Este?”

As cenas se desenrolam e há um novo encontro, agora já aos pés da Cruz, Nossa Senhora acompanhada de São João e Santa Maria Madalena se aproximam de Nosso Senhor, é o momento onde Jesus deixaria Nossa Senhora como Mãe de todos nós na pessoa de São João, e parece que Cassius tem a função de guardar o local para que ninguém se aproximasse da Cruz. Então os 3 se aproximam e Cassius entra na frente, como que para impedir, mas visivelmente com o corpo estremecido, com um olhar confuso, e por dentro com o coração já tocado pela piedade de ver a dor e o amor de Mãe e Filho, deixa-os passar... E deve ter-se perguntado: Quem é Esta que tem força para ficar de pé vendo tamanha dor de um filho? Quem é Este Homem?”



O terceiro encontro com Nossa Senhora é novamente aos pés da Cruz, tudo já está consumado, Nosso Senhor está morto, e logo em seguida acontece um terremoto e os soldados romanos correm assustados e sem rumo, começam a quebrar as pernas dos outros crucificados para morram mais rápido, é entregue um pedaço de madeira a Cassius para que quebre as pernas de Jesus, ele olha para Nossa Senhora antes, e não tem coragem de fazê-lo, e dá um grande grito: “Mortus est...” Está morto!! O seu oficial superior então lhe entrega uma lança e diz:
--“Certifique-se!!”

Cassius olha novamente para Nossa Senhora, tremendo, quase desiste, mas o faz, insere a lança no corpo de Nosso Senhor. Então jorra sangue e água do Corpo de Jesus e Cassius caiu de joelhos, neste momento nasce para a fé...

Provavelmente ele já tinha ouvido falar de um tal profeta da Galiléia que fazia milagres, arrebanhava multidões de discípulos e que se dizia o Filho de Deus, e mesmo sendo pagão deve ter ficado admirado com isto tudo, ainda mais quando se viu ajudando a conduzir tal Galileu ao Calvário, ao ver sua Mãe Santíssima o acompanhando, quantas vezes deve ter se perguntado: “Quem é verdadeiramente Este Homem?” E neste momento, ao jorrar do sangue e da água sua pergunta tem resposta, e vinda de dentro, uma profissão de fé: “Verdadeiramente, este Homem era o Filho de Deus!” 



No fim vemos Cassius entre aqueles que ajudam a descer Nosso Senhor da Cruz e colocá-lo nos braços de sua Mãe, ali já o vemos como um discípulo, pois ser discípulo é retribuir o amor com o qual Deus nos ama, mesmo de que maneira infinitamente menor, nos arrependendo de nossos erros, com contrição, pois eles ferem Nosso Senhor, nos retificando e buscando dar o máximo de nossas forças por Deus a cada momento, e foi esta a ação de Cassius naquela hora, arrependido de suas ofensas fez o que podia e devia naquele momento, ele quis participar da Cruz, e assim devemos ser todos nós.

O que podemos perceber nesta reflexão é que sabemos que a conversão é um caminho para toda a vida, todos os dias, a luta pela conversão deve ser diária, mas há aqueles momentos especiais na vida onde Deus nos chama a passos maiores, toda conversão é um chamado divino que nós devemos responder, pois Deus quer a nossa felicidade, a felicidade neste mundo que é sofrer com paciência os revezes e esperar somente a Paz que vem de Nosso Senhor, e a felicidade eterna ao lado Dele na Glória, e Deus usa vários meios para isto, para nos chamar e levar-nos até Ele, e o mais belo, eficaz e santo é o caminho que passa por sua Mãe Santíssima, como dizia São Bernardo [3] “Ela é a Raptora de Corações”, toda conversão começa com Ela e tem o seu fim em Nosso Senhor, e foi o que vimos no desenrolar dessas cenas, o soldado que se admirou da magnanimidade de Nossa Senhora terminou professando a fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Este filme dispensa recomendações, mas aconselho depois desta leitura a assisti-lo novamente, e agora com um olhar mais atento a estes detalhes descritos acima, e vê-lo com o espírito de oração, e com certeza Nosso Senhor nos inspirará a que vejamos ainda mais belos detalhes neste filme.

Suplicamos a Nossa Mãe Santíssima, a Raptora de Corações, que sempre nos dê a força para perseverar em nossa vida de fé, na nossa conversão diária, que nos dê esperança no nosso caminhar, e principalmente um amor cada vez maior a Nosso Senhor Jesus.

Tiago Martins

Referências:

[1] Saiba mais sobre a história da Beata Anna Catarina Emmerich acessando estes links:Anna Catharina Emmerich, que teve a vida unida a Jesus Eucaristia, beatificada.”

Relatos da Paixão por Beata Anna Catarina Emmerich


[2] Leia mais a respeito acessando este link: São Longuinho

[3] Citado por Dom Jean-Baptiste Chautard em “A Alma de Todo Apostolado. Leia mais a respeito acessando este link: “O Apóstolo deve ter uma intensa devoção a Nossa Senhora.”

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Novena a Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face


Novena a Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Oração para todos os dias da novena

Lembrai-vos ó Santa Teresinha do Menino Jesus, da promessa que fizestes de “passar o vosso céu a fazer o bem sobre a terra”, e das graças inúmeras que obtivestes aos que recorreram à vossa intercessão.
Cheio de confiança em vossos méritos, venho pedir-vos esta graça (aqui se declara o pedido).
Ah! Não rejeites a minha petição! Mas se queres que eu vos chame “alegria do Sagrado Coração de Jesus” interceda por minhas súplicas; e, pelo amor que tínheis à Divina Eucaristia e à Virgem Santíssima, alistai-me na legião das almas pequeninas, inteiramente abandonadas às mãos de Deus. E envolvendo minha vida em vossos celestes perfumes, derramai sobre mim e todos que me são caros uma de vossas chuvas de rosas. Assim seja.
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, alegria do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Amém.

Primeiro dia – Santa Teresinha, Serafim de amor

Um pensamento:

Ah! Se as almas fracas e imperfeitas qual a minha, experimentassem o que eu experimento, nenhuma perderia a esperança de vencer o cimo da montanha do Amor, porquanto Jesus não exige ações sublimes, mas apenas o abandono e o reconhecimento.

(Santa Terezinha, História de uma alma, cap. XI)

Trecho edificante:

Até a ante véspera de sua morte, quis Terezinha ficar sozinha durante a noite; mas, não obstante, as suas instâncias em contrário, a enfermeira não deixara de a visitar várias vezes. Numa dessas visitas, encontrou-a de mãos postas e olhos fitos no céu.
– Que está a fazer? Perguntou-lhe, é preciso ver se consegue dormir um pouco.
– Ah! Não posso, minha irmã, sofro demais: e então ponho-me a rezar...
– Que diz a Nosso Senhor?
– Não lhe digo nada, amo-o!
De outra vez uma irmã falava a Terezinha da bem-aventurança do céu. Interrompeu-a, dizendo: Não é isto que me atrai...
– Que é então?
– Oh! É o Amor! Amar, ser amada, e tornar a este mundo para fazer amar o Amor.

Oração:

Ó Santa Terezinha, serafim de amor, vós, que tão bem compreendestes a palavra dos Livros santos: “Deus é amor” e que soubestes corresponder a esse amor; amando-O a ponto de exclamardes que o amor divino vos prevenira desde a infância e se tornara em vós um abismo de profundeza insondável, obtende-nos a graça de amarmos cada vez mais a Deus, começando nesta vida o cântico do amor, que convosco no Céu durará eternamente porque a “caridade jamais se extingue”.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Santa Terezinha, serafim do Carmelo, abrasai meu pobre coração nas chamas do Amor Divino!



No primeiro dia: Meditar sobre o amor de Nosso Senhor para conosco, sobretudo no Sacratíssimo Coração de Jesus. Fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento.

Segundo dia – Santa Terezinha e o amor do próximo

Um pensamento:

A verdadeira caridade consiste em suportar todos os defeitos do próximo e não se admirar de suas fraquezas, edificando-se com as suas menores virtudes.

(Santa Terezinha, História de uma alma, cap. IX)

Trecho edificante:

Terezinha desejava muito o ofício de enfermeira. Parece-me, escreveu ela, que eu desempenharia este ofício com terno amor, pensando sempre o que disse Nosso Senhor: “Eu estava doente e vós me visitastes”.
O sino da enfermaria deveria ser para mim uma melodia celeste.
Passaria muitas vezes sob as janelas dos doentes para lhes dar facilidade em me chamar e pedir meus serviços, deveria me considerar como uma escravazinha a quem todo mundo tem o direito de mandar.
Escreveu ela: Querer persuadir nossas irmãs que estão erradas, mesmo quando isto seja verdade, não é direito, pois que não somos encarregados de dirigi-las. É preciso que sejamos não juízes de paz, mas somente, anjos de paz.

Oração:

Santa Terezinha, anjo de bondade e doçura para com o próximo ajudai-nos a suportar com paciência os defeitos de nossos irmãos, arrancai de nosso coração a erva daninha do amor próprio e que a vosso exemplo tão edificante sejamos mansos, humildes, caritativos, saibamos amar e perdoar os que nos ofendem, tendo para com todos um sorriso de bondade e amor.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Terezinha de Jesus manso e humilde de coração, fazei nosso coração como o da criancinha que não guarda ressentimentos nem ódios.

No segundo dia: Dar uma esmola a um pobre e rezar um terço pelas almas do purgatório.

Terceiro dia – Humildade de Santa Terezinha

Um pensamento:
Para se aproximar de Jesus, é preciso ser pequeno! Oh! Como há poucas almas que aspiram a ser pequenas e desconhecidas!
(Santa Terezinha, 14.a carta a Celina)

Trecho edificante:
– Quando me fazem uma repreensão, dizia uma noviça a outra, prefiro tê-la merecido que ser acusada injustamente.
– E, eu, disse Terezinha, prefiro ser acusada injustamente, porque nada achando que me exprobrar, ofereço isto ao bom Deus alegremente; em seguida humilho-me pensando que seria bem capaz de fazer o que me acusam.
No fim da vida pode dizer: Sim reconheço que a minha alma nunca procurou senão a verdade... sim, compreendi a humildade de coração!
Oração:
Santa Terezinha, violeta de humildade, que vos sentíeis feliz em reconhecer vosso nada, que soubestes achar em vossa fraqueza toda vossa força, que apreciáveis mais as luzes sobre vosso próprio nada do que as luzes sobre a fé, e assim atraístes os olhares de complacência do Pai Celeste, alcançai-nos a graça de sabermos “gloriar-nos em nossas fraquezas” para que se realize também em nós, como vemos realizado em vós, o oráculo do Divino Mestre: “todo aquele que se humilha será exaltado”. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


Jaculatória:

Terezinha, violeta humilde que embalsamou o Carmelo e todo o mundo, alcançai-nos a verdadeira humildade de coração!

No terceiro dia: Meditar na Paixão de Nosso Senhor e praticar um ato de humildade.

Quarto dia – Espírito de mortificação de Santa Terezinha


Um pensamento:

Quereis saber quais são os meus domingos e dias de festa?... são os dias em que o bom Deus me envia mais provações.

(Santa Terezinha, Conseils et souv.)

Trecho edificante:

Eu tinha dez anos quando um dia meu pai disse a Celina que ia mandar-lhe ensinar a pintura, e tive muita inveja da felicidade de minha irmã. Papai me disse: – E tu minha pequena rainha não queres aprender o desenho? Ia responder que sim, muito alegre, quando Maria observou que eu não tinha as mesmas disposições que Celina. Pensei então que era uma ótima ocasião de oferecer um sacrifício a Jesus e fiquei calada. Eu desejava tanto aprender a desenhar, que ainda hoje me pergunto como tive força para me calar.

(Santa Terezinha, História de uma alma, C. VIII)

Oração:

Santa Terezinha, que sob o gracioso símbolo de pequeninas flores, soubestes aproveitar todas as ocasiões de sofrimentos, tornando vosso cantar tanto mais melodioso; quanto mais longos e pungentes eram os espinhos entre os quais colhíeis as rosas de uma rigorosa e constante mortificação, obtende-nos a graça de amar as cruzes que encontramos em nosso caminho, afim de nos tornarmos verdadeiros discípulos d’Aquele que disse: Quem quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Santa Terezinha, fazei-nos mortificados e amantes das pequeninas ocasiões de sofrer por Jesus.

No quarto dia: Mortificar-nos três vezes durante o dia, sendo uma mortificação do gênio, outra da língua e a terceira do gosto.

Quinto dia – Santa Terezinha e a confiança em Deus

Um pensamento:

Quanto consola a certeza de que o Senhor é justo, isto é, que leva em conta as nossas fraquezas e conhece perfeitamente a fragilidade de nossa natureza! De que me posso pois temer? Deus infinitamente justo que se digna perdoar com tanta misericórdia as culpas do filho pródigo, não há de ser justo também comigo que estou sempre com ele?

(Santa Terezinha, História de uma alma, C. VIII.)
Trecho edificante:

Ouvindo Santa Terezinha referir alguns pormenores sobre que se havia dito no recreio, acerca da responsabilidade que pesa sobre os que tem almas entregues a seus cuidados, reanimou-se um instante, e pronunciou estas palavras admiráveis: – Quanto aos pequeninos, esses então serão julgados com extrema brandura! É possível conservar-se pequenino, ainda nos cargos de mais temerosa responsabilidade; e não está porventura escrito, que no fim “o Senhor se há de levantar em juízo para salvar a todos os mansos e humildes da terra”. Note que não diz para julgar, mas para salvar!


Oração:

Santa Terezinha, flor predileta do jardim do Carmelo, vós que soubestes arrebatar o Coração Divino pela confiança cega em seu amor misericordioso, levando-a a ponto de dizerdes que “mesmo que tivésseis sobre a consciência todos os crimes que se podem cometer, nada perderíeis de vossa confiança”, porque compreendestes os tesouros do amor e da misericórdia divina. Ah! Obtende-nos a graça de, mesmo no meio de nossas maiores misérias, jamais perdermos a confiança em nosso Divino Salvador que deu até a última gota de sangue para nos remir; para que, assim confiando sempre, consigamos a vida eterna, pois quem confia no Senhor não será confundido. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Santa Terezinha, enchei nosso coração de uma confiança ilimitada no Coração Misericordioso de Jesus.

No quinto dia: Assistir a Santa Missa pela conversão dos pecadores.

Sexto dia – Santa Terezinha e a Infância Espiritual


Um pensamento:

O único meio de fazer rápidos progressos na via do amor é o de ficar semprepequena: assim é que eu tenho sempre feito.

(Santa Terezinha, Conseils et souv.)

Trecho edificante:

Disseram a Santa Terezinha:
– Afinal dize-nos que vem a ser isto de ficar sempre pequena, que é preciso fazer para possuir o espírito de criança?
– Ficar pequeno é reconhecer o próprio nada, respondeu a Santa, é esperar tudo do bom Deus, não se afligir pelas faltas, porque as crianças caem muitas vezes, mas são muito pequenas para fazer grande mal; enfim, é não ganhar fortuna, não se inquietar por nada.
Entre os pobres, enquanto o filho é pequeno, dão-lhe tudo que é necessário, mas quando cresce, o pai não quer nutrir mais o filho e diz-lhe: “Trabalha; agora já te podes sustentar”.
Ficar pequeno é ainda não atribuir a si próprio as virtudes praticadas, mas reconhecer que o bom Deus põe este tesouro na mão de seu filhinho, para servir-se dele quando houver precisão.

(Conseils et souv.)

Oração:

Santa Terezinha, que tão bem realizastes a vida da infância espiritual, descobrindo nela o segredo da santidade, conservando-vos “sempre pequenina”, reconhecendo vosso nada e tudo esperando do bom Deus, como a criancinha tudo de seu pai, alcançai-nos com a vossa poderosa intercessão nossa conversão completa a essa encantadora via que o Divino Mestre nos mostra necessária à conquista da Pátria quando diz: Eu vos digo em verdade, si não vos converterdes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no reino dos céus. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Santa Terezinha, guiai-nos, fazei-nos caminhar para a perfeição pela vossa encantadora “via da infância espiritual”.
No sexto dia: Dar uma esmola a um menino pobre ou ensinar o catecismo e edificar uma criança pela explicação da doutrina ou narração de algum belo exemplo.

Sétimo dia – Santa Terezinha amante do sofrimento

Um pensamento:

Minha alma tem conhecido muitas provações e tendo sofrido muito neste mundo! Quando menina, sofria com tristeza; hoje, em paz e alegria, saboreio os frutos amargos.

(Santa Terezinha, História de uma alma C. IX)

Trecho edificante:

Falaram a Santa Terezinha um dia:
– Dizem por aí que tem tido poucas ocasiões de sofrer?
Sorriu-se, e, apontando para um copo cheio de poção cor de carmim, disse:
– Está vendo este copinho? É capaz de imaginar que o seu conteúdo é um licor delicioso; entretanto a verdade é que nunca traguei bebida mais amargosa. Pois bem, aí tem a imagem de minha alma: aos olhos dos outros, correu-me sempre risonha e abrilhantada das mais brilhantes cores: pareceu-lhes que libava saboroso néctar, e era só amargura! Digo amargura e, contudo, devo confessar que a minha vida não tem sido amargurada porque sempre consegui tirar alegria e doçura de todos os amargores.
(História de uma alma C. XII)
Oração:
Ó Santa Terezinha que amastes o sofrimento apaixonadamente a ponto de só nele achar alegria nesta terra onde tudo vos fatigava.
Santa Terezinha, que tanto sofrestes neste mundo, obtende-nos de Deus a graça de suportar com paciência as contrariedades da vida, fazei-nos amar a cruz, na qual está toda salvação.
Oh! Possamos, adorável vitimazinha, imitar-vos nesta terra para gozar convosco no céu o prêmio de nossas lutas e trabalhos. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
Jaculatória:
Santa Terezinha, fazei-nos compreender a necessidade de tomar a nossa cruz e seguir a Jesus.

No sétimo dia: Aceitar com paciência todas as tribulações da vida sem se queixar. Fazer o santo exercício da Via Sacra.

Oitavo dia – Santa Terezinha e a oração


Um pensamento:

O Criador do Universo espera a oração de uma pobre almazinha para salvar uma multidão de outras remidas como ela pelo preço de seu Sangue Precioso.

(12.a carta a Celina)

Trecho edificante:

Um dia uma noviça entrou repentinamente na cela de Terezinha e a encontrou cosendo com os olhos baixos e imersa numa profunda contemplação:
– Em que pensais? Perguntou-lhe a noviça edificada com aquela cena.
– Estou meditando o Pai Nosso, minha irmã. Oh! É tão doce chamar o bom Deus de Pai!
E as lágrimas brilhavam-lhe nos olhos enquanto o rosto tinha uma expressão celeste.

Oração:

Santa Terezinha, que tantas almas salvastes, que tão alta perfeição alcançastes pelo poderoso auxílio da oração, pedi ao Vosso Celestial Esposo que nos conceda a graça da oração.
Que como vós, pela prece humilde e fervorosa salvemos as almas de tantos pobres pecadores, aliviemos as almas do purgatório e alcancemos de Deus as graças e auxílios espirituais de que precisamos tanto.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


Jaculatória:

Santa Terezinha, que jamais nos esqueçamos da grande necessidade de orar ,e orar sempre, como nos recomendou o Divino Mestre.

No oitavo dia: Às nossas orações da manhã e da noite acrescentar sempre a piedosa devoção das três Ave-Marias.

Nono dia – Santa Terezinha e a sua chuva de rosas
Um pensamento:
Nunca dei a Deus senão amor e com amor também me há de Ele recompensar. –Depois de minha morte farei cair uma chuva de rosas!

Trecho edificante:
Pouco antes da morte, disse Terezinha à Madre Ignez:
– Sinto que está a chegar a hora de desempenhar a minha missão, a missão de fazer amar a Nosso Senhor como eu o amo...
Quero passar o meu céu fazendo o bem à terra.
Perguntou-lhe uma das irmãs como quereria que a chamassem quando estivesse no céu.
– Vós me chamareis Terezinha, respondeu humildemente.
– Olhareis por nós no céu, não é verdade? Perguntaram-lhe.
– Não, eu descerei...
Oração:
Oh! Santa Terezinha, que prometestes descer sobre a terra para proteger os vossos filhos, os pobres pecadores, e atender as súplicas de vossos devotos. Terezinha, ouvi-nos, pedi ao Senhor e à Virgem do sorriso as graças espirituais e temporais mais necessárias à nossa pobre alma.
Fazei cair sobre nós uma de vossas chuvas de rosas, ó vós que prometestes passar o vosso céu empenhada em fazer o bem a terra. Assim seja.

Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Jaculatória:

Descei, Terezinha, descei, vinde em nosso socorro nesta terra de misérias e dores. Que o vosso sorriso, que o perfume de vossas rosas, nos protejam. Possamos imitar todas as vossas virtudes que meditamos nesta novena.


No nono dia: Assistir a Santa Missa, comungar, fazer uma visita ao Santíssimo e rezar o terço, tudo para obter de Deus a graça de imitar as virtudes de Santa Terezinha.
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